A 18 e 19 de Maio realizou-se no Crossódromo Internacional de Águeda mais uma etapa do Campeonato do Mundo de Motocross. A sexta etapa da presente temporada. Para além das classes rainhas, disputaram-se também as classes de WMX (mundial feminino) e EMX2T, classe do Campeonato Europeu. Pelo segundo ano consecutivo o Bola na Rede esteve por lá a acompanhar o melhor do motocross mundial.

No primeiro dia realizaram-se os habituais treinos livres e cronometrados de todas as classes, bem como a corrida 1 das classes MXW e EMX2T e as corridas de qualificação das classes MX2 e MXGP. Um dia de sol em Águeda, mas ventoso, que dificultava as condições para os pilotos, uma vez que, ou a pista estava enlameada (por ser regada pela organização) ou demasiado seca e com bastante pó no ar.

No domingo, segundo dia de competição, realizavam-se as restantes corridas de todas as classes. Com o clima a aquecer e uma casa bastante cheia, inclusive com a presença de muitos fãs estrangeiros (maioritariamente espanhóis), estavam reunidas as condições para um grande dia de corridas.

EMX2T

Classe com competição interessante na qual vários pilotos têm reais possibilidades de vencer corridas. Mike Kras assumiu o primeiro lugar da grelha com 1:48:576 e na corrida a vitória sorriu-lhe também, terminando 6.6 segundos na frente de Todd Kellett e quase a 15 segundos de Youri Van t Ende, terceiro classificado.

Fonte: Rafael Silva/Bola na Rede

Na corrida 2 favoritismo para Mike Kras, que levou mesmo a vitória na corrida e venceu o grande prémio à geral. O pódio da corrida ficou fechado com Brad Anderson em 2.º e Andero Lusbo em terceiro. Na geral do grande prémio a segunda posição lugar foi para Youri Van t Ende (quarto na corrida 2) e o terceiro para Todd Kellett (6.º na corrida).

No campeonato, a classificação é a seguinte:
  1. Mike Kras (NED, KTM), 119 pontos
  2. Brad Anderson (GBR, KTM), 118 pontos
  3. Vaclav Kovar (CZE, GAS), 101 pontos

 

WMX

Nas senhoras, ao longo do primeiro dia, foram sempre as mesmas as protagonistas, embora ao longo das sessões fossem alternando a classificação entre si. Na qualificação é Courtney Duncan que assegura a pole position com 1:52.91, à frente de Larissa Papenmeir (1:53.165) e Nancy Van de Ven (1:53.895). Joana Gonçalves tirou praticamente dois segundos à sua melhor volta, de um treino para o outro, conseguindo qualificar na 19.ª posição.

Joana Gonçalves na classe WMX
Fonte: Rafael Silva/Bola na Rede

A corrida 1 ficou marcada por três quedas, duas delas bastante aparatosas, com as duas pilotos a serem levadas pelos bombeiros para serem prestados os cuidados médicos necessários. Enquanto isso, lá na frente, tudo muito aborrecido. Domínio absoluto de Courtney Duncan, seguida de Papenmeir e Van de Vem. Joana Gonçalves subiu sete posições e terminou numa excelente 12.ª posição.

Na corrida 2 Van de Ven é líder na passagem da curva 1 mas é ultrapassada por Duncan na segunda volta, que nunca mais larga a liderança da corrida e vence o grande prémio de Portugal pelo segundo ano consecutivo. A fechar o pódio da corrida e o pódio do grande prémio ficaram Van de Ven (2.ª classificada) e Papenmeier no último lugar.

Amandine Verstappen, que chegava a Águeda na liderança do campeonato teve um fim de semana para esquecer, ficando-se pelo meio da tabela, enquanto que Joana Gonçalves foi 15.ª classificada na corrida 2.

Courtney Duncan, vencedora da prova feminina
Fonte: Isa Silva/Bola na Rede
Contas feitas, o top 3 do campeonato feminino:
  1. Courtney Duncan (NZL, KAW), 89 pontos
  2. Nancy Van De Ven (NED, YAM), 85 pontos
  3. Larissa Papenmeier (GER, YAM), 82 pontos

 

MX2

Nesta categoria esperava-se uma luta acesa entre Jorge Prado e Thomas Kjer Olsen e foi mais ou menos o que sucedeu ao longo do fim de semana. Treino cronometrado com Jorge Prado a começar melhor mas Olsen a fazer o melhor tempo da sessão (1:47.823) na sua nona volta ao traçado.

