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Ainda um pouco na ressaca do Euro 2014, que redundou mais uma vez numa eliminação demasiado precoce da competição, na ótica do adepto da Seleção Nacional que está sedento de grandes feitos e conquistas: conforme comentado na altura, o desaire diante da formação da Itália, nas meias-finais, foi decidido em “pequenos detalhes”. Ora bem, é nisto mesmo que eu me quero focar: falhamos sempre nas grandes competições devido a “pequenos detalhes”, em jogos muito equilibrados, que podem cair para qualquer lado, mas que, para infortúnio nosso, são vencidos pelos nossos rivais.

Não querendo encher o leitor de resultados e factos, aqui deixo alguns tópicos sobre aquilo que tem sido a prestação da equipa lusitana ao logo das 11 competições, respetivamente quatro campeonatos do Mundo e sete Europeus.

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As prestações em campeonatos da Europa não têm sido historicamente brilhantes: apesar de termos alcançado a final em 2010, na Hungria, o saldo de todos os jogos realizados é negativo. Por outras palavras, ou, neste caso, números, em 27 jogos apenas contamos com nove vitórias, acrescidas de sete empates e 11 derrotas. Em sete participações, por três vezes não lográmos passar sequer a fase de grupos inicial, coincidentes com as três primeiras presenças (1999, 2003 e 2005). De resto, uma eliminação nos quartos de final em 2012, aos pés da nossa mais recente “besta negra”, a Itália (3-1 para os transalpinos). Em 2007, em solo português, e este ano, na Bélgica, quedámo-nos pela 4ª posição, cedendo nas meias-finais perante Espanha e (mais uma vez) Itália. De referir que, em ambas as ocasiões, não fomos felizes também no jogo de apuramento do 3º lugar, perdendo a medalha de bronze para Rússia e Espanha, outra equipa que não nos traz boas recordações. O ponto alto do futsal luso aconteceu em 2010, na cidade húngara de Debrecen.

Este caminho merece, por várias razões, ser comentado com mais algum detalhe. Uma fase de grupos inicial muito modesta da nossa parte, sem qualquer vitória registada. Um empate alcançado já no último minuto do jogo com a Bielorrússia (5-5) e uma derrota pesada frente à Espanha (1-6) não deixavam antever nada de bom para o nosso lado. Valeu-nos a preciosa ajuda de “nuestros hermanos”, que, no primeiro jogo do grupo, cilindraram a formação de Leste, por pesados 9-1. Passado este cabo das tormentas, encontrámos a Sérvia, nos quartos de final. Apesar de ter surpreendido a Rússia na fase preliminar (venceu 4-3), foi incapaz de travar uma turma portuguesa competente e aguerrida, que venceu tranquilamente (5-1). Seguiu-se o Azerbaijão, uma seleção imprevisível, que nos levou à marca de grandes penalidades, após um 3-3 registado no final do prolongamento. Conseguimos passar e encontrámos o nosso pior pesadelo no que diz respeito a este tipo de competições. Posso ter induzido o leitor em erro, ao destacar a Itália no início do artigo, mas, neste caso, falo da Espanha. Equilibrámos mais os parciais (2-4), mas não foi dessa que Portugal conseguiu levar o título para casa. Foi, então, a nossa oportunidade mais flagrante de conquistar um troféu, até aos dias de hoje.

Equipa presente na final do Euro 2010  Fonte: Artedofutsal.blogspot.com
Equipa presente na final do Euro 2010
Fonte: Artedofutsal.blogspot.com

Falando agora da competição mais importante a nível mundial, o campeonato do Mundo, Portugal apresenta um saldo bem mais positivo no que diz respeito à diferença entre vitórias e derrotas. Ao cabo de 23 jogos, distribuídos por quatro presenças, vencemos 13, empatámos dois e perdemos oito.

A grande diferença em relação ao Europeu é que nunca na nossa história atingimos a final. No entanto, é também seguro dizer que apenas por uma ocasião nos ficámos pela fase inicial. A melhor prestação de sempre ocorreu, curiosamente, na estreia. Em 2000, na Guatemala, os jogadores portugueses arrecadaram uma medalha de bronze, que é, até então, o maior motivo de destaque nesta competição. Nesta edição, a equipa das quinas encontrou um adversário temível por duas ocasiões, que não deu motivos nenhuns aos jogadores nacionais para sorrirem. Logo na primeira fase de grupos, uma derrota por 4-0, que, no entanto, não impediu o apuramento português. Quando os jogos assumiram um carácter decisivo, isto é, nas meias-finais, o Brasil tornou a aparecer no caminho. Apesar das excelentes relações existentes entre os dois países, a “canarinha” não teve dó nem piedade, aplicando “chapa 8” aos guerreiros lusitanos, que ainda foram a tempo de resgatar uma medalha. No encontro de atribuição do 3º lugar, Portugal venceu por 4-2 a Rússia.

Nas três presenças que se seguiram (2004, 2008 e 2012), Portugal não passou dos quartos de final. Em 2004, em Taiwan, a equipa nacional não passou da segunda fase de grupos, sendo afastada por (como não poderia deixar de ser) Itália e Espanha. Em 2008, num grupo de cinco equipas em que apenas os dois líderes se apuravam, Portugal ficou na 3ª posição, atrás de Paraguai e Itália, vendo-se desde logo afastada da discussão do título. Na última competição mundial, em 2012, na Tailândia, não foi possível passar dos quartos de final, cedendo mais uma vez diante da Itália, após prolongamento (4-3, tendo a equipa portuguesa estado a vencer por 3-0 no tempo regulamentar).

Equipa presente no Mundial de 2012, na Tailândia Fonte: Visãodemercado.blogspot.com
Equipa presente no Mundial de 2012, na Tailândia
Fonte: Visão de Mercado

Todo este cenário prova que Portugal está entre a elite do futsal mundial, disso não há a mínima dúvida (o 5º lugar no ranking da FIFA assim o prova). No entanto, além das quatro formações que se encontram à frente da formação lusa (Brasil, Espanha, Itália e Rússia), falta um título de renome mundial para confirmar esse estatuto adquirido ao longo do tempo. Resta-nos agora esperar mais dois anos, desta feita pelo Mundial 2016 (Colômbia), para ver se é nessa altura que o tão esperado e ansiado título surge, já que o futsal português bem merece e exige.