Publicidade

Viseu 2001 2-4 SC Braga/AAUM: Viseenses deixaram recuperação a meio

Pedro Filipe · 9 min

Viseu 2001
Fonte; Pedro Silva / Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A CRÓNICA: SUPER LEANDRO ATRASOU GOLO DO VISEU 2001

Em jogo em atraso para o Campeonato, Viseu 2001 e Sporting de Braga tentavam regressar às vitórias. De recordar que as duas equipas foram eliminadas da Taça de Portugal frente aos rivais da Segunda Circular no passado fim de semana.

O Viseu 2001 foi a equipa que deu o pontapé de saída e fez o primeiro remate à baliza nos primeiros segundos. Kiko conseguiu arranjar espaço à esquerda de fora da grande área para atirar à baliza de Leandro, mas o guarda redes estava atento.

Este começo foi enganador para o que se passou a seguir. O Braga cresceu e estava mais perto da baliza adversária. Os visitantes conseguiram chegar à baliza do Viseu 2001 com poucos passes, já o contrário não acontecia.

Ao 3´ de jogo, Tiago Brito, quase de área a área, fez um passe para Pola, que, isolado, só com o guarda redes pela frente, atirou para o primeiro golo da partida.

A equipa da casa continuava com muita posse de bola, mas sem conseguir chegar próxima da baliza forasteira. Só com a alteração dos quatro jogadores de campo, o Viseu 2001 cresceu no jogo e esteve mais perto do golo, mas ou por ineficácia ou pelas defesas de Leandro, não obtinha a igualdade.

Já o Braga continuava com a mira apontada ao último reduto viseense e nos últimos seis minutos, voltou a estar por cima no jogo. Já a 3´ do intervalo, reposição lateral do Braga para a área do Viseu 2001, Peixoto tentava tirar a bola da zona sensível. Contudo, o esférico fez um remoinho e foi parar aos pés de Tiago Brito que rematou de primeira para o fundo da baliza de Thiago. Sem se conseguir recompor, o Viseu 2001 sofreu o terceiro no minuto seguinte. Na recarga a um remate ao poste, a bola foi parar a Pola que, de fora da área do lado direito, bisou na partida.

Nesta altura, a equipa da casa apresentava-se apreensiva e o pior estava mesmo para vir antes do intervalo. Na sequência de um canto à esquerda, Elisandro fez o 4-0 à entrada da área.

Na segunda parte, o Viseu 2001 entrou mais objetivo para chegar à baliza minhota e obrigou Leandro a muito trabalho. Ture teve pontaria a mais e rematou forte à trave.

Só a 7´ do fim do jogo, os viseenses ultrapassaram o muro de Leandro. De canto à direita, Rafa Stocker assistiu rasteiro para Kiko que disparou forte sem hipóteses para o guarda redes do Braga. O golo motivou a equipa da casa que continuou à procura de mais golos. A 4´ do final, Rafa Stocker colocou na área e Lukinhas, mais rápido na antecipação, a fazer o 2-4.

Nos restantes minutos, os viseenses aproximaram-se novamente da baliza adversária, mas já sem o perigo de há minutos antes.

O SC Braga vence a partida, pela primeira parte mais eficaz e objetiva.

A FIGURA

Leandro – O guarda-redes foi bastante importante ao defender tudo o que havia para defender até aos 7´ do fim da partida. A quantidade de intervenções, algumas bastante difíceis, durante o segundo tempo, foi impressionante. Além do aspeto defensivo, o guardião também participou na construção ofensiva da equipa e a oferecer linhas de passe.

O FORA DE JOGO

Daniel Ramos – O jogador do Viseu 2001 foi presa fácil no ataque para a equipa bracarense. Não conseguiu ser útil na organização ofensiva e a dar verticalidade ao jogo viseense. Demasiado preso de movimentos, uma atuação semelhante à do último jogo contra o Benfic

ANÁLISE TÁTICA – VISEU 2001

Paulo Fernandes apostou num jogo de posse para tentar controlar o adversário e chegar à baliza adversária. Nas bolas paradas defensivas e nas transições rápidas do adversário, sentiram bastante dificuldade. Quanto à gestão dos jogadores utilizados, o treinador trocou os quatros jogadores de campo ao mesmo tempo, apresentando duas equipas diferentes.

