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A Praia da Baía encheu para assistir ao primeiro dia do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. No programa desta quinta feira acabou por não haver nenhuma surpresa, com Itália, Portugal, Argentina e Suíça a levarem a melhor nos seus confrontos de estreia.

Relativamente à seleção portuguesa, claramente é caso para dizer que o resultado foi bem melhor do que a exibição. Mesmo contando com o fator público a seu favor, a verdade é que a equipa de Mário Narciso não fez um jogo de encher o olho. O nervosismo pela estreia numa competição deste género sentiu-se, e a coesão defensiva japonesa ao longo de todo o encontro – com Ozu Moreira em destaque – acabou por levar a um menor rendimento da seleção portuguesa. Ainda assim, a equipa anfitriã da competição começou bem a partida, com o capitão Madjer, na sequência de um livre direto, a apontar o primeiro golo de Portugal no Mundial e o único marcado no primeiro período. O segundo acabou por trazer uma seleção mais afoita e rápida na procura pelo golo, muito em virtude da ação de Bê Martins, uma das principais surpresas na seleção nacional. Foi mesmo do jogador do Sp. Braga que saiu o segundo golo de Portugal, depois de um erro do guarda redes japonês. Aos 21 minutos da partida, Madjer, com um excelente remate de pé esquerdo, fez o terceiro golo de partida. Na altura, o Estádio, repleto de adeptos portugueses, pensava que o mais difícil estava feito e que a partida estava totalmente controlada. Esse acabou por ser um erro, pois o Japão reagiu bem e conseguiu reduzir a desvantagem até ao 3-2, fruto dos golos de Haraguchi e Matsuo. O espectro do empate ainda pairou sobre a Baía mas, aos 34 minutos, Alan Cavalcanti acabou por terminar com as dúvidas ao apontar, de pé esquerdo, o golo mais bonito da partida. O 4-2 foi o resultado final de uma exibição descolorida da seleção mas que acabou por conseguir os serviços mínimos, conseguindo os primeiros três pontos no Grupo A do Mundial.

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Madjer apontou dois golos na vitória de Portugal
Fonte: fifa.com

No jogo de abertura do Mundial, Itália e Costa Rica defrontam-se naquele que foi o duelo mais desequilibrado do primeiro dia de competição. Liderados por um magnífico Gabriele Gori, que apontou três dos seis golos italianos, a seleção comandada por Massimiliano Esposito foi sempre melhor ao longo do jogo e raramente deu oportunidades à Costa Rica de se mostrar. Por isso, não foi de estranhar que, apesar dos costa-riquenhos ainda terem chegado ao empate no primeiro tempo por intermédio de Pacheco, os transalpinos tenham dominado sempre as operações. Sem nunca forçar demasiado o ritmo e procurando sempre um gestão equilibrada do plantel, os italianos foram alargando a vantagem com o hat-trick de Gori, o bis de Zurlo e o autogolo de Villegas, chegando a uma vitória natural por 6-1, que lhe permitiu alcançar a liderança do grupo B, com os mesmos pontos da Suíça.

O jogo mais interessante da tarde acabou por ser o Argentina – Senegal. As duas seleções mostraram muita agressividade ao longo do jogo, mesmo que a pontaria não tenha sido a melhor na maioria das vezes. Ainda assim, o marcador foi aberto logo aos cinco minutos por Ibrahima Baldé, depois de uma bela jogada coletiva senegalesa. Os argentinos, teóricos favoritos a acompanharem Portugal rumo aos quartos de final no Grupo A, reagiram à desvantagem e acabaram por chegar até ao 4-1, fruto dos golos de Franceschini, Federico Hilaire, Luciano Sirico e Facundo Menici. Apesar da vantagem confortável, os albicelestes nunca souberam controlar verdadeiramente a partida, em virtude da excelente réplica que os senegaleses foram dando ao longo da partida. Mais forte fisicamente, a equipa africana foi tendo em Fall e Baldé as suas principais referências no jogo ofensivo. O Senegal acabou mesmo por fazer dois golos, reduzindo o marcador para 4-3 já no último minuto da partida, depois dos golos de Baldé (bisou na partida) e Papa Ndour. Apesar da derrota frente aos argentinos, a equipa do Senegal acabou por ser a surpresa do primeiro dia de competição, em virtude da agradável exibição que mostrou aos milhares de adeptos em Espinho. No próximo sábado, Senegal vs. Portugal e Argentina vs. Japão são os encontros de uma segunda jornada que poderá ser decisiva para definir os dois apurados deste grupo para os quartos de final.

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Argentina e Senegal deram um excelente espetáculo
Fonte: Facebook Fifa Beach Soccer World Cup
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No último jogo do dia, a Suíça não teve dificuldades em bater o Omã por 5-2, numa partida em que o helvético Noel Ott – um dos melhores jogadores da atualidade – esteve em destaque, ao apontar três dos cinco golos da sua equipa. A equipa suíça cedo mostrou o seu favoritismo logo no primeiro período, marcando três golos e apenas permitindo uma ligeira reação do Omã, que por intermédio de Abdullah chegou a empatar o jogo a um golo. Ainda assim, o 3-1 com que terminou o primeiro tempo era resultado suficiente para que a Suíça se tenha apresentado no segundo período de forma mais tranquila, o que lhe permitiu elevar os níveis de qualidade apresentados. Neste período, a equipa capitaneada por Mo Yaeggy apontou os seus outros dois golos, com Ott a chegar ao hat- trick e Leu a colocar igualmente o seu nome no registo dos marcadores deste campeonato do Mundo de Futebol de Praia. No terceiro e derradeiro período, os suíços rodaram a equipa, baixaram o ritmo e permitiram ao Omã, que pouco fez ao longo do jogo, chegar ao segundo golo, por intermédio de Orami. Com a vitória no primeiro jogo, a Suíça chegou ao segundo lugar do Grupo B, com os mesmos três pontos da seleção italiana mas com uma diferença menor entre golos marcados e sofridos. Na segunda jornada deste grupo, também a ser disputada no próximo sábado, Omã e Itália defrontam-se às 13h, enquanto às 17h30 é a vez de a Suíça encontrar a Costa Rica.

 

Figuras do Dia: Gori e Ott – Foram, sem sombra de dúvidas, as grandes figuras do primeiro dia de competição, ao apontarem três golos cada um. Gori e Ott não defraudaram as expetativas relativamente ao seu valor. São, indiscutivelmente, dois dos melhores jogadores da atualidade e, nesta quinta feira, foram totalmente decisivos para as vitórias de Itália e Suíça.

Fora de Jogo: Stankovic e Belchior – Num jogo da Suíça, não ter um único golo de Stankovic para registo é algo insólito. No caso português, com Belchior, o caso não muda muito de figura. Ainda assim, esses são registos que, depois dos jogos que cada um fez, não são de estranhar, tal foi a apatia com que ambos estiveram no areal da Baía, em Espinho. Dotados de uma qualidade inegável, exige-se mais de duas das maiores figuras da modalidade.

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