Um aquecimento necessário para o Mundial | Futsal

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O Mundial 2024 de Futsal aproxima-se a passos largos e a Seleção Nacional prepara-se para a competição, com o objetivo de revalidar o título de 2021.

Na preparação para as grandes competições no Futsal, as grandes potências, a nível de seleções, têm uma grande dificuldade em encontrarem adversários próximos do seu nível para se desafiarem e crescerem na quadra.

Não é de estranhar, portanto, que Portugal tenha vencido todos os jogos de preparação, até ao momento, e com números gordos.

Frente à Costa Rica, a equipa das quinas mostrou pouca intensidade durante a primeira parte, depois de marcar o primeiro golo, logo ao primeiro minuto. Passes errados, movimentos denunciados, falta de criatividade foram alguns dos aspetos pela negativa a exibição dos portugueses, durante os primeiros vinte minutos. Obviamente que a frequência constante de alterações no cinco não ajudou e o resultado ficou em aberto.

Este desnível existente de Portugal para com os adversários na preparação tem riscos perigosos. O comodismo e excesso de confiança podem deitar por terra as aspirações ambiciosas e realistas da Seleção Nacional para o Mundial.

No entanto, a forma como a equipa mudou na segunda parte mostra que os selecionados por Jorge Braz também são capazes de lidar com eficiência perante adversários bem organizados, como a Costa Rica, mas de menor qualidade.

Na fase de grupos, Portugal vai defrontar na fase de grupos, Panamá, Tajiquistão e Marrocos, seleções com um grau qualitativo inferior aos lusitanos. Por isso, é essencial que o selecionador Jorge Braz encontre com a equipa a forma de manter os níveis de atenção, concentração e foco no jogo.

Assim, não se criarão dúvidas na cabeça dos jogadores sobre a sua capacidade e insegurança prejudicial para enfrentar os rivais na luta pelo título mundial, como a Espanha, Brasil e Argentina.

E depois do Mundial? Tem de se começar a pensar na renovação da Seleção Nacional. Sete dos 18 convocados têm mais de 30 anos, mas esse assunto fica para um próximo artigo, depois do Mundial.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Fábio Cecílio (jogador da Seleção Nacional)

BnR: A dinâmica de vitórias é importante para a seleção?

Fábio Cecílio (jogador da Seleção Nacional): Em parte, sim. As vitórias são sempre fundamentais, ganhar é sempre bom. Mais vale ganhar do que perder, como costumo dizer. Mas é aquilo que eu digo, um passo de cada vez. Domingo vamos ter mais um confronto [frente à Ucrânia] para nos prepararmos ainda cada vez melhor. A preparação acima de tudo.  

BnR: O facto do primeiro golo ter sido cedo fez adormecer a equipa para o resto da primeira parte? 

Jorge Braz (selecionador nacional): Às vezes não sei. Ainda por cima começamos bem com movimentos que [os jogadores portugueses] fazem muito bem e fazemo-lo, entusiasmamo-nos um bocadinho. Às vezes, isso influencia um bocadinho.

Pensamos que até vai ser fácil, ainda mais eles [jogadores da Costa Rica] são tranquilos, sabem esperar e foi isso que foram fazendo na primeira parte, à espera de umas oportunidades deles. Têm duas ou três transições, mas foi perceber e depois fomos no sentido certo. 

BnR: O que difere esta fase de preparação, em Viseu, da fase de preparação inicial para o Mundial, em Rio Maior?

Jorge Braz: Aqui aumentámos, chegámos a um patamar que, em termos de intensidade fomos ao limite dos limites, segunda, terça e quarta. Queremos ir ao limite dos limites em todos os jogos do ponto de vista de intensidade.

Ontem [vitória por 9-0 frente a Cuba], foi mais todo jogo. Hoje uma segunda parte de uma intensidade elevadíssima com períodos curtos. Estamos nesse processo. Foi aumentar para depois, nas próximas semanas, ainda refinar e elevar para patamares mais altos.

BnR: A Seleção Nacional ganha 90/95% dos jogos que disputa. Como é que se motiva estes atletas? Como é que se constrói esta cultura de vitória para que Portugal vença as grandes competições? 

Jorge Braz: Acreditarmos muito em nós, no que tem Portugal. Portugal é um país fantástico. Nós temos coisas fabulosas, no futsal, sempre tivemos na nossa história.

Acreditamos muito em nós, focarmos muito em nós, não estar sempre a olhar para fora. Nós estamos sempre a olhar para fora. Quem foi para fora e conquistou tudo, foi Portugal há muitos anos.

Temos de olhar para nós, para o que nós temos feito. Isto é o que nós temos feito desde há muitos anos. Nós acreditamos em nós e depois vamos ver se a bola bate no poste, não entra e, se conseguimos ganhar. Mas olhar para nós, acreditar em nós, porque nós temos meninos e meninas com muita qualidade a jogar futsal. 

Pedro Filipe
Pedro Filipehttp://www.bolanarede.pt
Curioso em múltiplas áreas, o desporto não podia escapar do seu campo de interesses. O seu desporto favorito é o futebol, mas desde miúdo, passava as tardes de domingo a ver jogos de basquetebol, andebol, futsal e hóquei nacionais.

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