Já existe uma data para o regresso da Fórmula E às competições e a um modo de terminar a temporada o mais rápido, e seguramente possível. Caso ainda não tenham reparado, há uma pandemia pelo mundo que já infetou milhões e matou centenas de milhares, e que obrigou o mundo a parar, e isso inclui o mundo do desporto motorizado.

Na Fórmula E, vimos apenas cinco corridas antes de nos confinarmos devido à COVID-19, e agora sabemos que vamos ter mais seis no espaço de nove dias, todas elas no circuito de Berlim, como forma rápida e segura de terminar o campeonato.

Já sinto a pergunta: “Mas seis corridas em sequência no mesmo sítio não é aborrecido?” Ao que eu tenho a dizer que não, estamos a falar de três rondas seguidas, duas corridas em dias seguidos, cada ronda em traçados diferentes da pista, o que levando em conta que o circuito fica num aeroporto, facilita a criação de versões diferentes e entusiasmantes do mesmo. A data já está marcada, é 5 e 6, 8 e 9, 12 e 13 de agosto.

Outro fator que irá evitar as corridas aborrecidas é a própria Fórmula E em si. Temos de nos recordar que ao contrário da Fórmula 1, não há lugares reservados na grelha de partida, sendo que o equilíbrio de performance dos monolugares elétricos e a qualificação “invertida” da Fórmula E, promovem uma grelha mais imprevisível.

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Em termos de saúde e segurança, está a ser levada extremamente a sério, não fosse a corrida na Alemanha. Estamos a falar de testes obrigatórios de coronavírus antes das corridas, exames todos os dias após a chegada à pista, o uso de máscaras faciais, distanciamento social e a tentativa de limitar ao máximo o movimento nos espaços de trabalho das equipas e staff, com zonas específicas definidas para os diferentes integrantes da organização e corrida em si.

Olhar para a tabela classificativa coloca um sorriso em qualquer português, o nosso António Félix da Costa (DS Techeetah) encontra-se no topo da mesma, com um total de 67 pontos, 11 de diferença para o segundo classificado, Mitch Evans (Jaguar Racing). Os pilotos da BMW Andretti Alexander Sims e Maximilian Guenther encontram-se em terceiro e quarto lugares respetivamente, mas a mais de 20 pontos de Félix da Costa. O campeão em título Jean-Éric Vergne protagoniza um dos seus tradicionais começos lentos, estando em oitavo, com menos de metade dos pontos do seu colega de equipa e líder de campeonato.

Temos um novo piloto na grelha, com René Rast a substituir Daniel Abt na Audi Sport. O bicampeão de DTM será o novo companheiro de Lucas di Grassi no que resta do campeonato. Para quem não sabe, Daniel Abt “baldou-se” de uma corrida virtual da Fórmula E, colocando um sim racer profissional a correr no seu lugar, a Audi tomou ação e suspendeu o piloto alemão que agora dá lugar a René Rast.

Seis corridas não parece muito para conseguir alterar as classificações, que comparativamente à época anterior são bem mais desequilibradas, mas convém relembrar que estamos a falar de Fórmula E, onde as corridas e os seus resultados são extremamente imprevisíveis. Basta um DNF de Félix da Costa e Mitch Evans, e volta a ficar tudo em aberto. Os BMW eram os carros mais consistentes antes da paragem, e não há nada que nos diga que assim não será, JEV é o bicampeão em título, e já provou por várias ocasiões que a segunda parte da temporada lhe pertence.

Apesar da almofada confortável de 11 pontos, António Félix da Costa tem de estar o mais focado possível. Uma má corrida, um acidente ou uma má qualificação podem deitar o campeonato a perder, e mesmo um campeonato tão atípico, vale a pena vencer.

Foto de Capa: Fórmula E

Artigo revisto por Joana Mendes

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