Na segunda parte, a equipa acampou-se na sua metade do campo ofensiva, mas teve dificuldade a chegar à grande área bracarense perante o recuo da equipa adversária, fazendo recurso frequente da meia distância.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thiago (6)

Kiko (6)

Peixoto (5)

Dudu (6)

Rafa Stocker (6)

SUBS UTILIZADOS

Mamadu Ture (6)

Muskito (6)

Lukinhas (6)

Daniel Ramos (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA/AAUM

 

Perante a maior diversidade de soluções, Joel Queirós apostou numa rotação constante da equipa em campo. As transições rápidas funcionaram face à qualidade individual dos seus jogadores e rapidez de execução. As bolas paradas também foram um ponto forte.

Na segunda parte, face ao resultado confortável, entregaram totalmente a posse de bola ao adversário, recuando no terreno de jogo. A equipa minhota continuou a utilizar os contra-ataques rápidos para chegar à baliza adversária.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Leandro (8)

Ricardo Lopes (7)

Fábio Cecílio (6)

Tiago Brito (7)

Pola (7)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Correia (7)

Elisandro (6)

Allan (6)

 Rúben (6)

 Rudi (6)

Renoldi (6)

Foto de Capa: Pedro Silva / Bola na Rede

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA:

Viseu 2001

Bola na Rede: O Viseu 2001 perdeu por 2-4, apesar das inúmeras oportunidades criadas. Como viu a exibição da sua equipa?

Rafael Outeiro (Técnico adjunto): Infelizmente, a boa imagem não chega para conquistar os pontos. É preferível termos jogado pior e ter levado os três pontos. Foi isso que o Braga fez. Houve uma equipa que jogou que fomos nós. À exceção desse período em que nós cometemos três erros que deram três golos no último terço da primeira parte, o resto do jogo foi do Viseu. Fizemos de um modo geral uma partida muito interessante com e sem bola. Muitas oportunidades para finalizar e muito mérito do guarda-redes do Braga que deve ter feito a partida da vida dele. Nós tentámos fazer os possíveis na segunda parte para ter o melhor resultado possível. Não foi suficiente para, pelo menos, chegarmos a um ponto. Nada a dizer, em relação à entrega dos jogadores e a qualidade que deram em campo.

 

Bola na Rede: Nas substituições do Viseu 2001, a equipa técnica optou por trocar os quatro jogadores ao mesmo tempo, na maior parte do jogo. Que procuravam? Maior entrosamento?

Rafael Outeiro: São dois quartetos com características diferentes em que podemos alterar um sistema 3×1 com um pivot mais fixo e um outro com mobilidade maior, com um falso pivot ou então num 4×0. Na segunda parte, por questões estratégicas, percebemos que o nosso jogo com pivot, criava mais dificuldades e conseguimos prender o Braga mais atrás. Depois, fazemos as trocas pontuais dos alas e do fixo, mas são quartetos com características diferentes que nos dão valias em diferentes momentos do jogo para desequilibrar.

 

Bola na Rede: Hoje não foi utilizado o 5×4, com o guarda-redes avançado, ao contrário do último jogo frente ao Benfica. Qual foi o motivo?

Rafael Outeiro: Foi opção. Sentimos que pela qualidade de jogo que nós estávamos a ter, estávamos a criar muitas oportunidades de golo. Depois, como eles atingiram também a quinta falta, podíamos, num lance individual, ganhar a sexta falta e tentar marcar um golo. Com guarda-redes avançado, provavelmente iriamos parar um pouco o jogo porque eles defendem bem no 5×4. O tempo ia passar e poderíamos não atingir o objetivo de arrancar a sexta falta, numa situação individual. Basicamente, estávamos a ter muita bola para finalizar e achámos que o 5×4 não seria o mais indicado.

 

Bola na Rede: Tal como na segunda parte do jogo contra o Benfica, o adversário chegou à quinta falta e o Viseu 2001 ficou a uma infração sofrida de ter um livre direto. Falta “matreirice” à equipa, neste tipo de aspetos do jogo?

