O Vice Campeão Europeu que poucos conhecem – Entrevista a Bruno Magalhães

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BnR: Esta foi a temporada que gostaste mais na tua carreira?

BM: Foi, por tudo o que representou. Desde logo, porque era só para fazer um rali. Depois, fui fazer o primeiro rali, que foi o dos Açores, e ganhámos. Era um rali de terra e já não conduzia neste piso há um ano e meio, nunca pensei ter um nível de competitividade alto; ainda por cima, tinha um carro totalmente desconhecido por mim, o Skoda Fabia R5. O carro ajudou, porque tem potencial e é simples de aprender, por isso, senti-me bem desde o início. Vencer o primeiro rali do Europeu (ERC) foi espectacular e foi um passo importante para o que se passou a seguir, que foi conseguir fazer o campeonato todo.

BnR: Nos Açores, antes do rali, disseste que apenas esperavas terminar e adaptar-te ao carro…

BM: Sim, queria usufruir do rali. Imagina que fazia um troço ou dois e batia, era um desperdício. Agora, claro que quando me senti mais confortável com o carro fui podendo atacar mais e fui ganhando posições. Acabei por vencer o rali com um pouco de sorte, porque o russo [Alexey Lukyanuk] deu um toque; em condições normais não o apanharíamos e ficaria em segundo. Foi um início de época espectacular.

BnR: O que mais gostaste na temporada? Da vitória nos Açores?

BM: Não! Foi uma vitória e uma vitória é sempre especial. Mas deu-me muito mais gozo ir a alguns ralis desconhecidos e, apenas com duas passagens, ser rápido, mostrando o bom trabalho que temos vindo a fazer nos últimos anos, mesmo com algumas paragens pelo meio – no ano e meio ante só tinha feito uma prova – deu frutos. Eu e o Hugo [Magalhães] sabíamos que estávamos a fazer um bom trabalho, mas não tínhamos oportunidades de o mostrar no terreno, e isto foi o que me deu mais gozo. O das Canárias deu-me também um gozo enorme, apesar já lá ter competido há muitos anos. O Rali da Grécia foi totalmente novo para mim, os meus adversários já conheciam, e conseguimos ganhar troços à geral e, no final do primeiro dia, estávamos a menos de 10s do primeiro. No segundo dia, a centralina partiu-se, foi pena…

BnR: E o que gostaste menos?

BM: O ponto negativo foi o Chipre, foi lá que perdemos as hipóteses de ser campeão. Era uma curva que mudava tudo. O Kajetan Kajetanowicz tinha ficado lá e, se eu tivesse passado aquela curva, iria adoptar uma táctica totalmente defensiva e, mesmo que não ganhasse, era segundo, o que me iria dar uma boa vantagem no campeonato e iria criar pressão no Kajetan para as provas seguintes e obrigá-lo a arriscar mais, ficando mais propenso a erros.

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BnR: Como é ser vice campeão europeu depois de teres começado a temporada só com o rali dos Açores confirmado?

BM: A satisfação é enorme, mas já estou a pensar em 2018 e na dificuldade de encontrar apoios para continuar. Não me agarro muito às taças, dão-me satisfação, mas o meu objectivo é sempre fazer mais. Eu não tenho aquela coisa de acabar em grande, eu quero é correr cada vez mais, isto é a minha vida e é o que eu gosto mais.

BnR: Sentiste mais apoio ao longo da temporada, por parte da FPAK e dos portugueses?

BM: Dos portugueses, sim. No início, as pessoas sabiam que era prova a prova e não apoiavam tanto, mas depois, com os ralis a serem feitos e com a liderança do campeonato, sentimos que as pessoas começaram a vestir a camisola e foram apoiando cada vez mais. Percebia que todos estavam cada vez mais mais ligados a nós.

BnR: Os principais pilotos do ERC, em 2017, foste tu, com 37 anos, o Kajto, com 38, e o Lukyanuk, com 36. No entanto, vemos cada vez mais jovens com um grande ritmo desde muito novos…

BM: Antigamente não havia tanto este sonho e não se falava tanto na internacionalização, por isso é que tivemos grandes pilotos que nunca pensaram sequer em internacionalizar-se. De há uns anos para cá é que se começou a falar nisto. O que é que acontece? É que as condições para correr lá fora só chegaram com uma determinada idade. Eu quando comecei a fazer ralis tinha 18 anos e quando comecei a correr lá fora tinha 30. Se compararmos isto com os miúdos de agora, há uma diferença muito grande. Quando corremos em Portugal, vamos cheios de vícios, os reconhecimentos são ilimitados, há uma série de regras que são diferentes do que encontramos lá fora e depois é complicado. Por isso, se os pilotos mais jovens tiverem oportunidade para ir lá para fora mais cedo e habituar-se a estas regras, é uma vantagem para eles.

Francisca Carvalho
Francisca Carvalhohttp://www.bolanarede.pt
Aos 20 anos, a Francisca gosta de dar pontapés na bola, mas evita os pontapés na gramática. É uma confessa adepta do Sporting e grande fã de desporto, em especial futebol e ténis, embora não saiba o suficiente para escrever sobre qualquer um deles.                                                                                                                                                 A Francisca não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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