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O Futsal leonino é neste momento o melhor refúgio de alegria para qualquer Sportinguista. A preponderância da equipa é indiscutível, o seu historial esmagador. Há quem considere tratar-se do melhor plantel da história do clube e, subjectividades à parte, não podemos andar muito longe disso. Depois a estrutura: elemento mítico. Sente-se bem a solidez da estrutura da modalidade, tão essencial para a manutenção deste ciclo hegemónico. A caracterização da pirâmide fecha-se com a figura chave deste projecto.

Despertou para a alta competição aos comandos do Instituto D. João V e o seu trabalho valeu-lhe uma passagem pela Rússia, integrando a equipa técnica do CSKA. Mais tarde, em 2012, iniciava a primeira de todas as épocas que já soma enquanto Treinador da equipa de Futsal do Sporting. E a síntese não podia ser mais esclarecedora: em cinco épocas, Nuno Dias ajudou a equipa Leonina a conquistar por quatro vezes o campeonato Nacional, acrescentando mais algumas Taças ao Palmarés. Mas distribua-se a justiça. A dimensão deste sucesso também dependeu da qualidade dos jogadores que têm estado ao serviço do Sporting. Mas há algo realmente genial na representação de Nuno Dias, que vai fazendo de si um Treinador completo e que ultrapassa o patamar da análise técnica.

Nuno Dias tem sido sinónimo de títulos no Sporting Fonte: Sporting Clube de Portugal - Futsal
Nuno Dias tem sido sinónimo de títulos no Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Futsal

Acima de tudo falo da postura. É neste ponto ético que identifico a grande vantagem de ter um Treinador como este. Nos momentos de derrota, que, embora não sendo muitos, sempre vão aparecendo, não lhe encontramos no discurso grandes culpabilizações alheias. E depois há a forma. O jeito de explicar as coisas e que as vão tornando mais verdadeiras. Um exemplo recente: no último play-off que ditou a vitória no campeonato, a equipa do Sporting perdia 2-0 em Braga. Na sua primeira pausa técnica, e perante a perigosidade do resultado, Nuno Dias perguntou apenas uma coisa aos seus jogadores: “vamos jogar?”. Isto mesmo. Como se durante aqueles minutos de jogo o Sporting não tivesse ido a jogo. E não é fácil fugir dos ânimos e arrefecer a eloquência num momento como aqueles. Eu, como adepto, fiquei orgulhoso e pensei que aquele discurso minimalista foi um hino à psicologia desportiva.

Quase no final deste texto retenho outra ideia. A de que talvez seja fácil demais falar bem quando as coisas desportivamente também correm bem. Mas o importante é ter um Treinador destes junto à linha de jogo e um exemplo único dentro da nossa própria casa.

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Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal