Em tempos de quarentena e isolamento social, temos no mundo que é a Internet um género de melhor amigo. Nesse mesmo meio, encontramos um catálogo de filmes, séries, documentários e livros, os quais podemos consumir, aprendendo, e desligando um pouco do cinzento que é este mundo.

Nesses mesmos confins da Internet, particularmente na Netflix, tropecei num documentário, produzido por eles, que conta a história de uma das maiores lendas do Desporto, que normalmente cubro aqui no Bola na Rede, e que, infelizmente, estou privado de ver à custa da COVID-19. Esse documentário é Fangio: O Homem que Domava as Máquinas.

Tal como o nome clarifica, o filme revolve à volta de Juan Manuel Fangio. O lendário piloto argentino que marcou a história da Fórmula 1 ao vencer cinco campeonatos de pilotos por quatro equipas diferentes, entre 1951 e 1957.

O filme aborda os princípios da carreira de Fangio como mecânico, passando depois para trás do volante, na Argentina, nas competições de Turismo Carretera (um género de Targa Florio através da América do Sul). Aborda depois, a sua vida na Fórmula 1 e relata eventos icónicos, como o acidente de Le Mans de 1955, e aquela que ainda hoje é considerada uma das melhores performances de sempre por um piloto de Fórmula 1: o Grande Prémio da Alemanha de 1957, no temível “inferno verde”. Tudo neste Grande Prémio correu mal a Fangio nas boxes, o que fez o argentino conduzir loucamente, quebrando constantemente o recorde de tempo da pista, volta após volta, e após estar um minuto atrás dos homens da Ferrari que lideravam, levou o seu Maserati 250F à vitória.

Uma das características especiais do documentário é ver a admiração que alguém como Alain Prost, que detém quatro títulos, demonstra pelo argentino, tratando-o quase como um ser mítico ou um Deus. Para além do ex-piloto francês, ouvimos testemunhos de outros pilotos, mecânicos e amigos de Juan Manuel Fangio, que explicam, que o mito, nunca conseguiu ser maior do que o homem.

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Algo que este documentário aborda, que nem sempre é conseguido quando se olha para os “bons velhos tempos” da Fórmula 1, é glorificar a qualidade gigantesca dos pilotos de outros tempos, sem rebaixar o trabalho que os pilotos de hoje em dia fazem, corrida após corrida.

O piloto argentino venceu numa época em que era comum ver os colegas morrer durante a corrida, tal o perigo das mesmas, e o documentário analisa de forma sublime a mentalidade e o porquê destes homens se sujeitarem a tal risco.

Para quem apenas conheça apenas os tempos mais modernos da Fórmula 1, o documentário fala de uma época quase alienígena, mas analisa uma figura e um espaço temporal que definiram uma grande parte daquilo que é a essência da Fórmula 1.

Foto de Capa: Mercedes AMG F1

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