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Leclerc, o futuro está nas tuas mãos

Luís Manuel Barros · 3 min

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No ano passado, no Grande Prémio do Brasil de 2018, aconteceu-me algo que já não acontecia desde curiosamente o Grande Prémio do Brasil de 2016, um friozinho na barriga que acontece quando vês um talento extremamente especial a surgir.

Em 2016, o friozinho foi por Max Verstappen, que até lá, achava rápido, mas não melhor que um Kvyat, em 2018, foi por Charles Leclerc, durante a qualificação para a corrida.

Durante a qualificação 2, começou a cair uma chuva leve, mas que já estava a tirar tempo de volta a quase todos os pilotos, ou seja, para poupar motores e assim, começaram todos a entrar nas boxes. O engenheiro de corrida de Leclerc perguntou se ele queria voltar para as boxes, tendo em conta que provavelmente já não iria melhorar o seu tempo e ficaria na 11.ª posição. Contudo, o miúdo pediu apenas mais uma volta, queria tentar de novo, e, enquanto todos os outros pilotos apenas faziam setores amarelos, ou seja, não conseguiam melhorar o seu tempo, Leclerc melhorou a volta e saltou para a oitava posição, ou seja, entrou na qualificação 3.

No Brasil em 2018, passei a adorar o monegasco.
Fonte: F1

Parece pouco, mas a mim só provou ainda mais a força de caráter que o monegasco tem. Outro exemplo disso foi quando dias depois do falecimento do seu pai, Leclerc dominou o fim de semana em Baku, quando ainda estava na Formula 2. Aqui lutou contra algo que deitava abaixo qualquer pessoa e ela não seria julgada por isso, mas Leclerc mostrou uma maturidade e força de vontade muito acima dos tenros 19 anos que tinha na altura.

Tudo isto o lançou para o lugar onde está agora, como companheiro de equipa do tetracampeão Sebastian Vettel numa das maiores equipas de sempre, a Ferrari. A época não começou da melhor forma, com Leclerc a ser demasiado bonzinho com Vettel, e apesar de mais rápido, pedir autorização à equipa para passar, que lhe foi negada. De seguida, no Bahrain, conseguiu a primeira pole position da carreira, e na corrida, após um mau início onde caiu para terceiro, recuperou lugares, mostrando muito mais velocidade que Vettel, e estava a dominar a corrida, até o motor o deixar ficar mal, conseguindo apenas o primeiro pódio, quando tinha a vitória nas mãos.

Toda a gente teve pena, mas foi azar, apenas isso, a corrida dele foi fenomenal. Na China, a situação já foi outra, a Ferrari estava muito longe da velocidade da Mercedes, e foi uma corrida sofrível, muito por culpa da equipa estratégica. Quando se tornou necessário, mandaram Vettel às boxes, para proteger a sua terceira posição, no entanto, esqueceram-se que Leclerc existia, e deixaram-no meia dúzia de voltas cá fora, a acabar de cozer os pneus. Resultado? Max Verstappen passou-o muito facilmente quando a equipa finalmente o decidiu levar às boxes.

Em Baku, ao contrário do que dizem, a estratégia não foi errada, foi a tentar procurar o habitual Safety Car nas ruas da capital do Azerbeijão, infelizmente ele não apareceu. O único erro que existiu ali, foi de Leclerc na qualificação.

Um tema que tem surgido muito esta época é o do favorecimento que tem sido dado a Vettel, sem este estar a fazer nada em especial para o merecer. É um facto, a equipa tem favorecido a experiência do alemão, mas com isso está a cortar as pernas ao míudo, e tem perdido alguns pontos à custa disso. Para já, início de época, era deixá-los correr, eles respeitam-se, não vão andar às marradas como o Rosberg ou o Hamilton, mas também, nenhum de nós sabe o que diz o contrato.

Esta época duvido que Leclerc seja campeão, mas é apenas uma questão de tempo, o talento e a mentalidade estão lá, já o provou várias vezes na curta carreira, e acredito, que se o libertarem, é capaz de conseguir bater Vettel.

Uma batalha que podia ser deliciosa, se a Ferrari deixasse.
Fonte: Scuderia Ferrari

Já imagino a rivalidade entre Leclerc, Verstappen e possivelmente Ocon, e é de deixar água na boca. Fica aqui um pedido à Ferrari (porque eles são leitores assíduos do BNR), para deixar o rapaz dar o show dele, tem um talento interminável, não o matem, aproveitem o que ele tem para vos oferecer, porque pilotos assim são raros, muito raros. Mas tem de haver esperança, à uns anos atrás, em 2007, um rapazito qualquer do Reino Unido também não ganhou à primeira numa equipa de topo, não sei o que é feito dele, acho que já vai para aí em cinco campeonatos do mundo, coisa pouca…

Foto de Capa: Formula 1

Luís Manuel Barros

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