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Há um mês, dei por mim em casa, ansiosamente, à espera que começasse o Grande Prémio de Itália, em Fórmula 1. Era domingo, estava um sol de verão, e tinha amigos à espera na praia, mas fiquei a ver a prova e só depois fui ter com eles. Uma das amigas com quem ia estar aceitou a minha justificação e ainda me perguntou: “Quem está na P1?” Dias antes, soube que um outro amigo tinha comprado um volante, parecido aos dos carros oficiais, para jogar na consola. Agora, dizia, “sente-se mais Hamilton”.

Perdoem-me a partilha dos meus dias, mas acho que se já perceberam onde quero chegar. A Fórmula 1 está ganhar, dia após dia, milhões e milhões de novos seguidores em todo o mundo e isso deve-se, em grande parte, à série da Netflix ‘Drive to Survive‘, que acompanha os bastidores das últimas três épocas do Mundial.

O impacto desse série é brutal e é um exemplo perfeito de como promover um espetáculo fantástico, abrindo as portas de um mundo que tanto nos intriga. Resultou na Fórmula 1 e resultaria em qualquer desporto. É tudo uma questão de mentalidade, de visão, e, claro, de dinheiro.

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É uma fórmula que resulta porque o ser humano adora saber o que se passa nos bastidores, adora ver os homens por detrás das máquinas de competição, adora saber que os pilotos, os chefes de equipas, os jogadores, os treinadores, são pessoas como nós, mas em posições privilegiadas. E é ao revelar-se “como se faz” e “como realmente são as coisas” que se desperta o interesse daqueles espectadores que estavam mais distantes do fenómeno, neste caso, da Fórmula 1. Aqueles que eram fãs e não sabiam. Como eu.

Fórmula 1 Lewis Hamilton
Fonte: Mercedes AMG-F1

O GP do Bahrain, o primeiro da época 2021, que se realizou pouco depois do lançamento da terceira temporada da série, foi o mais visto de sempre na Sky Sports, estação televisiva britânica.  E nesse grande grupo de mais de 2 milhões e 200 mil espectadores, identificam-se mais jovens, mais mulheres, e não apenas os clássicos fãs peritos na técnica e na engenharia.

A isto chama-se abrir horizontes e obter resultados, sobretudo financeiros. Há mais pessoas a ver, há mais patrocinadores atentos, há mais dinheiro a entrar. Agora, imagem isto no mundo do futebol. A lógica seria a mesma. Voltando às minhas rotinas, lá em casa, a minha família não se junta para ver um jogo se não for da Seleção, e na fase final de um Euro ou de Mundial. Mas, no GP de Portugal, ficámos agarrados à televisão. E, quem sabe, ainda vamos todos ver uma prova ao vivo.

Artigo de opinião de João Pedro Óca,
jornalista TVI

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