Encomendem as faixas! Este deve ser o pensamento em grande parte dos adeptos do Porto neste momento, quando faltam apenas três jornadas para o final do campeonato. Esta ideia é legitima e parece-me bastante provável que os dragões se sagrem campeões nacionais. Por norma, sempre que uma equipa azul e branca se encontra numa situação deste género, raramente falha.

O que também não deve acontecer nesta edição do campeonato nacional de hóquei em patins. Naquele que seria o jogo, teoricamente, mais complicado até ao fim da prova, o Porto não falhou e venceu o Barcelos no Municipal por 7-3. Pavilhão no qual já não vencia desde a temporada de 2014-2015.

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O jogo teve um início morno, mas o Porto simplesmente necessitou de três minutos para concretizar. Stickada forte de Reinaldo Garcia e Hélder Nunes, bem posicionado, fez uma recarga certeira e apontou o 1-0. Momentos depois, numa iniciativa individual de Gonçalo Alves, os dragões ficaram muito perto do segundo.

Em desvantagem, o Barcelos foi à procura de restabelecer a igualdade, mas Carles Grau estava a conseguir levar a melhor no duelo com as stickadas de meia distância do jovem Gonçalo Nunes, assim como na conclusão de movimentações ofensivas. Devido a uma perda de bola no ataque do Óquei, Reinaldo Garcia, totalmente isolado, quase marcou. Todavia, esse lance resultou numa grande penalidade que Gonçalo Alves não desperdiçou, fazendo o 2-0. Segundos depois surgiu o terceiro. Stickada forte de meia distância e Hélder Nunes assinou o 3-0. Ricardo Silva parece ter sido mal batido.

Entrada em falso do Barcelos que, em apenas oito minutos, sofreu três golos, dois deles em pouquíssimos segundos. Algo que demonstra alguma descoordenação do ponto de vista defensivo, mas, também, um enorme índice de eficácia da parte do Porto.

Jogados cerca de doze minutos e meio, o Óquei beneficiou de um livre-direto devido a uma falta de Rafa. Rúben Sousa, praticamente acabado de entrar, stickou ao lado, na recarga não conseguiu marcar, mas João Guimarães, vindo da área contrária, conseguiu chegar primeiro que todos e reduzir o score para 3-1.

O golo do Barcelos deu uma vitamina extra ao jogo e si próprio, passando a equilibrar as operações, procurando sempre manter a defensiva azul e branca em sentido. Mesmo assim, mais tranquilos em pista, os dragões não forçavam no ataque, mas, também, não facilitavam na sua meia pista.

A menos de dez minutos da pausa, situação de contra-ataque de três para dois a favor do Porto e golo. Poka comandou e Giulio Cocco, solto ao segundo poste e a passe de Gonçalo Alves, fez o 4-1. Pouco depois, Cocco quase bisou, mas totalmente isolado perante Ricardo Silva, não conseguiu desfeitear o guardião da equipa da casa.

A faltarem dois minutos para o intervalo, após vários lances de golo para cada lado, uma nova perda de bola num ataque do Barcelos resultou em no 5-1. Passe de Rafa e Hélder Nunes, somente com Ricardo Silva pela frente, fez uso da sua técnica e com uma excelente picadinha apontou o quinto tento da tarde para os dragões. Instantes depois poderia ter surgido o sexto, mas Gonçalo Alves não conseguiu bisar através de uma grande penalidade, tendo stickado ao poste esquerdo da baliza do conjunto barcelense.

Terminada a primeira metade, o Porto goleava o Barcelos por claros 5-1. Resultado justificado pela boa entrada dos dragões em pista, mas, sobretudo, pela enorme eficácia ofensiva e defensiva da formação orientada por Guillem Cabestany. Não oferecendo qualquer espaço ao Óquei para criar perigo, sendo que quando o conseguia Carles Grau resolvia, aproveitando ainda os erros da equipa da casa no ataque para avolumar o marcador. No entanto, o Barcelos parecia muito apático, faltando intensidade, velocidade e atitude de outros jogos desta e temporadas anteriores. Três golos em apenas oito minutos terão ajudado a essa aparente anestesia.

