A CRÓNICA: EIS, O CAMPEÃO MERECIDO CAMPEÃO EUROPEU E O DAS BOLAS PARADAS

A história não estava do lado da equipa portuguesa, mas o passado passou e o Sporting CP estava pronto para mostrar que isso pouco contava. Pela frente, havia um todo poderoso FC Barcelona que, há muito pouco tempo, tinha sido coroado campeão europeu de Futsal na sua própria casa. Agora, o enredo tinha um novo cenário. Em Zadar, na Croácia, os leões queriam transformar o pavilhão num selva e dizer «aqui, quem manda é o leão!».

Contudo, era os culés quem queriam a quadra para si e pintar tudo com as cores da Catalunha. É difícil dizer se há justiça ou não no Desporto, principalmente no Futebol e Futsal, mas um golo madrugador é sempre um duro golpe. Marcênio anulou por completo o passe que tinha como destino o pivô leonino e avançou sem oposição. O trabalho foi feito todo sozinho (como se de um trabalho de grupo da faculdade se tratasse) e bateu Guitta. Um três para dois onde o meio ficou completamente aberto e muito por culpa das decisões defensivas dos leões.

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Apesar das diversas oportunidades, não havia uma eficácia a 100% para ninguém e muito por culpa de Didac Plana e Guitta. Uma coisa é certa: golos de contra-ataque pouco tinha acontecido e esperava-se uma final igual. Podemos dar já o spoiler… É mentira, pois, os dois golos do Barça foram dessa forma. Ximbinha nem tinha muitos minutos, mas quando entrou foi uma chave inglesa. Guitta bem tentou fechar o ângulo o máximo possível, mas acabou por ser batido por debaixo das pernas.

Ao intervalo, havia vantagem culé, mas talvez um bocado de injustiça face àquilo que o Sporting produziu no jogo. Não havia golos leoninos devido à grande eficácia de Didac Plana. Uma situação que não aconteceu na segunda parte, pelo menos no início.

Em dois erros defensivos e um grande aproveitamento por parte dos leões. Primeiro, foi Merlim a começar a jogada. A bola acabou por chegar a Tomás Paçó, que encontrou Zicky do outro lado completamente sozinho. O jovem pivô português recebeu com um pé e rematou com outro para dar outro ânimo aos leões. Depois, foi novamente uma bola parada (que tanta importância tem tido nesta final eight) e Erick a marcar de cabeça para igualar tudo a dois!

Depois de um grande trabalho de Zicky, houve falta muito perigosa e soaram os alarmes. Taynan assumiu a responsabilidade para rematar, fê-lo e, apesar da defesa de Plana, bola surgiu como um pote de ouro na linha de golo. João Matos estava no sítio certo à hora certa para apenas encostar e fazer a “remontada”.

O Barcelona teve de apostar no cinco para quatro e já sabemos que nestas situações o risco é elevado. Erick esteve novamente na defesa, roubou a bola, driblou todos e a redondinha não queria entrar, batendo no poste. Mas Pany Varela vinha como uma autêntica flecha para fuzilar a baliza do Barça e era o 2-4! Porém, o cinco para quatro culé ia funcionar minutos depois e Ferrão reduzia para um a desvantagem.

Mas de nada valeu esse golo, porque realmente o Sporting CP tornou-se, pela segunda vez na história, campeão europeu de Futsal! Uma segunda parte incrível por parte dos leões que transformaram os erros da primeira em aprendizagem e num título europeu. Parabéns aos leões pela final eight que realizaram! Afinal, em Zadar quem manda é mesmo o leão. Não é como começa… É como acaba!

 

A FIGURA

2.ª parte leonina – Não é que a primeira parte tenha sido má, porque realmente não foi. Didac Plana esteve irrepreensível, mas Nuno Dias fez magia na sua equipa e os jogadores fizeram aquilo que foi realmente pedido. Uma remontada que não se faz todos os dias e sinceramente foi das melhores prestações que já vi no Futsal. A eficácia esteve lá e foi aquilo que faltou nos primeiros 20 minutos deste jogo.

O FORA DE JOGO

FC Barcelona – Pensaram que o Sporting estava dominado pelos bons primeiros 20 minutos, mas o Futsal não é assim. No geral, o Desporto não é assim. São momentos que decidem jogos e vitórias. Por isso, é que recebem esta distinção pela negativa. Entram de uma forma irreconhecível e acabaram eles dominados pelo leão. Uma segunda parte que não dignificou nem o nome de um clube histórico nem o de campeão europeu em título.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

A nível defensivo, o Barcelona a estar mais alerta para aquilo que o Sporting podia fazer e os jogadores estavam posicionados mais à zona e a cerca de um a dois metros de distância de quem defendem. Porém, cada um jogador estava a marcar um jogador que parecia estar pré-designado.

