A CRÓNICA: «EM MINHA CASA GANHO EU»

O Sporting CP venceu o SL Benfica por 2-1, no Pavilhão João Rocha, e está a um triunfo de se sagrar campeão nacional de Futsal, fazendo, nesse cenário, o triplete (Liga, Taça da Liga e Liga dos Campeões). Por seu turno, as águias vão tentar manter o padrão que dita que a equipa da casa vence para forçar a negra, que, a acontecer, será no João Rocha.

Nesta terceira partida da final do play-off, as águias começaram bem, os leões começaram melhor. Os encarnados não conseguiram aproveitar as oportunidades criadas nos primeiros cinco minutos, muito graças a Guitta, e viram os da casa chegar ao golo da vantagem numa exímia exemplificação da máxima “quem não marca, sofre”.

Através de um canto pela esquerda do seu ataque, o Sporting CP conseguiu descobrir Tomás Paçó ao primeiro poste, que, com um belo toque de calcanhar, assistiu Cavinato para o golo à boca da baliza. Seguiram-se momentos de equilíbrio até ao golo do empate.

Numa jogada coletiva bem desenhada, que começou no guarda-redes e que fez a bola passar por todos os jogadores encarnados em quadra, o SL Benfica igualou a partida pelo pé direito de Silvestre Ferreira, assistido por Robinho. Daí em diante e até ao intervalo, houve muita parra, mas pouca uva. Foram várias as jogadas periclitantes e diversos os remates à baliza, mas nenhum tento surgiu daí.

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“Cautela e caldos de galinha” foi o mote da segunda parte. Ainda que a vontade de vencer fosse notória, o medo de arriscar foi uma clara condicionante das duas equipas e, por inerência, da qualidade e emoção da partida. Todavia, os guarda-redes de ambas as formações foram colocados à prova algumas vezes.

A oito minutos do final, um remate de Erick embate no poste, embate nas costas do prostrado Roncaglio (que havia ido ao chão para tentar travar o remate) e os leões chegam ao segundo golo num lance polémico, uma vez que a bola poderá não ter ultrapassado por completo a linha de baliza. O Sporting CP recolocou-se assim em vantagem, desamarrando uma partida até então presa por um… Guitta.

O expectável cinco para quatro do SL Benfica foi colocado em prática, mas sem sucesso. O Sporting CP segurou mesmo o resultado até final e segue em vantagem para o quarto (e possivelmente decisivo) jogo.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Guitta – Num encontro em que nenhum elemento dito de campo se destacou, foi o guardião brasileiro quem mais brilhou, ainda que mesmo ele sem grande intensidade. Contudo, foram as suas ações e intervenções que permitiram ao Sporting CP segurar o empate a um tempo suficiente para renovar a vantagem que já havia tido na partida.

O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Cinco para quatro do SL Benfica – As águias foram incapazes de criar perigo em mais de cinco minutos de cinco para quatro. A lenta e inócua circulação aliada à incapacidade de colocar um jogador no seio do bloco defensivo leonino contribuíram para uma parca exibição ofensiva neste momento específico, o que não destoou da restante partida (exceção feita aos primeiros cinco minutos).

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Perante o bom início dos encarnados, os leões demoraram apenas cinco minutos a sacudir a pressão, com os primeiros vislumbres das subidas na quadra de Guitta. Com um 2-2 móvel, mesmo com pivô em quadra, o Sporting CP procurou circular bastante a bola, tentando desmanchar o quadrado defensivo das águias.

Os pivôs leoninos (Rocha, Zicky Té e Hugo Neves) eram parte integrante da mobilidade e dinâmica ofensiva dos leões, mas era através deles que o Sporting CP pausava o jogo, fazendo uso da capacidade dos três para segurar a bola e dar as costas à baliza e ao adversário. A maior variação do 2-2 leonino era o 2-1-1, com um elemento a tentar condicionar as movimentações defensivas adversárias e, em simultâneo, ser elemento de ligação na construção dos leões na meia-quadra das águias.

Após chegar ao 2-1, o Sporting CP, sem surpresa, foi confrontado com o cinco para quatro do SL Benfica. A mobilidade do mesmo obrigou os leões a apresentarem, consoante a movimentação da bola, tanto um quadrado como um losango defensivo, fazendo-o sempre com qualidade suficiente para coibir as investidas encarnadas.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Guitta (8)

João Matos (5)

Taynan (6)

Merlim (6)

Rocha (6)

SUBS UTILIZADOS

Erick (6)

Pany Varela (6)

Zicky Té (7)

Cavinato (7)

Tomás Paçó (6)

Hugo Neves (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

As águias fizeram das bolas paradas e das transições ofensivas as suas maiores armas nos minutos iniciais. Após o golo inaugural, por parte do Sporting CP, os encarnados fizeram por assentar o seu jogo posicional e de posse, com Jacaré a desempenhar um papel fulcral no momento de segurar a bola e a mostrar-se importante para a capacidade híbrida tática do SL Benfica, variando entre um 2-1-1 e um 2-2.

Sem Jacaré (e sem Fits), o 2-2 era o sistema mais adotado pelos encarnados, com muita mobilidade, mas pouca envolvência de Roncaglio. A dinâmica encarnada era grande e eficiente nos processos, mas ineficaz na concretização. Quando com fixo e pivô em quadra, estes procuravam movimentos que facilitassem os movimentos interiores dos alas, abrindo alas para os mesmos, com o fixo a avançar no terreno e a descair para uma ala de seguida e com o pivô a descair para a outra.

Com isto, os alas podiam assumir o primeiro momento de circulação. Após o 2-1 leonino, Tiago Brito foi incumbido de vestir a camisola cinzenta por cima da encarnada e o SL Benfica passou a apostar no cinco para quatro. Neste sistema, a mobilidade sem bola era grande, mas a circulação de bola era demasiado passiva para surpreender o bloco verde-e-branco.

Além de não surpreender o bloco leonino, os homens de Joel Rocha também nunca o penetraram, apostando sempre na circulação exterior e nunca na colocação de um elemento no espaço interior do quadrado/losango defensivo dos pupilos de Nuno Dias.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Roncaglio (5)

Nilson (6)

Robinho (6)

Chishkala (5)

Tayebi (5)

SUBS UTILIZADOS

Jacaré (6)

Arthur (6)

Rafael Henmi (5)

Fábio Cecílio (5)

Tiago Brito (5)

Silvestre (6)

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