Hélder Nunes prestes a converter o livre-direto através do qual fez o 6-3
Fonte: Barcelos Popular

O Porto entrou muito forte no segundo tempo e por pouco que rapidamente não chegou ao sexto. Todavia, Ricardo Silva manteve a desvantagem em apenas quatro golos. O Barcelos, por seu lado, sem muitas chances claras de golo, também não conseguia concretizar as que construía. Porém, em cima da marca dos trinta minutos, num reverso daquilo que aconteceu na primeira parte, uma perda de bola no ataque dos azuis e brancos resultou num golo do Óquei. Gonçalo Nunes assistiu e João Almeida, com uma picadinha, reduziu a desvantagem para 5-2.

Após vinte cinco minutos muito mal conseguidos, o Óquei parecia estar a querer redimir-se. No entanto, em virtude da boa organização defensiva do Porto, a maior parte do perigo da equipa da casa surgia do stick do jovem Gonçalo Nunes, que usava e abusava da sua meia distância. Algo que, por muitas vezes, em nada resultava a não ser na passagem da posse do esférico para os dragões.

Com o passar dos minutos, o Barcelos, empurrado pelos seus adeptos, ganhava animo e passava a rondar, com cada vez mais perigo, a baliza de Carles Grau. Dispondo de algumas boas oportunidades de golo, para além das meias distâncias de Gonçalo Nunes.

Em cima da marca dos trinta e cinco minutos, devido a uma situação de protestos, surgiu a 10ª falta do Porto. João Almeida, chamado à marcação do livre-direto, tentou uma picadinha, mas Carles Grau, com a perna esquerda toda levantada, impediu o golo ao jovem jogador do conjunto barcelense. Volvidos alguns instantes, João Guimarães, totalmente isolado diante Grau, tentou uma picadinha, mas, também, não conseguiu bater o espanhol. Porém, pouco depois, Gonçalo Nunes disparou um míssil e a “redondinha” só parou no fundo das redes azuis e brancas.

Numa segunda parte onde o Porto procurou, sobretudo, controlar as ocorrências na pista do municipal de Barcelos, com cerca de doze minutos para se jogar, o marcador passou a indicar 5-3. Desta forma, o clássico voltava a estar em aberto.

Os dragões responderam da melhor maneira aos tentos do Óquei, tendo construído várias oportunidades de perigo, mas Ricardo Silva, com maior ou menor dificuldade, manteve a igualdade à distância de dois golos.

A oito minutos e seis segundos do fim, João Almeida cometeu a 10ª falta do Barcelos. No respetivo livre-direto, Hélder Nunes stickou diretamente ao lado, mas nada recarga não falhou e assinou o 6-3. Golo extremamente importante para a história da partida e que ajudou a travar, definitivamente, o ímpeto da formação da casa.

Com cerca de três minutos para se jogar, um contra-ataque de dois para zero a favor do Porto resultou no 7-3. Recuperação de bola de Reinaldo Garcia e o próprio, apenas com Ricardo Silva pela frente, atirou a contar colocando um ponto final no encontro.

Terminado o clássico, o Porto levou de vencido o Barcelos por 7-3. Vitória justa dos dragões que entraram melhor e praticamente resolveram o jogo na primeira metade, tendo depois controlado a partida. Defendendo sempre de uma maneira bastante organizada, o que provocou imensas dificuldades à equipa da casa. Todavia, depois de vinte e cinco minutos muito abaixo das expectativas, o Óquei conseguiu dar uma imagem diferente do valor, mas nunca foi capaz de colocar em causa o triunfo dos dragões.

Assim, a três jornadas do fim do campeonato, o Porto deu um passo de gigante rumo 23.ª título de campeão nacional de hóquei em patins. No contexto atual, falhar o título é mesmo muito complicado, visto que, em duas das três rondas, joga em casa. O jogo mais complicado deverá ser no dia 18 de maio, na deslocação até ao San Siro para defrontar o Valongo. No entanto, uma vitória nesse encontro resultará, caso a situação atual não sofra nenhuma modificação, na conquista do campeonato.

OC Barcelos: 1-Ricardo Silva (GR), 4-Zé Pedro (CAP.), 6-João Almeida, 9-Hugo Costa e 33-Gonçalo Nunes

Jogaram ainda: 7-João Guimarães, 16-Gonçalo Meira, 66-Rúben Sousa e 74-Alvarinho

FC Porto: 1-Carles Grau (GR), 9-Rafa, 57-Reinaldo Garcia, 77-Gonçalo Alves e 78-Hélder Nunes (CAP.)

Jogaram ainda: 7-Giulio Cocco e 18-Poka