A CRÓNICA: O TÍPICO DE DEIXARMOS SEMPRE TUDO PARA A ÚLTIMA… 

Com a vitória da Finlândia, Portugal estava mais do que obrigado a vencer se queria estar presente na Lituânia. Os portugueses entraram fortes e impuseram um jogo se sentido único para a baliza de Mammarella. O guarda-redes italiano, que já tinha sido carrasco em outros tempos, também ele começou a partida em grande plano, mas não foi suficiente.

Após uma reposição inteligente de Ricardinho para Bruno Coelho no outro lado. O número oito de Portugal tocou para Fábio Cecílio, que estava sozinho à espera da bola. Essa chegou e meteu a bola por cima de Mammarella para o primeiro de Portugal no jogo (0-1).

O segundo não tardou a chegar e foi um belo golo. Novamente depois de um fora, Pany Varela tirou do caminho Canal e no cara a cara com Mammarella não desperdiçou a oportunidade (2-0). Mas que grande golo este… valeu pelo bilhete mesmo. Foi assim que recolheram as três equipas para os balneários com um resultado muito favorável a Portugal, mas não podia haver relaxamento.

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A segunda parte não houve aquilo que muitos recearam e já tinha acontecido tantas vezes nesta Ronda de Elite. Portugal manteve a sua postura, para felicidade dos presentes no pavilhão, e a Itália continuava com dificuldades para chegar à baliza de André Sousa. Os transalpinos apostaram em Romano a guarda-redes avançado e se estava em maus lençóis… acabou ainda pior, pois Merlim acabou por ser expulso.

Ricardinho foi quem matou as contas da partida para se respirar tranquilamente. Com a Itália em inferioridade numérica, Portugal construiu uma grande jogada coletiva para Bruno Coelho assistir o número dez português. O capitão da seleção, Ricardinho, ainda conseguiu roubar a bola aos italianos e marcar novo golo: um bis importante para matar o jogo. Romano ainda reduziu para 1-4, após um livre irrepreensível e com uma bola indefensável para Edu, que tinha acabado de entrar nos minutos finais.

Portugal marca presença no campeonato do Mundo na Lituânia em 2020, onde já tem a companhia da Rússia no que toca aos apurados europeus. Notícia triste será mesmo a última participação numa competição internacional por parte de Ricardinho, que acabou por revelar após o término do jogo. No Grupo A, a Finlândia fica com o segundo lugar e espera agora para saber qual é o seu adversário e a Itália com a derrota fica em terceiro e volta a ficar de fora do Mundial, 20 anos depois.

A FIGURA

Fonte: UEFA

André Sousa – Podia estar aqui tanto Fábio Cecílio, que protagonizou uma bela primeira parte, como Mammarella, que quase foi um carrasco novamente, mas, felizmente, não foi. Quem diria? Mais um grande jogo do guarda-redes da seleção das Quinas e esteve em grande plano em todas as vezes que foi chamado para defender. Ainda está aqui para as curvas. Se foi uma das grandes figuras do Europeu de 2018, pode voltar a ser agora no Mundial 2020? Esperemos que sim…

O FORA DE JOGO

Fonte: FPF

Itália – Já não se via uma Itália assim em tão baixa forma há imenso tempo. Desde 2000 que os transalpinos não falhavam o campeonato do Mundo de Futsal e parece que 20 anos depois não vão estar novamente lá presentes. Um jogo em que oportunidades relevantes só na segunda parte e mesmo assim muito ficou para fazer com a qualidade que esta equipa tinha.

ANÁLISE TÁTICA – ITÁLIA

Os transalpinos a jogarem mais na expetativa e com um bloco baixo numa marcação homem a homem que não deixava de todo os jogadores portugueses estarem soltos de marcação. Bloquear os principais desequilibradores portugueses, fechar bem a baliza com Mammarella e marcar golos, seria esta a tática italiana.

Com dois golos sofridos, a Itália teve de começar a avançar no terreno para reverter um resultado que a metia fora do Mundial. O problema é que não havia mostras de os ataques italianos se superiorizarem à defensiva portuguesa. A grande referência seria Alex Merlim, mas também havia muito a ser jogado para os pivôs. Mas com o número dez condicionado foi uma baixa importante para os transalpinos. Aposta no 5×4 era mais do que provável, mas não deu em nada por causa do excelente posicionamento tático português.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Mammarella (7)

Ercolessi (6)

Murilo (6)

Alex Merlim (7)

Canal (4)

SUBS UTILIZADOS

Romano (5)

Musumeci (5)

De Luca (4)

Marcelo (6)

De Oliveira (6)

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Muitas dificuldades em conseguir jogar sem pivô, mas tem sido um habitual na cultura tática portuguesa. Mas quando Portugal jogava com Cardinal entrava a história era totalmente diferente e seria muito por aqui que apostava a seleção nacional – se bem que Cecílio também tomou conta do recado. A aposta também em jogadores mais móveis e jogadas mais rápidas de uma ala para a outra estavam a ser muito utilizados. As bolas paradas foram bem estudadas e estavam a sair da melhor maneira.

A seleção das Quinas estavam a saber fazer bem aquilo que era preciso para acalmar o jogo e estar a controlá-lo: a circular muito bem a bola e não importava quem estava em campo. No último terço faltava o que faltou em todos os outros jogos que era saber finalizar as oportunidades que estavam a ser criadas. A sorte portuguesa é que Itália não foi produtiva. De destacar bem a organização coesa na altura de defender o 5×4 italiano e mesmo quando a bola entrava de algum modo no centro estava lá André Sousa.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

André Sousa (8)

Cardinal (6)

Bruno Coelho (7)

João Matos (7)

Ricardinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Edu (-)

André Coelho (5)

Nilson (4)

Fábio Cecílio (8)

Pedro Cary (5)

Pany Varela (7)

Tiago Brito (6)

Miguel Ângelo (4)

Foto de Capa: FPF

artigo revisto por: Ana Ferreira