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O evento desta madrugada de domingo, encabeçado pelos pesos Meio-Médio Demian Maia e Ryan LaFlare, não parece ser muito interessante, à primeira vista. A sua proximidade ao electrizante e, no mínimo, surpreendente UFC 185 prejudica-o mais do que o beneficia. A realidade é que falta um verdadeiro “pay-per-view seller” neste Fight Night, um estatuto que LaFlare vai procurar alcançar ao mesmo tempo que tenta ampliar o seu recorde invicto e assumir-se como um nome a ter em conta na categoria… Mas Demian Maia precisa da vitória para se colocar outra vez no cenário de possíveis pretendentes ao título de Robbie Lawler. O que é que podemos esperar dos combates deste domingo?

Godofredo “Pepey” e Andre Fili têm a árdua tarefa de dar um bom começo ao cartaz principal deste Fight Night. Os pesos Pena têm um recorde de lutas relativamente semelhante (12-3 para “Pepey” e 14-2 para Fili) e ambos procuram ganhar mais destaque numa divisão ao rubro, muito graças a Connor McGregor. Deverá ser um combate interessante; ambos são bastante competentes em todas as áreas de luta, pelo que é difícil dizer qual será o registo em que decorrerá o combate. Godofredo vem de duas vitórias seguidas, Fili vem de uma derrota (contra o número 10 do ranking, Max Holloway) e uma vitória. Apesar do histórico recente de lutas, Fili é o mais provável vencedor desta luta: tem vindo a ser conotado como uma das maiores promessas da categoria e uma vitória contra um “Pepey” em boa forma é capaz de o catapultar para alguns combates mais vistosos. Esperem uma luta renhida.

A segunda luta da noite, entre Gilbert Burns e Alex Oliveira, não aparenta ter muitos cenários nos quais Burns não saia vencedor. Alex Oliveira é um lutador bastante competente, o seu recorde de 10-1-1 comprova-o, mas entrou neste combate em substituição de Josh Thomson, número 9 do ranking de pesos Leves, que se lesionou. A UFC claramente tem grandes expectativas em relação a Burns e demonstrou-o ao originalmente colocá-lo num combate contra um lutador do top 10. Este combate não será mais do que um cumprimento de calendário para Burns; é provável que vença Oliveira sem dificuldades.

Amanda Nunes, número 9 do ranking de Bantamweight, e Shayna Baszler vão opor-se num combate que é mais interessante do que aquilo que aparenta. Nunes vem de uma derrota contra Cat Zingano, número um do ranking de pretendentes ao título de Ronda Rousey e a última a desafiar a campeã pelo título, e Baszler vem de duas derrotas, uma contra Bethe Correia, a próxima a lutar contra Rousey, e a outra contra Alexis Davis (esta ainda em 2013). Trata-se de uma luta de reinserção na relevância da categoria, por assim dizer. Amanda Nunes é, aparentemente, a mais provável vencedora, mas Baszler tem elevadas probabilidades de vencer se a luta se der mais no chão. Nunes, no entanto, é bastante mais forte fisicamente do que Baszler e isso deve fazer-se notar se a luta decorrer em pé. Em virtude da sua posição no ranking, a aposta mais sensata será a de apontar Amanda Nunes como vencedora.

O quarto combate da noite, entre Leonardo Santos e Tony Martin, é, também ele, difícil de prever. Santos, vencedor da segunda temporada do The Ultimate Fighter: Brazil, ainda não perdeu na UFC, pelo que parece pouco provável que isso possa acontecer contra Tony Martin. Este já por duas vezes perdeu dentro do octógono, mas a sua última vitória, contra Fabricio Camões, fez com que não perdesse o estatuto de promessa – tem 25 anos e toda uma carreira pela frente. A luta não será nada fácil para nenhum dos lutadores. No entanto, aos 35 anos, Leonardo Santos parece ser o lutador mais experiente e capaz, e, por isso, é mais fácil apontá-lo como provável vencedor. Esperem um combate onde este tentará manter o controlo da luta.

Koscheck (à esquerda) vai procurar mostrar que ainda tem uma palavra a dizer na UFC, apesar dos seus 37 anos e de 4 derrotas seguidas Fonte: UFC
Koscheck (à esquerda) vai procurar mostrar que ainda tem uma palavra a dizer na UFC, apesar dos seus 37 anos e de 4 derrotas seguidas
Fonte: UFC

O co-evento principal tem como protagonistas Erick Silva e Josh Koscheck. Disse, num artigo relativo ao UFC 184, que o fim da linha tinha chegado para Koscheck, após a derrota contra Jake Ellenberger. De facto, com 37 anos e 4 derrotas seguidas, Koscheck não aparenta ter muito mais para dar. A sua carreira na UFC é algo que não podemos contornar, pelo que seria natural que Koscheck não quisesse continuar a pô-la em causa.

No entanto, este parece querer sacudir as críticas e mostrar que ainda tem uma palavra na categoria. Erick Silva procura a segunda vitória seguida, algo que nunca conseguiu na UFC. Isto é o suficiente para pôr em causa as suas aspirações neste combate – desde 2011 que Silva intercala vitórias com derrotas. Podemos prever que, se Silva não terminar o combate na primeira ronda, irá certamente sair derrotado. As últimas derrotas de Silva deram-se todas para além da primeira ronda. E as suas vitórias? Precisamente: na primeira ronda. A experiência de Koscheck deverá fazer com que este consiga levar este combate para além da ronda inicial, pelo que aí apenas terá que fazer o seu jogo e desgastar Silva, que aparenta ter falta de resistência dentro do octógono.

“Dêem-me uma chance”, disse LaFlare na antevisão a este Fight Night, em resposta às críticas que vinham fazendo ao evento. Na verdade, é nisto que este evento principal consiste: perceber quem é Ryan LaFlare. 31 anos, invicto na UFC com 4 vitórias seguidas, mas lesionado desde Abril passado. O que é que ele tem para dar? O seu adversário, Damien Maia, já faz parte da “prata da casa” – luta na UFC desde 2007 e é um nome forte na categoria de Meio-Médio. No entanto, as derrotas contra Jake Shields e Rory MacDonald roubaram-lhe o estatuto de pretendente. Será que LaFlare vai conseguir afirmar-se como um caso sério ou que Damien Maia vai mostrar um novo fôlego?

Será que LaFlare (na foto) vai conseguir ampliar o seu recorde invicto e mostrar-se como alguém a temer na divisão de pesos Meio-Médio?  Fonte: UFC
Será que LaFlare (na foto) vai conseguir ampliar o seu recorde invicto e mostrar-se como alguém a temer na divisão de pesos Meio-Médio?
Fonte: UFC

Na UFC, La Flare venceu todas as suas lutas por decisão unânime. Sendo este um combate de 25 minutos, podemos esperar um La Flare mais controlador e com cuidado a gerir o tempo, tentando desgastar Maia, que é conhecido por se cansar depressa. No entanto, a experiência de Maia poderá fazer com que este tente terminar o combate nas primeiras rondas, levando a luta para o chão e usando o seu Jiu-Jitsu, que é, sem dúvida, uma das suas maiores armas. É uma luta à qual é difícil atribuir um vencedor: se LaFlare ganhar, será por mais uma decisão; se Maia ganhar, será por submissão, numa das primeiras duas rondas. Está tudo em aberto nesta madrugada de domingo. O UFC Fight Night 62 será transmitido na Sport TV 1, às 2h00.

Foto de Capa: UFC

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