Na corrida de qualificação, é Henri Jacoby que sai melhor, na frente dos favoritos, mas ao longo da manga os três trocaram de posição e foi Olsen a qualificar-se na primeira posição, com Jacoby em segundo e Prado no último lugar do pódio. Diogo Graça chegou a rodar em 22.°, terminando a qualificação em 33.°.

Diogo Graça, wild-card na classe MX2
Fonte: Rafael Silva/Bola na Rede

No domingo, corrida 1, holeshot a sorrir a Jorge Prado (que viria a vencer a corrida). Na curva 2 vários pilotos a caírem e outros tantos a ficarem bloqueados pelas quedas, mas a corrida seguia e lá na frente ia Prado, isolado, com Olsen a passar para segundo a três voltas do final e Henri Jacobi que seguia em terceiro a sofrer uma queda, caindo para a sétima posição. A fechar o pódio ficou Jago Geerts. Diogo Graça terminou em 30.º.

Corrida 2 com um surpreendente holeshot do wild card vindo do campeonato europeu, Roan Van de Moosdijk, que viria a ser ultrapassado pelos favoritos da classe. Mitch Evans liderou quatro voltas, até ser ultrapassado por Prado, e mais tarde por Jacobi e a corrida termina com estes três pilotos no pódio pela ordem Prado (1.º), Jacobi (2.º), Evans (3.º). Olsen teve um pequeno infortúnio que o relegou para 10.º, tendo o piloto conseguido terminar a corida em quarto lugar.
Geral do grande prémio ganha por Prado, Olsen a terminar em segundo e Evans a fechar o pódio.

No final, Prado mostrava-se satisfeito com a vitória, afirmando que este é o grande prémio mais próximo do seu país e que estava praticamente a correr em casa, mostrando-se satisfeito com a afluência de fãs espanhóis ao traçado de Águeda.

Jorge Prado, vencedor classe MX2
Fonte: Rafael Silva/Bola na Rede
No campeonato:
    1. Jorge Prado (ESP, KTM), 250 pontos
    2. Thomas Kjer Olsen (DEN, HUS), 247 pontos
    3. Henry Jacobi (GER, KAW), 193 pontos

MXGP

Favoritismo para Antonio Cairoli mas o italiano a ter em Águeda rivais capazes de lhe fazer frente, fazendo mesmo. Nos treinos foi Tim Gajser que liderou e na corrida de qualificação é o próprio que sai na frente e lá se mantém até aos últimos quatro minutos da sessão, momento em que Cairoli assume a liderança da corrida. Sandro Peixe qualificou em 32.º lugar. No final do dia, Cairoli dizia gostar bastante do traçado de Águeda e que tinha feito uma boa qualificação, estando confiante para um bom arranque no segundo dia da competição.

Sandro Peixe, wild-card na classe MXGP
Fonte: Rafael Silva/Bola na Rede

Domingo, dia de corridas, é Cairoli que sai melhor na corrida 1, que ficou marcada por algumas quedas e poucos motivos de interesse lá na frente. Tudo mudava a 8 minutos do fim, quando Gajser assumia a liderança (após Cairoli ter um pequeno imprevisto com a sua mota) e não mais a largava até ao final, terminando na frente do italiano (2.º) e de Arnaud Tonus (terceiro). Sandro Peixe terminou em 30.º.

Na corrida 2 é Desalle quem sai melhor e na frente se aguenta metade da corrida, até ao momento em que Cairoli o ultrapassa e Gajser aproveita a deixa para também ele ultrapassar o belga. Minutos depois Cairoli comete um erro, caindo numa curva e para o quarto lugar da tabela, recuperando mais tarde para a segunda posição, deixando a vitória para Gajser e Arnaud Tonus a fechar o pódio. Sandro Peixe alcançou o 25.º lugar.

Na classificação geral do grande prémio, pódio exatamente igual ao das duas corridas (Gajser, Cairoli, Tonus), com o vencedor a mostrar-se satisfeito e a querer continuar o bom desempenho na etapa seguinte do campeonato.

Tim Gajser, o grande vencedor da prova realizada em Águeda
Fonte: Isa Silva/Bola na Rede
Classificação do campeonato:
  1. Antonio Cairoli (ITA, KTM), 285 pontos
  2. Tim Gajser (SLO, HON), 251 pontos
  3. Gautier Paulin (FRA, YAM), 197 pontos

 

Texto da autoria de Rafael Silva

Foto de Capa: Isa Silva/Bola na Rede

Comentários