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Terminou a competição mais longa e dura do todo o terreno mundial. A prova teve lugar na Arábia Saudita, após ter passado por África, Europa e América do Sul. A 42.ª edição deu mais uma mudança drástica na localização do Rally Dakar. Entre a primeira edição, em 1979, até 2007, o roteiro era traçado entre a Europa e a África. A prova acabou por ser cancelada no ano de 2008 e, no ano seguinte, foi transferida para a América do Sul, onde se manteve até 2019. Este ano, o Médio Oriente acolheu a caravana.
A prova foi composta por 12 etapas, teve mais de 7,9 mil km percorridos, ao longo de um terreno desértico. Iniciou-se em Jidá e terminou em Al-Qiddiya, na região da capital, Riade.
Os pilotos foram desafiados pelas paisagens variadas da Arábia Saudita que proporcionou momentos de adrenalina, felicidade, surpresa e alguma tristeza. O maior Rally Raid do mundo escreveu um novo capitulo nos misteriosos desertos que tornaram esta prova tão “acidentada”. Mais uma vez, estivemos perante um Rally Dakar com um grau de dificuldade enormíssimo, não fosse esta uma prova que testa os limites do Homem e das máquinas.
Pudemos observar grandes pilotos que, mais uma vez, demonstraram o seu potencial, a sua resiliência e a sua vontade de vencer. Uma prova intensa para o contentamento dos amantes de desportos motorizados por um lado, uma prova demasiado complexa e perigosa para os mais prudentes.
Fomos presenteados com algumas novidades na competição, sendo importante realçar a estreia de um dos pilotos mais talentosos de todos os tempos, Fernando Alonso (Toyota). Na décima etapa, o piloto não ganhou para o susto, ao capotar nas dunas, mas não sofreu ferimentos e prosseguiu o seu caminho. Na oitava etapa, o seu tempo foi de 03h52m27s, tendo sido a sua melhor prestação. Acabou a competição em 13.º lugar.
A *little* tumble ain’t gonna stop @alo_oficial! 😮💪
Good luck for the rest of the #Dakar2020, Fernando!
🎥 @dakarpic.twitter.com/obJb65K8ra
— Formula 1 (@F1) January 15, 2020
CARROS
Relativamente aos resultados, o vencedor do Rally Dakar nos autos foi Carlos Sainz, em Mini Buggy. Venceu quatro etapas: a terceira, a quinta, a sétima e a décima. Na última etapa terminou na terceira posição. A sua prestação foi constante, tendo-se mantido na ribalta na maior parte das etapas. Sainz venceu a competição pela terceira vez.
O piloto espanhol dominou a prova desde a 3.ª etapa, deixando para trás Nasser Al-Attiyah (Toyota), que ficou na 2.ª posição da geral, e o francês Stéphane Peterhansel (Mini), navegado pelo português Paulo Fiúza, que terminou em 3.º. Fiúza torna-se o primeiro português a subir ao pódio nesta categoria.

Fonte: Dakar Rally
Na 12.ª e última etapa, Carlos Sainz foi o sexto classificado, a 3.56 minutos de Al-Attiyah, que venceu a etapa, resultado suficiente para garantir a vitória final. Nasser Al-Attiyah ficou na segunda posição geral, seis minutos atrás de Sainz. O antigo campeão do mundo de Ralis pela Toyota, Sainz, já venceu o Dakar com a Volkswagen e com a Peugeot. Desta vez, foi com o Mini que arrecadou o troféu.
CAMIÕES
Relativamente aos camiões, a Kamaz mantém-se quase invicta. O #511 de Andrey Karginov, Andrey Mokeev e Igor Leonov venceu a categoria dos camiões do Rally Dakar. A equipa da Kamaz, que tem dominado a categoria dos camiões no Dakar, em 2020 fez a dobradinha com o #516 de Anton Shibalov, Dmitrii Nikitin e Ivan Tatarinov, o que reflete o seu domínio. A Kamaz domina no século XXI e é apenas batida por Iveco, Man e Tatra, cada um com uma vitória.

Fonte: Rally Dakar
O Maz-Sport Auto #503 de Siarhei Viazovich, Pavel Haranin e Anton Zaparoshchanka completou o pódio.
Uma novidade nesta categoria foi o facto de se ter dado um passo para construir uma prova mais “verde”, numa época em que se apela constantemente à proteção do meio ambiente, com a introdução do primeiro camião de corrida híbrido, da Renault Trucks, o Renault Truck C 460.
MOTOS
É o fim do reinado austríaco. A KTM foi derrotada no seu habitat natural. Bem, não foi bem a KTM que foi derrotada, mas sim, uma excelente prova por parte da equipa “portuguesa” da Honda. Liderado por Rúben Faria e com o conselheiro Hélder Rodrigues, Ricky Brabec tornou-se o homem que quebrou o poderio da KTM e tornou-se no primeiro americano a vencer nas motos.
Brabec fez uma segunda semana impecável. Perdeu tempo, sim, e não… Simplesmente geriu o que tinha para gerir. Atrás dele fica Pablo Quintanilla, que leva a Husqvarna ao pódio. Terceira posição para a KTM de Toby Price. O vencedor do ano de 2019 do Rally Dakar, apesar de vitórias em etapas, não pareceu estar muito ligado à ‘corrente’ após o acidente de Paulo Gonçalves, onde foi o primeiro a prestar auxílio.

Fonte: Dakar Rally
Dados interessantes são os da Honda. A última vitória do construtor japonês data de 1989, ou seja, há 31 anos, com Gilles Laley, quando este levou a NRX 750 à vitória.
Já os nossos portugueses levaram a bandeira a bom porto. O capitão da Guarda Nacional Republicana, António Maio, levou a Yamaha até ao 27.º lugar da geral. Já Mário Patrão, o “aguadeiro” da KTM, terminou a prova na 31.º posição da geral.

Fonte: Dakar Rally
QUADS
Nos Quads, já ninguém retirava a vitória a Ignacio Casale, com Enrico e Sonik a completarem o pódio. Pouca história, numa categoria espetacular.
SSV
Nos SSV, a luta pela posição mais alta do pódio acabou por ficar entregue a uma dupla. Tal como nas motos, os Estados Unidos da América saíram vitoriosos na Arábia Saudita, com a dupla Casey Currie e Sean Berriman a levaram de vencidos Sergei Kariakin e Anton Vlasiuk. Francisco ‘Chaleco’ Lopez levou para casa o terceiro lugar, após ceder posições com um atraso de cerca de 50 minutos.

Fonte: Dakar Rally
Assim termina mais uma edição do Rally Dakar, a primeira na Arábia Saudita. É de salientar a boa mudança de ares. A nós parece-nos que voltamos a África. Dunas atrás de dunas. Chorámos e retirámos glórias, neste início de 2020. Em memória do Paulo, fica a primeira vitória da Honda no século XXI, ele que ostentou as cores do construtor japonês. Nos carros, grandes lutas e o nosso Paulo Fiúza, que tanta “crítica” levou do Senhor Dakar, conseguiu subir ao pódio. O primeiro português a fazê-lo na categoria dos autos. Bianchi Prata ficou à beira de tal e os guerreiros das motas portaram-se bem. Que venha o Dakar 2021.
Artigo de Opinião de David Pacheco e Helena Escaleira
Foto de Capa: Dakar Rally
Artigo revisto por Diogo Teixeira














