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Os prós e os contras de Carlos Sainz na Ferrari

Luís Manuel Barros · 4 min

Os prós e os contras de Carlos Sainz na Ferrari
Foto: Formula 1

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Num ano que julgávamos vir a ter uma silly season sossegada, não só pela mudança de regras ao virar da esquina, como pelo facto de a época ter sido adiada pela pandemia de COVID-19, Sebastian Vettel resolveu animar os fóruns e caixas de comentários já aborrecidos com a falta de corridas, ao anunciar que não iria renovar com a Ferrari para 2021.

Como já testemunhámos em 2018, isso é como atirar uma pedra em águas calmas, as ondas de choque propagam-se por todo o ecossistema. Neste caso em específico, assistimos a dois pilotos de alto nível a anunciarem uma mudança de ares em 2021, Daniel Ricciardo para a McLaren, substituir Carlos Sainz que salta para o lugar deixado disponível por Sebastian Vettel.

Não vou disfarçar, estes são os meus dois pilotos favoritos da grelha, e a minha missão para hoje, é olhar especificamente para “nuestro hermano” Carlos Sainz, e avaliar os prós e contras da sua mudança para a Ferrari.

Como referi num artigo passado aqui no Bola na Rede, no desporto motorizado, um apelido tem um peso dantesco, sendo poucos os que conseguem corresponder. O apelido Sainz não foi popularizado nas pistas, mas sim nos caminhos de terra, onde Carlos Sainz Sr. conseguiu dois títulos mundiais de Rally e venceu por três vezes o Dakar, portanto, é basicamente realeza do desporto motorizado.

“Psst, Seb, os chefes são tão malucos quanto dizem?”
Fonte: Fórmula 1

Desde que chegou há cinco anos à Fórmula 1, Carlos Sainz Jr. não tem mostrado sinais dessa mesma pressão, sendo cotado como um dos pilotos mais entusiasmantes dos próximos anos. Começou na família Red Bull na Toro Rosso ao lado de Max Verstappen, tendo uma relação conturbada e extremamente competitiva com o belga.

Mudou ainda no final da época de 2017 para a Renault, onde não conseguiu ser tão competitivo como Nico Hulkenberg, voltando a mudar em 2019 para a McLaren, onde substituiu o seu herói, Fernando Alonso, e liderou a equipa na sua remontada, tendo uma das melhores campanhas individuais de toda a grelha.

OS PRÓS

Começamos então nos prós, e já que falamos de Alonso, continuamos nessa temática. Para mim, Carlos Sainz tem mais semelhanças com o bicampeão espanhol do que apenas a nacionalidade. Tal como Fernando, Carlos é muito inteligente em pista, compensando aos domingos de corrida o que muitas vezes não consegue apresentar nos sábados de qualificação. Isto na Ferrari não seria um problema, porque apesar de não ser nem de perto tão bom como Leclerc a qualificar-se (o jovem monegasco afirmou-se como um dos melhores em 2019), Carlos Sainz não é lento, a diferença seriam poucos décimos.

Num carro da frente da grelha, muitas vezes a capacidade de executar uma estratégia na perfeição, com uma boa gestão de pneus pode fazer toda a diferença no momento de um undercut ou perseguindo um rival, e Carlos Sainz está entre os melhores da Fórmula 1 nesse capítulo (ver GP do Brasil 2019).

Olhando para o lado de como funciona como colega de equipa, já vimos duas facetas de Sainz pelo que será difícil avaliar qual vestirá de vermelho. Na Toro Rosso, o choque com Max Verstappen foi notório, mas desde aí, funcionou bem como um segundo piloto na Renault, e como um líder na McLaren.

Na Ferrari, acredito que a equipa tenha apostado nele porque considera que não será tão Alfa como Ricciardo, criando menos problemas semelhantes aos do ano passado, porém, sinto que Sainz está a ser demasiado desvalorizado, e com maquinaria pesada pode bem mostrar que pertence à frente da grelha ao lado dos “gigantes”. Isto podia voltar a criar tensões, entre os pilotos, e a Ferrari sabe disso, se quisessem um segundo piloto óbvio, que fosse uns furos abaixo do principal escolhiam Antonio Giovinazzi e não Carlos Sainz.

O pódio no Brasil foi um dos melhores momentos da época de 2019
Fonte: McLaren

Apesar de jovem (25 anos), Carlos Sainz já tem cinco anos de experiência em variados ambientes, o que será um forte contrapeso para a maior “verdura” de Charles Leclerc, ou seja, Sainz possui a mistura quase perfeita de experiência e juventude que hoje tanto se procura na Fórmula 1.

OS CONTRAS

Em termos de contras, a temática de colega de equipa que foi abordada acima poderá ser problemática se a evolução de Sainz continuar face ao que vimos em 2019. Mais um ano naquele nível, e Carlos Sainz terá de ser seriamente considerado um possível candidato a lutar por um título, o que pode criar tensões, com dois pilotos a tentar o ataque ao ouro.

É sempre uma incógnita quando vemos um piloto do segundo pelotão a saltar para as grandes ligas, e após a performance na época passada, foi a vez de Carlos Sainz ir para a Ferrari em 2021.

Para mim, Carlos Sainz é um dos pilotos mais consistentes da grelha, e considero que se voltar a repetir os feitos do ano passado, é um candidato ao título. No seu estilo de condução e performances há uma aura de Fernando Alonso, mas sem a personalidade complicada que ajuda na implosão de equipas (um tema para outro artigo).

Até agora, Sainz era conhecido por ser deixado de fora das transmissões, por muito genial que fosse a sua corrida, dentro de um carro vermelho com certeza terá as câmaras apontadas para si. Da parte da Scuderia, este pode ser o golpe de génio que tanto precisavam, como pode ser mais um dos tantos erros que mantêm gli tifosi acordados de noite.

Foto de Capa: Formula 1

Luís Manuel Barros

Redação Bola na Rede · ver artigos