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cab desportos motorizados

A temporada 2016 tem tudo para ser melhor que a de 2015, com mais carros de topo e mais nomes conhecidos. Tudo parece correr bem, tirando a divulgação.

A prova começa hoje, dia 4, mas só a 29 saiu uma lista de inscritos ainda não ordenada, apenas os nomes, o que não se compreende, apesar de o problema não ser só do Demoporto – organizador do Serras de Fafe, que abre a temporada – mas também da FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting), que foi prolongando o prazo de inscrições no Campeonato Nacional de Ralis (CNR), o que considero uma falta de respeito para aqueles que se inscreveram a tempo.

Mas a nível de divulgação a coisa não anda muito famosa; não haver uma lista de inscritos não ajuda, mas os próprios organizadores das provas, assim como a FPAK, deixam algo a desejar, talvez devido ao contrato com a Movielight, que faz uns resumos de TV que passam tarde, por vezes mais de um mês depois do fim da prova. No entanto, este ano as imagens vão chegar mais longe, uma vez que a Motors TV vai dar resumos das provas com comentários em inglês. Quanto à rádio, a RFM tem a função da divulgação mas não existem os diretos a acompanhar a prova, algo básico e que continua a não acontecer ao longo do ano.

José Pedro Fontes vai tentar defender o seu título Fonte: André Oliveira
José Pedro Fontes vai tentar defender o seu título
Fonte: André Oliveira

Passando aos carros e pilotos, os R5 chegaram para durar em Portugal (e um pouco por todo o lado) e em Fafe vão estar 14 carros desta categoria, a segunda no mundo dos ralis. José Pedro Fontes continua com o DS3 R5 – com o apoio da Citroen Portugal -, mas um novo, tendo o carro campeão passado para Carlos Martins, que assim trocou o seu Skoda Fabia S2000 por um mais competitivo R5. Ainda com um carro da marca gaulesa vai estar presente Carlos Vieira, piloto que deu boas indicações no final do ano passado.

O Skoda Fabia R5 também vai estar bastante presente em Fafe, desde logo por Pedro Meireles. O campeão nacional de 2014, que fez uma época a meio gás em 2015, regressa a tempo inteiro com o objetivo de ser campeão. Quem também vai estar com o carro da marca checa é Miguel Barbosa. O campeão nacional de Todo o Terreno vai participar no CNR com um carro da marca checa no que será um ano para ganhar experiência, segundo o próprio. Miguel Campos volta a fazer a primeira prova, desta vez de Fabia em vez do 208 T16 da temporada passada, e continua a tentar arranjar apoios para o restante da temporada. Quem também volta para fazer a primeira prova da temporada é o irmão de Pedro Meireles, que o ano passado participou de Fiesta.

Miguel Barbosa pode ser uma das surpresas Fonte: Miguel Barbosa
Miguel Barbosa pode ser uma das surpresas
Fonte: Miguel Barbosa

Para finalizar a família R5, os Ford Fiesta estão em força sendo os mais representados, apesar de ainda algo incerta. Ricardo Moura diz que ainda só tem o Serras de Fafe confirmado, João Barros quer ver o seu andamento antes de confirmar se faz a temporada ou não, fazendo para já apenas as duas primeiras provas. Quem também só tem as duas primeiras provas confirmadas é Ricardo Teodósio, mas neste caso por falta de orçamento – para já – para o ano inteiro, depois de um crowdfunding falhado. Diogo Salvi vai a Fafe com um Fiesta, mas vai mudar para um Fabia provavelmente já na próxima prova, o Rali de Castelo Branco. Elias Barros conduz mais para se divertir do que para os resultados, mas mesmo assim nota-se uma clara evolução no seu ritmo com o Fiesta; ainda da oval azul vai estar Joaquim Alves, apesar de o piloto de Aveiro ir fazer o CNR de Fabia S2000. Para finalizar os pilotos que vão estar de Fiesta R5 falta falar de Fernando Peres, que volta ao escalão máximo depois de alguns anos afastado e a competir em campeonatos secundários.

Da família R5 ficam de fora o Peugeot 208 T16 e o Hyundai i20 R5, ainda que por motivos diferentes. No caso da marca gaulesa nenhum piloto apostou no carro, já no caso da marca coreana o carro ainda não está disponível e a marca já informou que não pretende ter nenhuma equipa oficial em Portugal, ao contrário de outros campeonatos nacionais por esta Europa fora. O facto de só haver uma equipa semi oficial em Portugal prejudica um pouco o campeonato, apesar de não ser essencial esta presença. Se voltasse a existir uma Peugeot Sport Portugal, uma Ford oficial, um assumir da Citroen Portugal, como existia no início deste século, traria logo mais interesse por parte de todos, incluindo das empresas. Este é outro ponto que gostava de destacar: em Espanha vemos a Repsol a patrocinar tudo o que mexe em desportos motorizados; em Portugal, a Galp – com lucros astronómicos em 2015 – quase ignora o desporto automóvel, o que é pena, pois os seus serviços são para carros/motos e não para o futebol, onde apostam mais.

O regresso de Peres vai trazer ainda mais gente às estradas Fonte: André Oliveira
O regresso de Peres vai trazer ainda mais gente às estradas
Fonte: André Oliveira

Voltando a Fafe, a minha aposta para a vitória vai para Ricardo Moura. A lutar pelas duas restantes posições do pódio coloco três nomes: José Pedro Fontes, Fernando Peres e Miguel Campos. Pedro Meireles e João Barros podem meter-se nesta luta, mas caso todos estes pilotos estejam nos seus dias, e os carros também, não deverão conseguir melhor do que lutar pelo quinto lugar. Quanto ao campeonato em si, e tendo em conta os pilotos confirmados para o ano todo, o título tem de ir para José Pedro Fontes, sendo Pedro Meireles e Fernando Peres os seus maiores opositores.

Respondendo à pergunta do título, 2016 tem tudo para ter o melhor CNR de sempre. Esperemos que tal venha mesmo a acontecer; este é o meu desejo: que 2016 seja ainda melhor do que 2015, ou seja, que se tenha de esperar até ao último troço para se saber quem vai ser o campeão nacional e que não existam polémicas com furos e pó como na temporada passada.

Foto de capa: Sports&you

Rodrigo Fernandes
Rodrigo Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O Rodrigo adora desporto desde que se lembra de ser gente. Do Futebol às modalidades ditas amadoras são poucos os desportos de que não gosta. Ele escreve principalmente sobre modalidades, por considerar que merecem ter mais voz. Os Jogos Olímpicos, por ele, eram todos os anos.                                                                                                                                                 O Rodrigo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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