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Numa tarde que poderia ser histórica para o hóquei em patins português, o Barcelos ainda chegou a estar a vencer por dois golos, mas o Lleida, equipa organizadora da final-four, empurrada pelo seu público, conseguiu igualar a partida e após um prolongamento sem golos, Jordi Creus, na última grande penalidade antes da fase de morte subida, garantiu a vitória do conjunto espanhol.

O Lleida começou bem e logo nos primeiros momentos, através de um livre-indireto, fez a bola embater nos dois postes da baliza defendida por Ricardo Silva. Com mais experiência neste tipo de situações, o Barcelos, quando em posse, procurava fazer circular o esférico e reduzir o andamento espanhol.

Perto da marca dos cinco minutos, um erro da equipa espanhola deixou João Almeida isolado, mas a sua tentativa de visar a baliza esbarrou no poste. Pouco depois, o Lleida esteve perto de abrir o ativo, mas Ricardo Silva impediu o golo. A partida estava intensa e os lances de perigo junto de ambas as balizas eram vários. Contudo, o marcador permanecia a zeros.

Após alguns minutos de grande dinâmica, o Óquei, em situação de ataque, fazia a bola rodar na tentativa de procurar combinações que resultassem. Contudo, não estava a ser fácil entrar na defensiva espanhola. Por sua vez, o Lleida sentia o mesmo e só através de iniciativas individuais conseguia incomodar o guardião barcelense.

À entrada para os últimos dez minutos antes da pausa, surgiram duas grandes oportunidades de golo, uma para cada equipa, mas nem Jordi Creus ou João Almeida conseguiram fazer o primeiro golo da tarde. Porém, com cerca de oito minutos para se jogar e poucos segundos depois de entrar em pista, João Guimarães, da linha de meio campo, disparou um “míssil” que só parou no fundo das redes de Albert Mola. O Lleida respondeu e volvidos alguns minutos, Jordi Creus teve duas enormes chances para igualar o encontro, mas Ricardo Silva, com uma dupla intervenção, negou o golo do conjunto catalão.

Já com menos de cinco minutos para o intervalo, o Barcelos esteve perto de aumentar a vantagem, mas uma bola enrolada por Rúben Sousa saiu ao lado. De seguida, num lance de contra-ataque do Lleida, Roberto Di Benedetto stickou rasteiro, com Jordi Creus a aparecer ao segundo poste para a recarga, mas Ricardo Silva negou as pretensões do francês.

Chegado o intervalo, o Barcelos vencia o Lleida por 1-0, depois de uma primeira parte equilibrada, que começou de forma muito intensa e que com o desenrolar dos minutos foi acalmando, o que colocou dificuldades ao ataque de ambas as equipas que tinham pela frente defesas bem organizadas. Valeu a audácia de João Guimarães, conhecido por Joca no mundo do hóquei em patins, que momentos após entrar em rinque, stickou de longe e fez o único golo que registava à ida para os balneários.

Dário Giménez foi um dos principais jogadores da final e neste exato momento, festejava o golo do empate
Fonte: Roller Hockey Photos

A segunda metade começou com o Barcelos a ter a posse de bola durante bastante tempo, mas sem conseguir dispor de grandes chances de golo. Enquanto que o Lleida procurava criar perigo, sobretudo, em transições rápidas de forma a apanhar o Óquei em contrapé. Todavia, aos quatro minutos de jogo, os espanhóis beneficiaram de uma grande penalidade que Dario Giménez, a principal figura do conjunto organizador da final-four, não conseguiu aproveitar, stickando ao lado da baliza portuguesa.

Apesar de ter desperdiçado uma grande penalidade, o Lleida ganhou algum ímpeto, mas logo depois, cometeu a sua 10ª falta. Zé Pedro, chamado à conversão do livre-direto, bem tentou enganar o guarda-redes espanhol, mas Albert Mola, com a luva direita, impediu o segundo tento barcelense. Contudo, cerca de um minuto depois, João Almeida pegou no esférico, penetrou na defensiva do Lleida e com uma bela stickada cruzada, aumentou a vantagem do Barcelos para 2-0. Quase a seguir, o Óquei esteve perto de voltar a marcar, mas tanto o poste direto, como Albert Mola, impediram o avolumar o score.

