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Esta quarta e quinta-feira, a caravana do MotoGP deslocou-se a Jerez de la Frontera para o último teste do ano. Depois de Valência chegou a altura de pôr em prova tudo aquilo que já foi testado na semana anterior.
O dia começou cinzento e dificultou o trabalho das equipas. A sessão que estava prevista para as 10h00 da manhã apenas teve início por volta das 11h30, devido ao forte nevoeiro. O plano era testar a mota de 2018 e depois a de 2019.
Destaque para a Honda que, tal como se verificou na temporada que terminou, continua um passo à frente. Marquez mantém-se nos primeiros lugares. No segundo dia de testes chegou até a estar na liderança, tendo terminado o dia em segundo lugar. Dois dias de testes muito positivos apesar da lesão no ombro esquerdo do espanhol. Lorenzo está a adaptar-se bem à Honda e é visível um grande esforço por parte da equipa para que o piloto espanhol tenha as melhores condições para estar no topo da tabela de tempos. Terminou o segundo dia de testes no quarto lugar. Uma excelente prestação do piloto da Honda que, mesmo com uma lesão no braço ainda por curar, provou que o melhor ainda está para vir.
A Ducati também se manteve nos lugares de topo, nos dois dias, em Jerez. Danilo Petrucci foi o mais rápido no primeiro dia; no segundo terminou no quinto lugar. É notório que o italiano está a dar o máximo na nova equipa e a melhorar a cada dia. Andrea Dovizioso também teve boas sensações durante estes dois dias e terminou no top 10. A equipa não testou motores e focou-se principalmente na parte eletrónica e no chassis, com o piloto de testes, Álvaro Bautista a testar algumas opções mais arrojadas.
Sendo a Ducati e a Honda as equipas que melhor se saíram nos testes, Andrea Dovizioso e Marc Marquez continuam a ser os principais alvos a abater. Tanto o italiano como o espanhol serão, sem dúvida, candidatos ao título de 2019. Resta apenas saber quem se irá juntar à festa.
Com aquilo que foi possível ver da equipa da Yamaha nestes dois dias, dificilmente estará na luta pelo título. No primeiro dia, compararam motores e no segundo tomaram a decisão final. No entanto, na equipa de Valentino Rossi e Maverick Viñales ainda há muito trabalho pela frente. O grande problema nos últimos anos tem sido o motor, precisamente a única coisa em que se focaram nestes dois dias. Dito isto acabaram por ficar de parte quaisquer elementos da parte eletrónica e chassis. A tração é uma das questões que se percebeu que deve ser melhorada.

Fonte: MotoGP
Uma das caras mais desapontadas ao longo destes dias em Jerez foi, precisamente, o italiano Valentino Rossi. O piloto não consegue esconder os seus receios e diz que não vê muita diferença entre esta mota e a de 2018. Para além do problema com a escolha do motor certo, o italiano também se mostra preocupado com os pneus. “The Doctor” não está muito contente e reforça que, durante a pausa de inverno, há muita coisa a ser feita na Yamaha de 2019. Isto se quiserem estar de forma consistente na luta pelo pódio e, quem sabe, algumas vitórias. Apesar de, no último dia, Rossi parecer um pouco mais animado, pois melhorou o seu tempo, o veterano continua a dizer que falta alguma coisa. No entanto, e apesar de todos os problemas, a Yamaha conseguiu terminar os testes em Jerez com Viñales em terceiro lugar e Rossi em 11.º.
Fora do top dez da tabela de tempos ficaram sempre as KTM’s, tanto as da equipa de fábrica como as da Tech 3. O francês, Johann Zarco, que estará em 2019 na equipa principal da KTM, tem tido dificuldades desde o primeiro dia em que a testou. Uma mudança muito difícil e uma mota complicada que obriga a um estilo de condução diferente. Todos os pilotos sentiram que não conseguiam evoluir muito e ser competitivos. Quanto à Tech 3, Miguel Oliveira frisou que foram dados pequenos passos. Tentaram trabalhar a parte eletrónica e melhorar, principalmente, a velocidade. Ficou claro que a KTM está com dificuldades em arrancar com a pré temporada e que ainda tem muito para trabalhar. Segundo os pilotos, o grande problema é combinar a potência, a velocidade e a entrada em curva.

Fonte: MotoGP
Apesar destes pontos negativos e de ter terminado na 23.ª posição, o piloto português não se deixa ir abaixo. Diz que se sente melhor em cima da mota e está a construir a sua confiança.
Note-se que os resultados dos testes, tanto de Valência com este último, em Jerez de la Frontera, são apenas uma preparação para a próxima temporada. Os resultados que os pilotos estão a obter são meramente ilustrativos daquilo que sentem em cima da mota. Relembro que o líder da folha de tempos no segundo dia foi o rookie de 2018, Takaaki Nakagami.
Claro que tanto este como muitos outros, como é o caso de Danilo Petrucci, Jorge Lorenzo e até Franco Morbidelli, que terminou na sexta posição, não são, de todo, definitivos. Apesar disto, é importante realçar que não nos devemos entusiasmar demasiado, principalmente, com o que os rookies estão a fazer. Nenhum piloto está a conduzir no limite como acontece nas provas e, para além disso, cada equipa e cada piloto está a testar coisas diferentes. As verdadeiras condições só serão testadas em março de 2019, altura em que terá lugar a primeira prova do calendário do próximo ano, no Qatar.
Foto de Capa: MotoGP
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro














