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Na jaula do Leão, o Benfica voltou a ser campeão nacional de futsal ao fim de quatro jogos. Os encarnados venceram nas grandes penalidades o Sporting, conquistando a terceira partida nesta final. Com muita polémica, Jefferson concretizou o penálti decisivo, mas o herói foi mesmo Juanjo, com uma exibição sensacional.

O Sporting estava obrigado a vencer o jogo para não ver o seu rival vencer em sua casa e entrou mais forte, a pressionar logo à saída da área do Benfica e a evitar que as águias controlassem os minutos iniciais dos jogos, como sucedeu nas outras três partidas da final. Ora, esse ímpeto inicial iria dar frutos de imediato. Primeiro, Diogo ameaçou com um remate ao lado, mas na oportunidade seguinte, e apenas com dois minutos e 10 segundos decorridos, iria inaugurar o marcador.

Alex ganhou a disputa de bola com Gonçalo Alves, e isolou Miguel Ângelo, que na cara de Juanjo permitiu a defesa para a frente do regressado guarda-redes espanhol (cumpriu um jogo de castigo no jogo 3). Neste momento surge Diogo, que atira para a baliza; Juanjo volta a defender, mas à terceira foi de vez. O camisola 8 dos Leões voltou a ganhar a bola no meio de dois jogadores do Benfica e entrou com a bola pela baliza dentro. Foi o golo 24 de Diogo esta época.

Depois do golo do Sporting, o Benfica ficou mais perigoso, embora com muito jogo direto, com Juanjo a lançar inúmeras bolas e Alessandro Patias a ser o mais inconformado. O encontro estava muito dividido, com inúmeras oportunidades de golo e, ainda antes de estarem 10 minutos corridos, Marcelinho e Patias iriam enviar bolas aos postes. Primeiro o jogador leonino depois de um excelente passe de Alex e, em seguida, Patias a libertar-se de Djo com classe e a fazer abanar a baliza.

Diogo e Ré foram duas das grandes figuras do jogo 4 e de toda a final Fonte: Facebook de Sport Lisboa e Benfica - Modalidades
Diogo e Ré foram duas das grandes figuras do jogo 4 e de toda a final
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Intensidade máxima, os guarda-redes a brilharem e a fazerem desesperar os jogadores. Alex falhou o 2-0 depois de se libertar da marcação e atirar para boa defesa de Juanjo, e Ré isolado fez André Sousa brilhar mais uma vez. No minuto final da primeira parte, houve três lances consecutivos que não deixaram os adeptos sentar-se nas cadeiras. Primeiro as águias, numa saída rápida com Patias a fintar Pedro Cary e a soltar em Hemni, descaído para o lado direito, que atirou para mais uma defesa. No contra ataque Alex volta a ameaçar, e o guarda-redes espanhol superiorizou-se novamente. Deu canto, que o Benfica interceptou, e Hemni conduziu mais um ataque que ele próprio finalizou, para André Sousa voltar a brilhar.

O intervalo chegou e, se os adeptos estavam satisfeitos, mal podiam esperar pela entusiasmante e fantástica segunda parte. Nos primeiros dois minutos, Patias ameaçou três vezes o golo, mas seria o Sporting a aumentar a vantagem. Num livre quase frontal à baliza, Diogo simulou o remate e Pedro Cary assistiu Caio Japa, que estava descaído para o lado esquerdo e bateu Juanjo pela segunda vez. Depois de dois minutos e meio loucos com muitas oportunidades, os leões davam uma pancada forte no Benfica e parecia que depois disto o Sporting iria para a goleada.

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Joel Rocha venceu o campeonato e a Taça na época de estreia pelos encarnados
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Engano total: o conjunto de Joel Rocha reagiu logo a seguir e fez o 2-1 por Xande, um jogador pouco utilizado nesta final. Bruno Coelho recuperou a bola no meio-campo e criou uma situação de 2 para 1, com Xande contra Marcelinho, e entregou ao seu colega, que reduziu, num remate rasteiro e cruzado.

Os leões não abalaram e criaram uma série de situações que poderiam ter “matado” o jogo. Marcelinho, Fábio Lima, Alex e Djo tentaram bater Juanjo, mas sempre sem efeito! Por duas vezes o poste impediu também o golo.

E como quem não marca sofre, o Benfica iria empatar a partida. A equipa de Nuno Dias acusou tantas perdidas e perdeu o controlo do jogo. Nesta fase, Ré e Patias foram os protagonistas. À entrada dos últimos cinco minutos, o primeiro, a passe do segundo, isolou-se e proporcionou a André Sousa a defesa da tarde. Logo a seguir, em mais um lançamento longo de Juanjo, Patias desviou para a baliza e o internacional português voltou a evitar, desta vez em cima da linha, o tento da igualdade.

