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Mundial 2022: Rola, Portugal | Hóquei em Patins

Tiago Alexandre · 6 min

Mundial 2022: Rola, Portugal | Hóquei em Patins
Foto: FPP

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1.212. É este o número dias que separa a Final do Campeonato de Mundo de 2019 e o jogo inaugural da competição em 2022. A espera foi longa e, em 45 edições, só durante a Segunda Guerra Mundial houve tantos dias de interregno entre as edições do Mundial. Apesar da data ser longínqua e pelo meio se ter metido uma pandemia, ninguém esquece o mítico 14 de julho de 2019. Ninguém esquece a vitória sobre a super Argentina em casa de Nuestros Hermanos. Ninguém esquece as defesas de Girão, nem as lágrimas de alegria que corriam na cara dos nossos heróis.

Agora em 2022, de volta a Argentina, uma das catedrais do Hóquei em Patins. Como se sabe, desde 2017 que houve algumas alterações nos formatos e, de modo a englobar todas modalidades praticadas com patins, a World Skate – Federação Internacional – decidiu criar os World Roller Games – agora World Skate Games –, que são uma espécie de Jogos Olímpicos em Patins. Em suma, a competição disputa-se num único país, em duas cidades, durante 21 dias e contempla 12 disciplinas da WS e cerca de 7.000 atletas. A “prova rainha” destes Jogos é, claro está, o Hóquei em Patins, ao ponto de ser a única modalidade que não vai ter bilhetes gratuitos.

A competição é composta por três divisões – Campeonato do Mundo, Campeonato Intercontinental (9.º ao 16.º classificados) e Campeonato Challenger’s (17.º ao 21.º classificados) – e contempla ainda a competição feminina e de sub-19. Naturalmente vamos focar-nos na prova máxima, o Mundial masculino, apesar de Portugal ter legítimas aspirações a vencer todas elas. A prova começa a 7 de novembro com uma Fase de Grupos composta por dois grupos de quatro equipas e na qual nenhuma equipa vai ficar eliminada, ou seja, os três primeiros de cada Grupo apuram-se diretamente para os Quartos de Final, e os dois últimos disputam uma Ronda de Qualificação com os primeiros classificados da Intercontinental. Todos os jogos da competição sénior masculina são disputados no histórico Aldo Cantoni.

Foto de Capa: FPP

GRUPO A

O Mundial de San Juan promete ficar na história e, contrariando o que vem sendo habitual, voltou a adotar o sorteio puro para a definição dos Grupos. Portugal ficou colocado no A, juntamente com Itália, Chile e França, as duas seleções que deixaram o nosso país fora da decisão do último Europeu.

Sem grandes surpresas, Renato Garrido fez apenas uma alteração face aos convocados que levou ao Europeu de Paredes e chamou João Souto para o lugar de Jorge Silva, mantendo Ângelo Girão, Henrique Magalhães, Pedro Henriques, Diogo Rafael, Hélder Nunes, João Rodrigues, Telmo Pinto, Rafa Costa e Gonçalo Alves.

A base da seleção é a mesma de há muitos anos para cá e Portugal parte com ligeiro favoritismo depois de ter vencido a última edição. À experiência de Diogo Rafael e Telmo Pinto, juntam-se a irreverência de João Souto, o faro de golo de João Rodrigues, a mestria de Hélder Nunes ou as defesas soberbas de Girão. Os ingredientes estão todos lá e caso a taça volte a casa, Portugal iguala o número de títulos da Espanha, depois de ter estado 16 anos sem vencer a competição. O mote está dado e foi replicado no título deste artigo: Rola Portugal.

A Itália entra para esta edição em “segundo plano”, partindo atrás das teoricamente favoritas Argentina, Espanha e Portugal. Alessandro Bertolucci também não fez grandes alterações face ao Europeu em que terminou em terceiro juntamente com Portugal e mexeu apenas na baliza: saem Bruno Sgaria e Domenico Illuzzi, entrando Stefano Zampoli e Francesco Banini. O Trissino – Campeão Italiano e da Europa – conta com cinco jogadores nos dez eleitos e é a grande base desta seleção que conta com inspiração dos jovens Francesco Banini e Davide Nadini que, com idade sub-23, marcaram 75 golos na última Serie A1. Alessandro Verona é o representante “português” deste lote.