Rafael Outeiro: É mais pela experiência dos adversários do que falta de matreirice do Viseu porque eles baixam e já não são tão agressivos da forma como foram até à quinta falta. Por isso, não houve oportunidade para forçar, a nível individual, porque eles acabaram por baixar. Faz parte do jogo.

 

SC Braga/AAUM

Bola na Rede: O Braga conquista uma vitória difícil, construída na primeira parte. Que análise faz ao jogo?

Joel Queirós (Técnico principal): Três pontos importantes, como são todos os jogos até ao final do Campeonato. A Liga é muito competitiva, muito equilibrada. Muitas equipas estão ainda muito próximas. Tudo pode acontecer em termos de classificação final.

Um jogo muito difícil. Nós entrámos muito bem no jogo. O golo marcado subiu os índices de objetividade e de proatividade do Viseu e nós passámos alguns minutos pior depois do golo marcado. O golo marcado não nos fez bem. Quando voltámos a equilibrar o jogo na intensidade e no ritmo, colhemos os frutos e fizemos mais três golos na primeira parte. Considero o resultado exagerado ao intervalo para aquilo que foi, mais equilíbrio do que desequilíbrio. Nós fomos eficazes e felizes na finalização e fizemos um parcial de 4-0. Na segunda parte, praticamente só o Viseu conseguiu atacar e ser muito perigoso, foi sempre muito perigoso. Duelos de 1×1, jogo pivot e nós tivemos de nos agarrar à capacidade de sacrifício, de superação, de solidariedade defensiva, à grande exibição do Leandro na baliza e termos a humildade competitiva de que o nosso adversário esteve melhor. Quando não conseguimos atacar, defendemos e contra-atacamos. Nós nem sempre defendemos bem, nem sempre contra-atacamos bem. Tivemos dificuldades, mas são estes jogos, estes pontos e a forma como são conquistados que nos fazem crescer. Se há dias que vamos ganhar na qualidade e no talento, no controlo, na segurança e na superioridade, há dias que vamos ganhar na transpiração, no sacrifício e no saber sofrer. Hoje foi esse o dia. Vamos mais felizes para casa porque levamos três pontos e vamos também com um jogo que nos fazem crescer na nossa maturidade competitiva e desportiva.

 

Bola na Rede: O Braga mostrou-se bastante diferente depois do intervalo. A vantagem por quatro golos teve influência no modo como a equipa se apresentou na segunda parte?

Joel Queirós (Técnico principal): A primeira parte foi mais consciente, mais segura, mais controlada, mais organizada e colhemos esses frutos. Na segunda parte, o Viseu foi melhor e tivemos de saber sofrer, capacidade de sacrifício, humildade competitiva e a grande exibição do Leandro na baliza. Fechou por completo os caminhos da baliza. Completamente satisfeito pelos três pontos porque o ponto é muito caro na Liga Placard e no final aquilo que vão ficando são os pontos e a consciência daquilo que o jogo pediu, do que nós fizemos. Levamos três pontos para Braga que são muito, muito importantes para nós.

Bola na Rede: O Viseu 2001 é uma equipa que gosta de ter bola. Esta postura dos viseenses levou o Braga a adotar as transições rápidas para explorar as debilidades do adversário?

Joel Queirós (Técnico principal): O Viseu gosta de ter bola, como o Braga gosta de ter bola. O Viseu sabe ter a bola, como o Braga sabe ter a bola. O Viseu tem jogadores desequilibradores um contra um, como o Braga assim os tem. Na primeira parte, foi mais equilibrado nesse aspeto, foi mais repartido. Na segunda parte, o Viseu impôs muito mais as suas características e a sua identidade do que nós o conseguimos fazer a atacar. Quando não conseguimos atacar, defendemos e contra-atacamos. É a lei da oposição e da humildade competitiva e desportiva. Há que ter essa consciência. Nalguns momentos, tivemos, noutros nem tanto e repito: é um jogo que nos fazemos muito bem para crescermos e melhorarmos a nossa maturidade competitiva

Pedro Filipe

Redação Bola na Rede · ver artigos