Todavia não iria demorar muito a que este chegasse. Ré tabelou com um companheiro, em velocidade ultrapassou Djo, que o derrubou, quando este ficou na cara de André Sousa, descaído para o lado esquerdo. Amarelo para o defensor, mas o lance exigia o vermelho ao camisola 7 dos leões.

No livre, Alessandro Patias cobrou-o de forma exímia, fazendo a bola entrar junto ao poste esquerdo do guardião sportinguista. A três minutos e 43 segundos do fim, o jogo estava empatado e até ao final apenas o livre de Diogo à figura de Juanjo causou perigo.

Que segunda parte fantástica, um hino ao futsal e um jogo que deveria ser gravado em DVD e oferecido a todos os que estão a iniciar-se na modalidade para aprenderem com os melhores ou àqueles que dizem que o Futsal em Portugal perdeu qualidade.

Cristiano foi uma das figuras da final Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica - Modalidades
Cristiano foi uma das figuras da final
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

E, se no prolongamento, as equipas costumam ter mais medo de perder do que de ganhar, este foi exceção. O Sporting justificou mais golos na primeira parte do prolongamento com mais duas bolas aos ferros e mais algumas brilhantes defesas de Juanjo. Na segunda parte, o Benfica entrou mais ofensivo, criou mais perigo e André Sousa foi determinante. Nuno Dias mexeu, arriscou no 5 para 4, com Alex a fazer de guarda-redes, e mostrou que não queria os penáltis. Não resultou, e tudo foi decidido na marca da grande penalidade.

Uma série de três penáltis para cada equipa, que ficou marcada por muita polémica devido ao posicionamento do guardião leonino, que se adiantou constantemente da linha de golo. Mas já lá vamos!

Djo foi o primeiro e acertou com estrondo na barra, iniciando a série da pior maneira. Patias assumiu no Benfica e fez o 0-1. Seguiu-se Diogo (o melhor jogador de campo do Sporting), que converteu de forma perfeita o seu. Bruno Coelho não tremeu e voltou a pôr o Benfica a liderar. 1-2, e pressão toda em Fábio Aguiar pois, se falhasse, o título era do Benfica, mas o jogador sportinguista não desperdiçou. 2-2, e penálti decisivo para Xande.

O brasileiro partiu para a bola, André Sousa deu uns passos à frente, e defendeu. Delírio dos adeptos na bancada, mas por poucos segundos: o árbitro mandou repetir e isto despoletou muitos protestos. Nuno Dias era o rosto dessa revolta. Certo é que André Sousa se adiantou e o árbitro tinha tomado a decisão certa.

Xande ia preparar-se para repetir, mas os adeptos do Sporting não concordavam e atiravam objetos para a quadra. Os árbitros mudaram de baliza, o que provocou ainda mais confusão nas bancadas. Muito tempo depois, Xande parte para a bola e… volta a falhar! André Sousa adiantou-se de novo, os árbitros nada fizeram e o Benfica desperdiçava a hipótese de título.

Euforia na bancada, que Fábio Lima não aproveitou. Defesa de Juanjo, que voltava a dar Championship point às aguias. Jefferson olhou para André, correu para a bola e falhou, com o internacional português a voltar a adiantar-se. Os árbitros voltam a mandar repetir, o filme do penálti anterior repete-se, mas nada a fazer. Jefferson iria voltar a tentar e à segunda não perdoou, entregando a taça ao Benfica, que voltou a ser campeão nacional de futsal.

Uma final ganha pelos encarnados, mas que acabou da pior forma, justificada pelos ânimos exaltados e os nervos à flor da pele que se viveram neste jogo 4. Independentemente do vencedor, é importante sobretudo dar os parabéns a estas duas excelentes equipas pelos fantásticos jogos que nos ofereceram. Que pena não haver mais jogos, porque o futsal sairia a ganhar.

Parabéns aos campeões, parabéns aos dignos vencidos e que as férias passem depressa para voltarmos a ter espetáculos desta dimensão.

A Figura:

Juanjo – O guarda-redes espanhol esteve formidável, com uma sequência de defesas espantosas que mantiveram sempre o Benfica na rota do título. Foi um grande reforço e um dos melhores do campeonato. Muito da vitória de hoje se deve a ele! Nas penalidades ainda defendeu o de Fábio Lima, que permitiu a Jefferson converter o decisivo.

O Fora-de-jogo:

Os árbitros – Difícil escolher alguém para destacar negativamente nesta partida, mas a escolha recaiu sobre a arbitragem. Apesar de terem estado muito bem na confusão das grandes penalidades, durante o jogo tiveram várias decisões erradas, muita benevolência em algumas faltas duras, perdoando a expulsão a João Matos numa entrada duríssima sobre Ré, e uma má decisão ao só amarelar Djo, quando agarrou o mesmo Ré, que seguia isolado, só com André Sousa pela frente.

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

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