Segue-se a França, a surpreendente vice-campeã da Europa. Fabien Savreux e os seus pupilos procuram, em San Juan, atingir um resultado histórico depois de terem caído apenas para a Espanha, em Paredes. A equipa é composta por Carlo e Roberto Di Benedetto, irmãos que atuam no FC Porto e SL Benfica, respetivamente, e Rémi Herman, da A. Juventude de Viana. Nesta lista há, no entanto, dois portugueses com dupla nacionalidade: Anthony Da Costa e Pedro Chambell, este último em estreia absoluta. Em 2019, lograram o quarto lugar e agora têm tudo para fazer melhor.

Por fim o Chile, a seleção mais fraca do Grupo A e que dificilmente não terminará na última posição. A lista final de convocados ainda não é conhecida, mas a equipa sul-americana vai certamente contar com o jovem Pablo Contreras, que passou pelo Benfica. De realçar que os “escorpiões” foram segundo classificados no último Campeonato Sul-americano e defrontaram Portugal em 2019, tendo perdido por 9-4.

GRUPO B

O Grupo B é encabeçado pela seleção da casa, a Argentina, que tem no seu público uma das principais armas para reconquistar o título que lhe foge desde 2015. José Luis Páez, conhecido como Negro, decidiu convocar 12 jogadores, para se precaver no caso de haver alguma lesão. Nesta lista vigoram nove jogadores que atuam em Portugal e podiam ser mais, já que Reinaldo García abdicou da seleção e Matías Platero foi preterido das escolhas. Lucas Martínez é mesmo a grande novidade neste lote bem conhecido dos adeptos portugueses, composto por Lucas Ordoñez, Carlos Nicolía, Matías Pascual, Pablo Álvarez, Gonzalo Romero, Valentín Grimalt, Constantino Acevedo, Matías Bridge, Facundo Bridge, Ezequiel Mena, Danilo Rampulla e Lucas Martínez.

Espanha venceu sete das últimos dez edições e, nos cinco mundiais disputados em San Juan, só perdeu um. É assim, com a história a seu favor, que Guillem Cabestany preparou este Mundial, chamando Nil Roca, jogador do Benfica, Dava Torres, campeão espanhol e Sergi Fernández, guardião do FC Barcelona. Esta seleção é, claro está, uma das favoritas a reconquistar o troféu perdido em casa, contando com a experiência de Xavi Malián e Toni Pérez, a entrega de Sergi Aragonès e a magia de Ferran Font.

Liderada pelo histórico João Pinto, Angola chega a Argentina depois de ter feito história na China, em 2017, ao ser quinta, e sexta em Barcelona, tendo perdido com a Argentina e a Itália. Apesar de ainda não serem conhecidos todos os convocados, o Clube Académica de Luanda lidera a lista provisória, com cinco jogadores. Destaque para Xico Veludo (SC Tomar), André Centeno (OC Barcelos), o veterano Martín Payero e Humberto Mendes que fazem perto desta belíssima seleção. Esta participação não começou da melhor forma, e um problema com os passaportes da comitiva angolana atrasou a viagem para a Argentina.

Por fim, Moçambique, a provável seleção mais fraca deste lote de oito. Antes de tudo, frisar que, por esta altura, ainda não é totalmente certa a participação da seleção africana na Argentina. Segundo as notícias difundidas na passada semana, a Federação Moçambicana de Patinagem precisa de 150 mil euros para chegar a San Juan, a cidade onde alcançou a melhor classificação de sempre, um quarto lugar. O português Jorge Oliveira comanda esta seleção que quer manter-se no topo máximo do Hóquei em Patins mundial, depois de ter vencido a Taça Intercontinental em 2019.

Tiago Alexandre

Redação Bola na Rede · ver artigos