Em cima da marca dos dez minutos do segundo tempo, Juanjo López cometeu uma grande penalidade. Andreu Tomàs, o capitão do Lleida, foi o escolhido para a conversão da grande penalidade e com uma stickada ao angulo superior esquerdo, relançou a final.

O Barcelos reagiu bem e através de uma stickada frontal de Zé Pedro esteve perto de voltar a marcar, mas a bola saiu ao lado. Contudo, a jogar em casa e a querar virar o marcador, o Lleida tentava impor velocidade em pista e ia avisando o Óquei.

A cerca de dez minutos para o final, Hugo Costa viu um cartão azul e “ofereceu” um livre-direto ao Lleida. Dario Giménez, que antes já havia falhado uma grande penalidade, fez uso da sua técnica individual e restabeleceu o empate. Passados dois minutos, surgiu a 10ª falta do Barcelos. Dário Giménez voltou à marca do livre-direto, mas não conseguiu colocar o Lleida em vantagem ao enrolar o esférico ao lado da baliza de Ricardo Silva.

O fim da partida estava cada vez mais próximo e o suspense ia aumentando. O Barcelos, mesmo conseguindo ter posse de bola, não estava a criar chances de golo, ao passo que o Lleida, também, não mostrava sinais de querer arriscar muito.

Já dentro do último minuto do tempo regulamentar, o Lleida ficou muito perto de marcar, mas Ricardo Silva parou uma stickada de Jordi Creus. No seguimento do lance, surgiu um contra-ataque para o Óquei, mas uma stickada de meia distancia de Juanjo López foi parada pela luva esquerda de Albert Mola.

Nos primeiros cinco minutos do prolongamento, foi o Lleida quem mais procurou a baliza adversária, mas não houve nenhuma alteração ao marcador.

A segunda parte do tempo extra voltou a demonstrar um Lleida melhor, enquanto que o Barcelos apenas conseguia criar perigo em situações de contra-ataque. Mais uma vez, ninguém conseguiu marcar e tudo ficou por definir nos penaltis.

Nas grandes penalidades houve um grande desacerto das duas equipas, mas no último penalti antes da morte súbita, o experiente Jordi Creus marcou e confirmou a conquista da Taça CERS pelos espanhóis do Lleida.

Vitória justa do Lleida, que foi a equipa com melhor prestação em rinque durante grande parte do jogo e que acabou por conseguir encontrar a felicidade na lotaria das grandes penalidades. Desta forma, o Barcelos não conseguiu fazer história, falhando a conquista da competição pelo terceiro ano seguido e, por sua vez, tornar-se na equipa com mais taças CERS no historial, mas voltou a levar o nome do hóquei em patins português bem alto numa competição europeia. Por outro lado, o Lleida fez inscreveu o seu lugar na história, ao vencer a Taça CERS pela primeira vez.

OC Barcelos

Cinco inicial: 1-Ricardo Silva (GR e CAP), 4-Zé Pedro, 6-João Almeida, 9-Hugo Costa e 66-Rúben Sousa

Jogaram ainda:3-Juanjo López,7-João Guimarães, 77-Marinho,

Banco: 29-André Almeida (GR) e 64-Afonso Lima

CE Lleida

Cinco inicial: 1-Albert Mola (GR), 3-Bruno Di Benedetto, 4-Joan Cañellas, 6-Dario Giménez e 9-Andreu Tomàs (CAP.)

Jogaram ainda: Lluís Tomás (GR), 14-Jordi Creus, 68-Roberto Di Benedetto, 75-César Candanedo,

Banco: 80-Desiderio Mataix

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