A CRÓNICA: O JOGO FOI GANHO ANTES MESMO DE SER JOGADO

Um ponto separava as duas equipas no campeonato de Futsal e este era um jogo que valia muito mais do que a liderança para a jornada 18, pois valia aqui (quase de certeza) a vantagem de jogar em casa na Final. Antes do início do dérbi, prestou-se uma homenagem a Alfredo Ratão, fundador e primeiro treinador de Futsal do Sporting CP.

A partida estava intensa e muito disputada pelas duas formações. Mais era o Sporting CP que estava mais forte no jogo com uma pressão muito alta sob o SL Benfica. A pressão resultou e aos oito minutos Taynan da Silva abriu o marcador no Pavilhão João Rocha, após um belo passe de Alex. O segundo golo não demorou muito, visto que a pressão também não cessava. Nova recuperação numa zona muito subida por Léo e depois só foi preciso Pauleta encostar a bola para a baliza e fazer o 2-0, resultado que foi assim para ao intervalo.

A partida continuou com um ritmo elevadíssimo ou não estávamos nós a falar de um jogo que ditava a liderança no campeonato. As oportunidades iam surgindo de parte a parte, mas nas baliza estavam, possivelmente, os dois melhores guarda-redes portugueses que iam mostrando serviço.

A aposta em 5×4 por parte do SL Benfica a cinco minutos do fim não deu em nada, pois a equipa continuava sem ideias e não conseguia criar nenhum tipo de perigo para a baliza defendida por Gonçalo Portugal. Um jogo mau por parte do SL Benfica e um verdadeiro festival tático por parte de Nuno Dias e também desta equipa do Sporting CP. A vitória por 2-0 do Sporting CP dá a liderança isolada do campeonato com 46 pontos, enquanto que os encarnados continuam com os mesmos 44 pontos, mas no segundo lugar.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nuno Dias – Com quatro ausências de peso, a estratégia do treinador leonino foram aposta certa para o jogo de hoje que valeu ao Sporting CP a possibilidade de liderar o campeonato. É verdade que são os jogadores que jogam e ganham os jogos, mas este jogo foi ganho muito antes de começar com a estratégia montada por Nuno Dias. A pressão alta constante sob o SL Benfica e também encontrou dois cincos base que lhe permitiram estabilidade tanto a atacar como a defender.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Eficácia do SL Benfica – Oportunidades não faltaram aos comandados de Joel Rocha, mas a pontaria não esteve de toda afinada. Sem um homem completamente virado para o ataque, ficou muito complicado para o SL Benfica conseguir avança no terreno que só conseguiu mesmo fazê-lo no cinco para quatro e mesmo assim de nada resultou porque pouco ou nada deu à equipa encarnada.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

À partida para esta dérbi, houve ausências de peso por causa das seleções: Guitta e Rocha não marcaram presença por ainda estarem a representar a seleção brasileira. E o pior chegou também com a lesão de Merlim, possivelmente o melhor jogador leonino, devido a lesão na Elite Round com a Itália e Cardinal devido a suspensão. Zicky teve a sua oportunidade nos seniores logo com SL Benfica. Era um jogo à partida que Nuno Dias tinha de se reinventar.

Pressão alta que estava a funcionar e obrigava o SL Benfica a ter de construir muito em baixo e rapidamente perderia a bola. Foi muito assim que surgiu o primeiro golo e também o segundo. Os cincos que estavam em campo eram muito equilibrados e quando se encontrava alguma falha em campo havia sempre Gonçalo Portugal para salvar.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Gonçalo Portugal (9)

Cavinato (5)

Pany Varela (7)

Léo (5)

Pauleta (7)

SUBS UTILIZADOS

Taynan (7)

Tomás Paçó (5)

Erick (6)

João Matos (5)

Deo (5)

Alex (7)

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Tal como o Benfica, houve baixas de peso também do lado do encarnado. Roncaglio e Fits, dois dos habituais titulares, não puderam dar o seu contributo por estarem na seleção do Brasil também. Ausências que foram colmatadas com a entrada de André Sousa e a posição de pivô ocupada a espaços por Fernandinho e também Fábio Cecílio.

Grandes dificuldades de construção. Apesar de conseguirem estar a sair de pressão, mas nem sempre com muita eficácia, sobretudo, quando se despacha a bola para a frente. Não houve ideias neste jogo e houve uma grande dificuldade para conseguir construir jogo, fosse a partir de trás fosse já numa fase adiantada. Nota-se que a equipa sente falta de um pivô, mas também não se vê qualquer tipo de mudança quanto a esta lacuna.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

André Sousa (7)

Chaguinha (5)

André Coelho (6)

Robinho (6)

Fernandinho (5)

SUBS UTILIZADOS

Fábio Cecílio (5)

Tiago Brito (5)

Bruno Coelho (4)

Rafael Henmi (5)

Miguel Ângelo (5)

Fernando Drasler (3)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Sem os habituais desequilibradores (Alex Merlim e Cardinal), acredita que a grande estratégia para este jogo passou por uma pressão alta a condicionar a construção do SL Benfica? Consegue-nos dizer se a lesão do Alex Merlim é grave?

Nuno Dias: «Esta a ser tratado e tem uma lesão na coxa e não queríamos estragar uma época por causa do jogo. Queremos que ele jogue muitos jogos e não que jogue dois ou três e acabe com a época dele.

A nossa estratégia passava muito por alternar em pressão alta e baixar as linhas também. Claro que houve mérito do SL Benfica e tivemos muitas vezes de baixar. Mas sim deu para perceber que condicionámos o SL Benfica e houve também conseguimos que fizessem erros defensivos. Tenho de destacar a exibição do Pauleta que foi extraordinário. É um jogador muito ofensivo e hoje fez um jogo defensivamente muito bom. Não queria estar a individualizar e a verdade é que todos jogaram muito bem. Jogámos com oito hoje e plantéis são feitos de 15. É para este tipo de soluções que os plantéis foram criados, mas correu tudo bem».

SL Benfica

BnR: No jogo da primeira volta fiz-lhe a pergunta sobre os seus pivôs, mas agora faço ao contrário. Foi por falta de um pivô de raiz, visto que tinha apenas Fernandinho e Fábio Cecílio a fazer a posição, e falta do Fits foi o que faltou ao SL Benfica para este jogo?

Joel Rocha: «O problema do SL Benfica hoje foi a falta de um golo. Foram várias as oportunidade que os meus jogadores criaram e foi por aí que perdemos o jogo hoje. Hoje não faltou nada (fosse o Fits, o A, B ou C) a não ser marcar um golo. Nos golos do Sporting CP, cometemos um erro coletivo no primeiro golo e depois arriscámos muito numa zona que não devia. Criámos em quantidades suficientes para marcarmos golos, porém temos de dar também muito mérito ao Sporting CP por aquilo que realizou no jogo. O que faltou ao SL Benfica foi o golo e este é o indicador mais importante de uma partida».

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

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