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20 de Janeiro, 2022

O estranho caso de Telmo Pinto | Hóquei em Patins

Este podia ser mais um daqueles thrillers escritos e contados por David Fincher. Envolve uma carreira profissional de dez anos que contempla muitos troféus, trocas entre clubes rivais e o mais importante: três troféus internacionais conquistados em sete meses. Não é um conto cinematográfico, mas sim a vida de Telmo Pinto, um dos nomes que perdurará na história do Hóquei em Patins nacional.

Telmo Alberto Sousa Pinto nasceu a 23 de janeiro de 1993 em Friburgo, na Suíça. A sua paixão pelo Hóquei deu-se cedo, já que, aos sete anos ingressou nas escolinhas do CH Carvalhos. Três anos foram suficientes para dar o salto para o FC Porto e chegar à Seleção Nacional. Nas seleções jovens tornou-se bicampeão da Europa de Sub-17, em 2008 e 2009, e de Sub-20, em 2010 e 2012. Esta geração de ouro do Hóquei nacional contava ainda com nomes como Gonçalo Alves e Hélder Nunes nas suas fileiras.

Em 2013 transferiu-se para a AD Valongo e integrou a equipa que, surpreendentemente, se sagrou Campeã Nacional e venceu a Supertaça, no ano de 2014. Dessa equipa saíram grandes nomes, tais como Ângelo Girão, Henrique Magalhães e Rafa Costa. Telmo Pinto abandonou o clube no final de 2015 e regressou ao Dragão para conquistar dois Campeonatos, três Taças de Portugal e 3 Supertaças. Em 2019 abandonou o clube, ao cabo de 11 anos, e ingressou no rival Sporting CP, para substituir Henrique Magalhães. Nesse mesmo ano tornou-se Campeão do Mundo por Seleções, na competição realizada em Barcelona.

Ao serviço do emblema leonino conquistou a primeira e até aí inédita Taça Continental dos leões. Sagrou-se Campeão Nacional no final da época passada e Campeão Europeu. Nestes três títulos existe um denominador comum: foram conquistados perante o seu então ex-clube. Em junho foi anunciado publicamente o seu regresso ao FC Porto, para substituir Poka, que saiu para o… SL Benfica.

Já a cumprir a terceira passagem pelo emblema da Cidade Invicta, Telmo Pinto disputou à bem pouco tempo, em Paredes, o seu primeiro Europeu enquanto internacional A. Na competição participou em todos os jogos e marcou dois golos, ambos na estreia, frente à Alemanha. Neste mês de dezembro venceu a Taça Intercontinental, em pleno João Rocha, depois do FC Porto bater o Sporting CP na final disputada a duas mãos. Telmo Pinto marcou no jogo do Dragão e é, atualmente, o único jogador de Hóquei que é Campeão Nacional, da Europa e do Mundo em simultâneo – este último a dobrar. Esse feito torna-se ainda mais inusitado por ter sido conquistado perante as suas antigas equipas.

Telmo Pinto não é um dos jogadores que nos vem à memória quando falamos de Hóquei em Patins. Não é um jogador que prima pelo brilhantismo, nem tão pouco pelos golos que marca. Atua como defesa e é um profissional aguerrido, intenso e que dá tudo pelo coletivo. Não dá um lance como perdido e está integrado nas equipas que conquistaram os maiores feitos para o Hóquei nacional. Em dez anos de carreira profissional já conquistou 18 troféus, o que dá uma média de praticamente dois por temporada. Podia ser um caso estranho, não fosse Telmo torná-lo cada vez mais normal.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo redigido por Tiago Alexandre