Anterior1 de 3Próximo

Menos de 24 horas depois de ter defrontado a Espanha, Portugal regressou à pista do Salle Omnisports em Montreux para lutar pela passagem à final da Taça das Nações. Pela frente uma jovem seleção de Itália que jogou ao seu velho estilo, procurando aproveitar o erro português e explorar os contra-ataques.

Num encontro onde o cansaço do duelo com Espanha se fez sentir, a formação portuguesa sentiu dificuldades para vencer o conjunto italiano, que demonstrou bastante potencial, por 3-2.

A arranque do jogo não foi tão espetacular como o de outros, com ambas as seleções a optarem por ataques mais longos e, por algumas vezes, em stickadas de meia distância.

Perto dos cinco minutos, a partida começou a subir de nível e após alguns lances de contra-ataque para cada lado, foi Portugal a quase ter conseguido marcar por duas situações. Primeiro, na sequência de uma jogada coletiva, João Rodrigues stickou à barra e momentos depois, Gonçalo Alves, com muito espaço à sua disposição, com uma stickada ao travessão da baliza de Sgaria.

Com um maior controlo sobre o encontro, Portugal comandava as operações, enquanto que o conjunto transalpino procurava responder em transições rápidas. À passagem dos sete minutos, a seleção portuguesa beneficiou de uma grande penalidade. Gonçalo Alves, que havia estado com pontaria até então, acabou por permitir a defesa de Sgaria. Na recarga, nem ele ou João Rodrigues conseguiram finalizar.

Os comandados de Renato Garrido continuavam a colecionar oportunidades e a cerca de oito minutos e meio, Gonçalo Alves voltou a desperdiçar uma enorme chance para fazer o primeiro. A nível defensivo, o conjunto português não estava a dar hipótese, impondo uma pressão muito alta, o que dificultava a ligação do jogo italiano.

Sempre com mais intensidade e dinamismo, Portugal construía jogo à procura do golo da vantagem. Contudo, a faltarem dez minutos para o intervalo, quem esteve quase a marcar foi a Itália que, através do stick de “Checco” Compagno, viu o esférico bater na barra da baliza de Nélson Filipe. Pouco depois, numa bola recuperada por Hélder Nunes, Jorge Silva ficou muito perto de fazer o primeiro. Todavia, Sgaria deu dois passos à frente e impediu o golo do artilheiro da Oliveirense.

A cerca de sete minutos da pausa, uma desconcentração defensiva da seleção portuguesa quase resultou no golo transalpino. No entanto, Nélson Filipe conseguiu levar a melhor num frente-a-frente diante de Samuele Muglia. Momentos depois, no seguimento de grande oportunidade de golo, Hélder Nunes enrolou a bola ao poste.

Na sequência de um contra-ataque de três para dois a favor de Portugal, a três minutos do intervalo, Elia Cinquini viu um cartão azul devido a uma falta sobre Gonçalo Alves. No respetivo penalti, pois a infração foi feita no interior da área italiana, desta feita o jogador do Porto não falhou e com uma stickada rasteira junto ao poste esquerdo, fez o 1-0. Volvidos alguns instantes, João Rodrigues viu um cartão azul em virtude de uma falta sobre Checco Compagno. O próprio, especialista neste tipo de lances, não desperdiçou e restabeleceu a igualdade.

Terminada a primeira parte, o marcador indicava um empate a 1-1 entre Portugal e Itália. Resultado injusto por tudo aquilo que os jogadores portugueses haviam feito, mas que demonstrava a falta de eficácia/acerto no que diz respeito ao penalti desperdiçado e ás bolas enviadas aos ferros. A jogar no erro do conjunto ibérico, a formação transalpina aproveitou o livre-direto de que dispôs para marcar, devendo ainda um agradecimento ao seu guarda-redes, Bruno Sgaria e aos postes da sua baliza.

Gonçalo Alves foi um dos jogadores mais perigosos da seleção portuguesa, enviando várias bolas aos postes da baliza de Bruno Sgaria
Fonte: Coupe des Nations

O lance inaugural da segunda parte quase resultou em golo português, mas a defensiva italiana não foi na cantiga de Hélder Nunes e João Rodrigues.

Mais remetida à defesa, não avançando muito mais além da linha de três pontos do basquetebol, a Itália procurava explorar o contra-ataque e foi assim que Muglia quase marcou. Porém, Nélson Filipe manteve a baliza portuguesa fechada a sete chaves. Portugal, por outro lado, continuava em busca do golo, mas as redes de Sgaria permaneciam invioláveis.

