A construção do pavilhão de Gelo em Portugal foi um dos assuntos dos dias recentes, depois do Secretário de Estado do Desporto ter semi-prometido a construção deste para algures nos próximos quatro anos, na zona de Lisboa, o que causou polémica quanto a dois pontos: o financiamento e a localização.

O primeiro – e mais ideológico – prendeu-se com o facto do Secretário de Estado ter avançado que poderia haver contributo de fundos estatais. No entanto, ficou algo sanado com o esclarecimento da Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP) de que o atual plano está traçado para o pavilhão ser construído sem recurso a estes. Será um investimento elevado e difícil, mas a FDIP é provavelmente a mais bem gerida Federação Desportiva do nosso país e, por isso, não é impossível que venha mesmo a avançar nesses moldes.

Já a questão da localização, apesar de se colocar também politicamente quanto ao centralismo lisboeta, pode (e deve) ser analisada de uma perspetiva desportiva e, nesse campo, não me parece que a zona da capital seja a mais adequada para esta valência.

Devemos destacar que existem três grandes vantagens para esta localização:

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  1. A atual seleção nacional de Hóquei no Gelo, que seria a primordial utilizadora do campo aos dias de hoje, é composta maioritariamente por atletas de Lisboa, que assim teriam o seu trabalho facilitado;
  2. Há uma maior proximidade com os meios de comunicação social e com o poder político, o que permitiria ajudar à divulgação e desenvolvimento dos Desportos de Inverno;
  3. Conhecendo a gestão da FDIP, é fácil pensar que o pavilhão poderá também ser usado para fins comerciais, com alugueres temporais deste que serviriam para cobrir custos de manutenção e até dar lucro à Federação para as suas outras atividades e, nesse campo, não há dúvida que é em Lisboa que há maior procura e maior poder de compra para dar lucro.
O segundo lugar na Development Cup 2018 foi o momento alto da seleção nacional de Hóquei no Gelo
Fonte: Portugal Ice Hockey

No entanto, estes não chegam para que se tome a decisão de fazer um investimento de tal ordem. A longo prazo, considero que seria benéfico que estes fossem colocados num local menos centralizado, onde se pudesse criar um cluster de trabalho para os desportos no gelo.

Adicionalmente, ser em Lisboa pode ter o efeito inverso, já que a região está já saturada de espaços, equipas e associações, e a possibilidade de usar o novo pavilhão para realizar eventos internacionais ou receber estágios será mais reduzida dado os mais elevados custos necessários na capital.

Por isso, penso que seria uma melhor escolha fazê-lo noutra zona do país, imitando os casos de sucesso como o Velódromo da Anadia, o Centro de Alto Rendimento de Melgaço ou o trabalho do Hóquei em Campo em Lousada.

Foto de Capa: PeyongChang 2018

artigo revisto por: Ana Ferreira