A CRÓNICA: “HÚNGAROS”, O APERITIVO FINAL ANTES DE MINSK

Depois da outra equipa portuguesa, o Sporting CP, ter confirmado a passagem à final eight da UEFA Futsal Champions League, estava na hora de o SL Benfica mostrar serviço também na Europa. Da Hungria, vinha o MVFC Berettyóújfalu, que já tinha passado duas eliminatórias para aqui chegar. Em teoria, os encarnados eram os grandes favoritos, mas já sabemos que isso, na quadra, pouco ou nada conta.

Para este jogo, vamos iniciar a confeção de uma bolacha “húngaro”. Piada fácil? Talvez. Mas a verdade é que os comandados de Joel Rocha começaram logo a abrir a conta com Robinho a ser o protagonista. Subida de Roncaglio no campo, e em cinco para quatro o guarda-redes brasileiro a solicitar Fits, que só deve com um toque simples dar ao ala russo. Era o 1-0 fácil demais e que dava a segurança necessária para encarar o jogo de outra forma. Começava já uma bolacha a ser aquecida. Mas como já sabemos que uma é desperdício de gás teve de existir mais.

Quatro minutos depois, lá foi mais outra para o tabuleiro e foi Roncaglio a ser protagonista novamente e só mudar os restantes jogadores. Agora, foi a vez de Jacaré receber e rodar para depois aparecer Nilson ao segundo poste para encostar para o 2-0. Duas jogadas bem construídas por quem realmente sabe. Para o intervalo fomos com este resultado e com o domínio absoluto dos encarnados, os «pasteleiros» de serviço.

Depois de uma surpresa no início com a equipa húngara a apostar em cinco para quatro, a normalidade voltou à nossa “pastelaria”, quer dizer… à quadra. O mesmo movimento e a mesma jogada obrigaram as redes de Mezei a abanar novamente. Seguindo a nossa analogia, no forno estava para aquecer mais uma bolacha “húngaro”. Nova jogada bem construída de cinco para quatro, com Roncaglio a funcionar quase como ala. A bola chegou aos pés de Fits, que acabou por dar para Chishkala para nova bolacha no forno (3-0).

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O tabuleiro estava a compor-se e, à entrada para dez minutos finais da partida, nova bolacha confecionada de forma exímia e pronta a ir ao forno. A “massa” foi preparada de um canto, Arthur amassou bem com um remate, mas Jacaré quis dar o toque final – talvez, com uma decoração final – para terminar a confeção da quarta bolacha.

Há quem diga que de longe também não se faz bolachas, neste caso golos. Mas Fábio Cecílio provou que essa afirmação estava errada, pois, fez tudo sozinho e de bem longe (ainda no seu meio-campo). Estavam cinco bolachas já no nosso tabuleiro, que ficava agora mais composto. Mais uma vez, a funcionar muito bem a defesa encarnada e, desta vez, a dar mesmo um golo.

Caminhávamos para o final e já sentia um cheiro agradável a bolachas e também a final eight. Enfim, sabemos que as restrições no que diz respeito a voos estão muito limitadas, mas o SL Benfica já pensou em todos os imprevistos e como em Abril está tudo “OK” marcou viagem para essa altura. A capital bielorrussa, Minsk, já espera pelos «pasteleiros» encarnados que dominaram muito bem este jogo frente aos húngaros. Tal como os portugueses desejavam, teremos dois clubes portugueses nos melhores oito da UEFA Futsal Champions League.

 

A FIGURA

SL Benfica Roncaglio
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Diego Roncaglio – Teve um papel fundamental em conseguir abrir o jogo e encontrar buracos na defesa húngara como guarda-redes avançado. Hoje, a sua função não foi propriamente defender, à exceção de um remate travado já na segunda parte, mas teve preocupado em distribuir jogo, como tão bem faz. Os passes para os pivôs foram importantes para que estes de costas da baliza encontrarem jogadores para marcar. Contudo, destacar também o grande trabalho tanto de Fits como de Jacaré!

