A CRÓNICA: O PROLONGAMENTO EFICAZ POR PARTE DOS CAZAQUES

Era por território croata que a primeira equipa portuguesa entrava em ação. O SL Benfica defrontava, pela segunda vez consecutiva na competição, o AFC Kairat. Digamos que os cazaques deviam ter pesadelos quando aparecia a bandeira portuguesa, visto que a última vez que os encarnados jogaram contra esta formação e também porque o Sporting CP acabou por ser campeão europeu em Almaty. Jogo complicado, muito dividido e que confirmámos ao ver os primeiros minutos.

Apesar de muitas oportunidades, os golos só apareceram a faltar menos de cinco minutos para o final. Primeiro, foi Gadeia a receber o ouro do bandido e impor a “injustiça” no marcador. Contudo, a recuperação do brasileiro foi fundamental para Fernandinho progredir e oferecê-la novamente ao número 13 para este marcar.

De imediato, houve resposta encarnada. Uma boa jogada coletiva de Henmi, Jacaré e Afonso Jesus a mostrar que o Benfica estava vivo no jogo e também a demonstrar que Joel Rocha devia aproveitar mais a utilização de um pivô de costas para a baliza. Uma primeira parte intensa (até em faltas) que foi para o intervalo com empate a um.

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Mantinha-se tudo igual à primeira parte. É certo que o Kairat tinha entrado melhor, mas foi mais um erro defensivo encarnado (este também podia ser considerado ofensivo), agora de Fábio Cecílio, que deu nova prenda ao Kairat. Edson muito bem a recuperar a bola em zona proibida e havia nova vantagem injusta para os cazaques. A vantagem parecia um mar de rosas e o grande problema é que Higuita teve uma “paragem”, como se diz de forma informal, e recebeu um vermelho direto por agressão a Chishkala.

O SL Benfica ficava em vantagem durante dois minutos e o máximo que conseguiu produzir desta situação de vantagem foi: uma bola ao poste de Tayebi e uma jogada perigosa de Tiago Brito. Mas este último estava predestinado a, pelo menos, empatar e se a bola caía nos pés do português mais uma vez iria haver golo. Dito e certo. Empate a dois. Henmi teve nos pés, a menos dois minutos do fim, de fechar esta eliminatória, mas a bola não quis entrar. O poste e depois um jogador do Kairat não permitiu que tal acontecesse.

A eficácia é algo que não é apenas só sorte e o Kairat foi à procura dela e de conseguir ficar em vantagem no prolongamento. A 25 segundos do final da primeira parte, Tursagulov rematou e Roncaglio ficou muito mal na fotografia (3-2). Depois do terceiro golo sofrido pelo SL Benfica, tudo descambou. Arthur fez a sexta falta e Gadeia não desperdiçou. Fernandinho e Orasov acabaram por marcar após dois contra-ataques (6-2).

A caminhada do SL Benfica na UEFA Futsal Champions League termina de forma abrupta e depois de um jogo interessante. Porém, todos os minutos contam e a segunda parte do prolongamento foi lastimável juntamente com a tentativa de cinco para quatro – que tem sido muito mal trabalhado sempre. O AFC Kairat passa à próxima fase e espera adversário do confronto entre FC Barcelona e KMN Dobovec

 

A FIGURA

 

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Gadeia – Dois golos e foi muito importante, principalmente na primeira parte. Foi um grande reforço vindo do Inter Movistar FS e, agora, continua num nível altíssimo para tentar cumprir o sonho do AFC Kairat de conseguir vencer de novo um troféu europeu. É um jogador de qualidade mundial e deixou toda a sua experiência em campo para ajudar nesta vitória frente ao SL Benfica.

O FORA DE JOGO

Higuita – Podia até estar a fazer uma boa exibição com as suas defesas, mas uma situação destas não pode ficar impune – e não ficou. Uma agressão desnecessária por parte do guarda-redes naturalizado cazaque e que podia ter tido consequências bem piores para o seu colega de profissão. Já tinha acontecido uma situação semelhante na primeira parte e com a experiência que tem não devia acontecer.

 

ANÁLISE TÁTICA – AFC KAIRAT

Os cazaques, liderados por Kaká, apostaram numa defesa em losango a dez/doze metros, O grande objetivo do Kairat era defender à zona e sem grande pressão no meio-campo adversário e, desta forma, conseguir cobrir uma área maior. A nível ofensivo tentava sair em ataque rápido ou aproveitar as falhas de construção do Benfica, principalmente as saídas mais subidas de Roncaglio. Os cazaques estavam com grande dificuldade em construir jogo e só se consolidavam no lado encarnado através de livres ou da subida de Higuita, que estava a ser muito bem condicionada.

A segunda parte mostrou um Kairat muito mais pragmático na altura de sair a jogar, lançando muito mais para o pivô ou o ala mais subido. A pressão era muito mais alta e obrigavam os encarnados a falhar mais – com grande sucesso. Um prolongamento onde foi muito mais eficaz, visto que baixou as linhas e aproveitava todos os erros que os encarnados acabaram por fazer.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Higuita (1)

Gadeia (8)

Douglas Junior (6)

Orazov (6)

Fernandinho (4)

SUBS UTILIZADOS

Serikov (7)

Humberto (5)

Nurgozhin (5)

Edson (6)

Rangel (5)

Akbalikov (5)

Yesenamanov (5)

Diego Favero (5)

Tursagulov (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Os encarnados apostaram no início do jogo num 4-0 sem pivô, onde havia três jogadores desse cinco inicial a passar por esta zona que é habitualmente de Jacaré ou Fits. Só com as trocas de equipa é que os dois últimos nomes referidos tiveram oportunidade de desequilibrar e muito mais o número 18 encarnado. A defesa do SL Benfica vinha a estar com grande qualidade sem deixar que Higuita saísse a jogar e também com uma pressão alta e individual que não deixava, na maioria das vezes, os cazaques instalarem-se no meio-campo contrário.

Apesar de o Benfica rematar mais, a opção de Joel Rocha de insistir em 4-0 em jogos com este tipo de intensidade não resultam e não tem resultado, a não ser remates exteriores que normalmente tinham a defesa de Higuita como certo.

A segunda parte trouxe mais dificuldades em conseguir construir de uma forma mais calma como tinha feito na primeira. A defesa do Kairat pouco ajudava o Benfica a conseguir criar perigo. Os erros defensivos forçados, e por vezes não forçados, acabaram muito se tornar uma constante muito pela tentativa de jogar um para um ou de construir sem cobertura de um jogador na posição de fixo. Já no prolongamento a tentativa de cinco para quatro foi completamente falhada, algo que já vem sendo caraterística habitual na equipa de Joel Rocha.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diego Roncaglio (6)

Afonso Jesus (6)

Robinho (6)

Ivan Chishkala (6)

Tayebi (5)

SUBS UTILIZADOS

Silvestre Ferreira (5)

Fábio Cecílio (4)

Tiago Brito (6)

Arthur (4)

Rafael Henmi (4)

Nilson (-)

Jacaré (5)

Fits (4)

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