Publicidade

Mundial de Futebol de Praia: A prestação lusa merece reflexão

Diogo Rodrigues · 5 min

Foto: Seleção Portugal

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Finalizado o desempenho, longe do que era esperado, por parte da seleção das quinas na presente edição do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia, explicitaremos alguns dos condicionalismos que consideramos terem sido motivo de tal prestação. Falaremos do curto trajeto dos comandados de Mário Narciso na prova, bem como dos principais fatores que podem ter levado a tamanho insucesso.

RENOVAÇÃO DO FUTEBOL DE PRAIA, PRECISA-SE!

A seleção de todos nós partia para a Rússia, local escolhido para acolher a 14ª edição do Mundial de Futebol de Praia, ostentando o epíteto de maior favorita ao caneco, visto que era a detentora em título. Contudo, bem se podia falar de uma quase total remodelação na convocatória do técnico Mário Narciso, comandante da nau lusitana, aquando do já referido êxito. Refira-se que havia sido a terceira ocasião em que os patrícios subiam ao topo do mundo na modalidade.

Tanto assim era que o “mago”, Madjer, uma das maiores referências de sempre do futebol de praia, um esteio e capitão exemplar da nossa seleção, era ausência, visto ter posto termo à sua carreira ao mais alto nível. Jordan Santos, “o nazareno” por muitos proclamado como digno sucessor do ex-capitão das quinas, também se viu afastado do certame, devido a uma lesão de gravidade assinalável.

Para terminar o lote de indisponíveis, impedidos de viajar e, assim, darem o seu contributo para uma eventual revalidação, estava o ultra experiente e fiável, principalmente ao nível da recuperação de bola e crucial em tarefas mais defensivas, Rui Coimbra, que viu a participação ser-lhe vedada fruto de uma maldita rutura de ligamentos ocorrida já em vésperas do evento.

Mas esta era mesmo a dura realidade com que teríamos de abordar a competição e ir à luta num elenco que contava com: Elinton Andrade, Bê Martins, Léo Martins, Nuno Belchior e Bruno Torres, os elementos mais tarimbados. Todos os demais eram atletas muito jovens que, apesar do seu valor, pisavam território “virgem”.

A disputa, essa, realizou-se na Arena Luzhniki, em Moscovo, numa área da cidade em que o desporto é rei, contando com: complexos, estádios, ginásios e diversas piscinas. Um local repleto de instalações desportivas e que merece decerto uma visita.

Focando-nos novamente no Mundial de Futebol de Praia, Portugal ficaria alocado no grupo D, agrupamento que contava igualmente com as presenças de Omã, Senegal e Uruguai. Ou seja, não obstante as baixas, possuíamos estatuto de favoritos a seguir para a próxima fase, e na primeira posição. Havia apenas que o confirmar.

A ação principiava para os representantes lusitanos e as indicações não eram as mais abonatórias, apesar do triunfo diante dos asiáticos por 5-3. A exibição estava longe de agradável: muitos erros, quer a defender, como a atacar, muitas hesitações e, mais que tudo, um nervosismo indisfarçável, que poderia ter saído caro, isto não tivesse sido a pouca perceção de jogo, denotada pela formação adversária, a qual pecou, principalmente, na leitura dos diferentes momentos do embate, bem como no fraco aproveitamento de algumas falhas, diga-se, inadmissíveis dos campeões em título. Mas o fundamental estava assegurado, uma vitória na estreia que se esperava que fosse um enorme catalisador para o que se seguiria.

Contudo, o sucesso não seria bom augúrio para o restante Mundial de Futebol de Praia, visto que somaríamos dois inesperados fracassos. Primeiro, “tombando” aos pés de um Senegal aguerrido, batalhador, muito físico e sempre mais astuto, que soube explorar as nossas debilidades, acabando por nos superar por 3-5, numa partida em que conseguimos a “proeza” de consentir duas finalizações certeiras, dispondo de superioridade numérica e desperdiçando uma vantagem de dois tentos.

Assim ia pairando uma nuvem escura que parecia condenar os portugueses a algo que parece já ser sina: sofrer até ao fim. Mas ao contrário do que ultimamente tem sido apanágio, desta feita sairíamos a “chorar” e “morrer na praia”.

Diga-se que Nuno Belchior, o mais aclamado de todos os atletas à disposição do corpo técnico nacional de Futebol de Praia, havia contraído uma lesão no joelho que o colocava fora de combate para aquela que seria uma verdadeira final ou, como alguém dizia, um verdadeiro “mata-mata”. Isto para além de Elinton Andrade, admoestado com uma cartolina vermelha diante do Senegal, ter de ceder o seu lugar ao bracarense Pedro Mano, que deste modo cumpriria a sua primeira internacionalização como titular num mundial da especialidade.

A partida até começava bem, com Léo Martins por duas vezes a fazer o gosto ao pé. A defesa era o nosso grande calcanhar de Aquiles. Falhando em demasia, concedendo veleidades, que iam sendo, ainda que não em pleno, aproveitadas pelos uruguaios.

O duelo, na minha opinião o mais emocionante da fase de grupos do mundial de futebol de praia, ia assistindo a mudanças de ascendente quase constantes, sendo que os de terras de Cabral iam estando por mais ocasiões em vantagem, mas nem por isso a patentearem maior tranquilidade, nem na posse nem na circulação da redondinha.

O duelo, impróprio para cardíacos, finalizaria da forma que nenhum patrício quereria, com a vitória sul-americana e, por conseguinte, com o afastamento das quinas do Mundial de Futebol de Praia. O primeiro desde 2007 antes dos quartos de final.

No entanto, parece-me necessário e premente compreender alguns dos fatores que podem ter originado este resultado, que ficou muito aquém do desejável e expectável.

Primeiramente, as várias ausências que, por muito que se possam desvalorizar e indicar como fator inócuo, creio serem motivo capaz de influenciar o rendimento de uma seleção ou equipa. Até porque falamos dos atletas que teriam mais minutos na areia da praia russa.

Em segundo lugar, acredito que muitos dos “novatos”, Rúben Brilhante, Pedro Mano, Miguel Pintado ou Fábio Costa acusaram, e de que forma, um momento de tanta solenidade, em que é necessário demonstrar condição suprema, não estando em causa o seu valor e competência.

O terceiro vetor que me parece que possa ter influído no resultado da aventura moscovita prende-se com o facto de que, devido à pandemia, os atletas estiveram praticamente uma temporada sem competir ativamente, sendo que tal quebra veio afetar o seu ciclo de preparação. Algo que poderá ter consequências, tanto física quanto psicologicamente.

Assim, desejamos as maiores felicidades a todos os nossos “guerreiros”, fazendo votos que futuramente se consigam voltar a focar, esperando que conjuntamente com futuros talentos possam voltar a erguer bem alto a nossa bandeira no Futebol de Praia.

Foto de Capa: Seleção Portugal 

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.