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

MVFC Berettyóújfalu – Não havia muitos argumentos da equipa húngara contra uma das potências do Futsal europeu. Com pouco para oferecer ao jogo, e também muito por culpa dos encarnados, não houve assim grandes momentos para destacar desta viagem tão longa da Hungria até à ponta ocidental da Europa.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Joel Rocha a analisar muito bem este adversário e sabendo que ia existir muito espaço e paciência para construir jogo no lado do adversário a apostar muito na subida do Roncaglio. O cinco para quatro, uma das grandes armas do Benfica com Roncaglio em campo, foi muito bem aproveitado, sobretudo, com o aproveitamento dos pivôs, Jacaré e Fits.

Os encarnados não tiveram grandes problemas a nível defensivo, pois a sua organização no momento de defender era muito elevada. A pressão alta na quadra combinada com a posse de bola em quase todos os momentos de jogos deram a possibilidade de ter um jogo mais calmo e controlado por Joel Rocha. Notava-se que as águias queriam mandar e fazer com que os húngaros corressem e “cheirassem” a bola ao invés do contrário. Na segunda parte, a ideia de jogo continuou muito semelhante, mas mais concretizadora.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diego Roncaglio (8)

Afonso Jesus (5)

Robinho (6)

Ivan Chishkala (5)

Fits (7)

SUBS UTILIZADOS

Silvestre (5)

Fábio Cecílio (5)

Tiago Brito (5)

Arthur (6)

Nilson (6)

Jacaré (8)

 

ANÁLISE TÁTICA – MVFC BERETTYÓÚJFALU

Os húngaros vieram a Lisboa  com poucas armas para conseguir tirar um bom resultado de regresso ao país de origem. A defender perto dos últimos dez metros numa alternância entre um 3-1 com quase uma linha reta entre os três últimos jogadores e com um 1-2-1 com os dois alas em quadrado. Porém, a mostrarem grande preocupação sempre que o pivô encarnado estava de costas para a baliza, caindo sempre dois jogadores em cima do jogador.

A nível ofensivo, a equipa húngara não conseguia ter um processo equilibrado e com cabeça, tronco e membros. A pressão alta dos encarnados obrigava os jogadores húngaros a errarem muito facilmente os passes tanto curtos como longos. Nos primeiros 20 minutos de jogo, não houve qualquer remate à baliza de Roncaglio que foi um mero espetador.

A segunda parte trouxe uma equipa húngara bem atrevida com a aposta num cinco para quatro para que pudessem estar mais perto da baliza defendida por Roncaglio. Ainda assim, eram muitas as dificuldades para conseguir jogar nos últimos dez metros, ainda assim uma ação ousada por parte do Berettyóújfalu. Ainda assim, neste estilo de jogo apenas um remate foi feito e com a intervenção de pronto do guarda-redes brasileiro do Benfica.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dávid Mezei (6)

Szabó Peter (5)

Sid (5)

István Szatmári (5)

Rafael Silva (5)

SUBS UTILIZADOS

Nobert Horváth (5)

Diece (7)

Tibor Rézmuves (5)

Imre Nagy (5)

Robin Sipos (5)

István Szatmári (5)

Zoltán Takács (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

BnR: Roncaglio esteve muito bem quando foi solicitado no cinco para quatro e os pivôs, Jacaré e Fits, tiveram a igual nível depois na receção do passe e a jogar de costas para a baliza. Sabendo que a equipa húngara iria jogar na zona dos dez metros foram estes os aspetos mais trabalhados esta semana?

Joel Rocha: É um dos momentos que o nosso jogo tem, mas gostaria também de chamar à atenção para o momento defensivo que o SL Benfica teve. Se na primeira parte cometemos três faltas e na segunda uma, o Benfica não permitiu finalizações do adversário. Nem sequer permitimos que o adversário tivesse a bola no seu pé no nosso meio-campo defensivo mais de cinco a seis segundos. A não ser na situação de cinco contra quatro, mas até aí fomos absolutamente extraordinários, não só organização como da superação.

Além da beleza dos golos marcados e dos seus intervenientes, a mim compete-me também destacar a superação e a solidariedade defensiva que todos os atletas empregaram no jogo e que não deixaram o nosso adversário jogar, pensar, aproximar-se sequer da nossa baliza e isso é muito meritório. Esse é também um momento do jogo, assim como o Diego a subir, como há as situações de um contra um, as de bola parada. Temos um jogos rico e completo que quando estamos totalmente focados e com uma abordagem correta somos obviamente uma equipa muito forte.

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