Sempre com ataques mais longos, a Itália conseguia deter algum do controlo do jogo e diminuir a intensidade do mesmo. Estando sempre atenta a possíveis erros da seleção portuguesa, que aparentava estar a quebrar fisicamente, muito provavelmente, em virtude do esforço despendido na véspera contra a Espanha.

Em cima da marca dos trinta e nove minutos da partida, bela movimentação coletiva de Portugal e Rafa, com todo o espaço do mundo, disparou um míssil que só parou no fundo da baliza transalpina. Estava feito o 2-1. Pouco depois, o terceiro ficou a milímetros, visto que Jorge Silva não conseguiu desviar um passe de Henrique Magalhães. No seguimento do lance, a Itália quase chegou ao empate, mas Nélson Filipe não o permitiu.

A perder e com a passagem à final em causa, a Itália subiu linhas e passou a ser mais objetiva no ataque, não tendo necessitado de muitas oportunidades para marcar. Assim, a seis minutos do fim, falha de marcação da defesa portuguesa e Davide Banini, servido por Davide Gavioli, fez o 2-2. Momentos depois, Checco Compagno, totalmente isolado, ficou perto de fazer o terceiro. No desenrolar da jogada, o próprio cometeu a 10ª falta transalpina. No respetivo livre-direto, Hélder Nunes tirou Sgaria do lance, mas enrolou a bola ao poste direito.

A faltarem quatro minutos para se jogar, nova boa movimentação ofensiva da seleção portuguesa e Jorge Silva, sozinho ao segundo poste, disse sim a um passe de Hélder Nunes, assinando o 3-2. Um minuto mais tarde, uma iniciativa individual de Rafa terminou numa falta no interior da área italiana. João Rodrigues, o capitão de Portugal, assumiu a marcação do penalti, mas acabou por stickar ao lado.

Na frente e mais experiente, a formação portuguesa passou a gerir o encontro, atacando apenas pela certa, tendo tido oportunidades para “matar” o encontro, mas Sgaria manteve a Itália bem viva.

Concluída a partida, Portugal venceu a Itália por 3-2 e tornou-se na primeira seleção a qualificar-se para a final da edição de 2019 da Taça das Nações. Resultado justo pela superioridade que a seleção portuguesa apresentou nos primeiros vinte e cinco minutos, mas, sobretudo, por ter sido o conjunto que mais procurou vencer.

Jogando melhor ou pior e mais ou menos cansados, os comandados de Renato Garrido conseguiram responder de modo positivo aos sustos defensivos e alcançar os golos que permitiram a passagem ao jogo de todas as decisões. A formação italiana, também, demonstrou qualidade, mas poderia ter aproveitado melhor o desgaste físico apresentado pela equipa lusitana.

Nos outros jogos do dia 4 da competição, no que diz respeito ao apuramento do 5º ao 8º lugar, a França goleou a Suíça por 9-2 e a Espanha o Montreux HC por 10-1. Na segunda meia-final, Argentina e Angola proporcionaram um belo jogo de hóquei em patins, mas a seleção albiceleste acabou por vencer por 4-3.

Assim, reedita-se a final de 2017, onde a Argentina derrotou Portugal por 6-5, numa partida extremamente equilibrada e recheada de polémica, como qualquer encontro entre argentinos e portugueses.

O calendário do derradeiro dia da 68ª edição da Taça das Nações é o seguinte:

7.º e 8.º Lugar

13h00 – Suíça vs. Montreux HC

5.º e 6.º Lugar

15h30 – França vs. Espanha

3.º e 4.º Lugar

18h00-Itália vs. Angola

Final

20h30 – Portugal vs. Argentina

Todos os jogos da competição podem ser vistos através do seu canal de Youtube.

Portugal: 10-Nélson Filipe (GR), 6-Gonçalo Alves, 7-Hélder Nunes, 8-Henrique Magalhães e 9-João Rodrigues (CAP.)

Jogaram ainda: 3-Rafa, 4-Vieirinha e 5-Jorge Silva

Banco: 1-Ângelo Girão (GR)

Itália: 1-Bruno Sgaria (GR), 2-Samuel Amato (CAP.), 5-Davide Banini, 6-Francesco “Checco” Compagno e 7-Davide Gavioli

Jogaram ainda: 3-Davide Borsi, 8-Elia Cinquini e 9-Samuele Muglia

Banco: 10-Simone Corona (GR) e 4-Alessandro Faccin

Anterior1 de 3Próximo

Comentários