Ofensivamente, os culés variavam entre uma construção em 1-3 (por vezes 3-1) e 2-2 em quadrado. Muito jogo passava pelo pivô Ferrão e este depois distribuía o jogo para as alas ou de novo para o mesmo jogador que estava a construir. Outro aspeto ofensivo, era sempre que o jogo começava nas mãos de Didac Plana a solução, na grande maioria das vezes, era para um jogador alto para cabecear para a baliza de Guitta. Uma tentativa de surpreender e aproveitar a debilidade do guarda-redes leonino com bolas pelos ares.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro e tudo aquilo que tinha conseguido anulado na primeira parte não o fez na segunda. Uma equipa irreconhecível.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Didac Plana (7)

Aicardo (5)

Dyego (5)

Ferrão (6)

Marcênio (6)

SUBS UTILIZADOS

André Coelho (6)

Daniel Shiraishi (5)

Adolfo (5)

Esquerdinha (5)

Joselito (5)

Povill (5)

Ximbinha (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Os leões comandados por Nuno Dias a apostarem numa construção a partir de trás com três jogadores em linhas em que o jogador que estava no meio estava solto de marcação para enganar o adversário. Porém, esta situação, apesar de ser normal, estava a ser muito dificultada por parte do Barcelona. O jogo não chegava ao pivô com bola corrida e havia dificuldade de estar nos últimos dez metros, sem utilizar Guitta como solução.

A nível defensivo, o Sporting mostrava alguma ansiedade nos duelos com os jogadores culés. Com uma defesa mais agressiva, os leões tinham muitos problemas, visto que os jogadores adversários procuravam sempre ganhar uma das alas. Assim, que sentiam alguém nas costas viravam imediatamente os atletas do Barça. O processo defensivo estava a ficar problemática, sobretudo devido ao facto de ter sofrido muito cedo um golo.

A segunda parte mostrou uma eficácia de outro nível e também uma aposta mais de jogar pelas alas, visto que pelo meio não estava a resultar. As bolas paradas voltaram a funcionar de uma maneira impressionante e, certamente, isto foi um pormenor muito trabalhado ao longo da preparação para esta final eight.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Guitta (7)

Erick (7)

João Matos (6)

Alex Merlim (5)

Pauleta (5)

SUBS UTILIZADOS

Tomás Paçó (6)

Zicky (8)

Taynan (6)

Rocha (5)

Cavinato (5)

Pany Varela (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Num jogo em que batias uma marca importante, marcas o golo que faz a “remontada” na partida. Antes de entrar na quadra pensavas que irias marcar este golo e o que este momento passou para toda a equipa?

João Matos: Nunca iria pensar em marcar um golo tão decisivo e ainda por cima o da remontada. As minhas características não são essas e tinha a noção que o meu papel era outro. Era o de ser um jogador mais defensivo e também de ser mais coletivo. Participei num golo e ainda por cima foi aquele que passou a equipa para a frente [3-2]. Foi claramente a par dos outros golos muito importantes e decisivos. Nunca senti algo como senti neste três jogos da final eight. De jogar em equipa, de tudo. Temos uma garra tremenda. Não foi o João Matos que teve na remontada, foi toda a equipa que esteve naquele momento. Sei que sou muito repetitivo no meu discurso, mas é mesmo isto que eu sinto. Foi a equipa.

BnR: O Sporting CP tinha os três adversários mais complicados pela frente e, na grande maioria das vezes, foi superior durante os jogos. Como é que foi a preparação para esta final eight se tentaram trabalhar mais as situações da própria equipa ao invés de se focarem no adversário? E já agora se as bolas paradas foi o aspeto que mais trabalharam?

Nuno Dias: Primeiro, deixa-me discordar da tua afirmação, porque o Sporting não foi sempre superior às restantes equipas. Houve momentos em que foi melhor e outros que não foi. Acho que ninguém é muito superior a este nível e mostrámos uma grande personalidade para unir a equipa quando não estávamos tão bem nas partidas. Confesso que aquilo que trabalhámos foi para o KPRF [a equipa russa]. Foi uma semana e meia, em que tivemos outros jogos para a Liga, mas com todo o respeito nós tínhamos esta competição em mete. Mas dedicámos muito tempo à análise da equipa russa, porque daí para a frente não sabíamos quem iriamos enfrentamos. Por isso, preparámos muito bem o jogo com os russos e em relação ao Inter Movistar FS e à final [frente ao Barcelona] foi mexer em alguns aspetos, principalmente no cinco para quatro e também nas bolas paradas. Numa competição em que há pouco tempo entre jogos não há tempo para preparar tudo. Tivemos de preparar bem o quartos de final e depois quando passámos foi só conseguimos trabalha uma unidade de treino e trocarmos alguns aspetos no jogo.

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