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Num sempre apetecível Portugal vs Espanha, podia esperar-se que a seleção portuguesa, representada por uma equipa mais experiente e próxima daquela que levará ao mundial de Barcelona, pudesse alcançar mais do que um empate a 4-4. Todavia, não demonstrou capacidade para tal. A partida em si foi boa, o guardião espanhol fez uma grande exibição, mas a sensação final é a do costume. Mesmo com uma formação bem mais jovem, mas bastante talentosa, a La Roja continua a ser melhor no cômputo geral. Pior do que isso é que, ao contrário do conjunto português e do que se antecipava há alguns anos atrás, tem muita matéria prima por onde escolher. Portugal? Infelizmente, nem tanta quanto deveria ter.

O clássico ibérico teve um início intenso e com perigo junto das duas balizas. Martí Casas a ficar perto de marcar através de um desvio em cima de Nelson Filipe, que foi titular em detrimento de Girão, e Hélder Nunes, totalmente isolado, enviou uma picadinha ao poste.

As oportunidades sucediam-se e em virtude de um erro de Hélder Nunes, César Carballeira quase marcou. O atual jogador do Reus Deportiu “deitou” o guardião lusitano, mas acabou por enrolar a bola ao poste. 

Disputados cinco minutos, Sergi Aragonès viu um cartão azul depois de uma falta dura, junto à tabela, sobre Gonçalo Alves. Hélder Nunes foi o escolhido para a conversão do livre-direto, mas não conseguiu bater Martí Zapater com uma stickada direta ou uma picadinha na recarga. 

Em situação de superioridade numérica, Portugal circulou o esférico com velocidade, mas não conseguiu finalizar. Com Martí Zapater a ser um autêntico herói e a negar o golo a João Rodrigues, por duas ocasiões, e a Hélder Nunes numa stickada fortíssima à entrada da área espanhola. 

Retomado o cinco para cinco, Marc Grau, a meias com um patim de Henrique Magalhães, quase fez o primeiro. Pouco depois, Gonçalo Alves obrigou o guardião da La Roja a mais uma enorme intervenção. No seguimento do lance, Nelson Filipe ainda conseguiu travar uma stickada de Marc Grau, mas na recarga, Lluis Ricart, mais rápido que toda a defesa portuguesa, fez o 1-0. 

A perder, Portugal foi à procura de marcar e na sequência de uma stickada de meia distância de Gonçalo Nunes, foi assinalada uma grande penalidade. Gonçalo Alves, que concretizou o penalti que deu a vitória na edição de 2013, não desperdiçou e restabeleceu a igualdade. No entanto, segundos depois, Carballeira fez uso da sua meia distancia e apontou o 2-1 para a Espanha. 

Sempre com uma pressão muito alta e intensa, na qual colocava a seleção portuguesa em situações de desvantagem de três para dois num espaço bastante curto, Espanha não permitia grande perigo a Portugal, que apenas conseguia assustar a defensiva espanhola em recuperações de bola ou contra-ataques. Exemplo disso, foi um lance onde João Rodrigues serviu Vierinha que, totalmente isolado, não foi capaz de enganar Zapater que, com a máscara, impediu o empate. 

Melhor na partida, a seleção espanhola convidava Portugal a cometer erros, sobretudo no capítulo do passe, enquanto que no ataque, sempre pela certa, continuava a ser o conjunto mais perigoso. Fosse de meia distância, movimentações coletivas ou mesmo iniciativas individuais. 

A menos de dez minutos da pausa, Marc Grau viu um cartão azul após um carrinho, tal como se faz no futebol, sobre Henrique Magalhães. Hélder Nunes regressou à marca do livre-direto e desta feita não falhou, fazendo o 2-2. Pouco tempo depois, foi a vez de Gonçalo Alves ver um cartão azul, devido a uma falta sobre Sergi Aragonès. Martí Casas assumiu a conversão do livre-direto, mas Nelson Filipe conseguiu defender. 

Em situação de powerplay, a Espanha nunca conseguiu construir muitas oportunidades de golo de forma coletiva, com os dois principais lances a surgirem através de picadinhas que Nelson Filipe travou.

Já dentro do último minuto antes da pausa, Portugal poderia ter chegado à vantagem, mas Zapater não permitiu o terceiro tento português a Rafa. 

Terminada a primeira parte, Portugal e Espanha empatavam a 2-2. Contudo, o resultado poderia muito facilmente ser diferente, tendo em conta os lances de bola parada desperdiçados e também as várias defesas de alto grau de dificuldade protagonizadas por Nélson Filipe e Martí Zapater. Todavia, a seleção espanhola estava melhor, sendo muito criteriosa a atacar e ainda mais a defender. Dificultando imenso a saída do conjunto orientado por Renato Garrido para o ataque ou a possibilidade de construir jogo no meio rinque espanhol. 

César Carbelleira foi sempre um dos mais perigosos da seleção espanhola, obrigando Nélson Filipe a estar muito atento ás suas stickadas de meia distância
Fonte: Coupe des Nations

A segunda parte quase que começou com um novo golo espanhol, mas o desvio de Carbelleira esbarrou no poste da baliza de Nélson Filipe. Não marcou a Espanha, marcou Portugal. Jorge Silva apareceu sozinho diante Zapater e não falhou, assinando o 3-2. Colocando a seleção portuguesa pela primeira vez no comando do marcador. Momentos depois, de modo involuntário, João Rodrigues ficou isolado, mas não quis ser egoísta e procurou colocar o esférico num colega melhor colocado, o problema é que ninguém o acompanhou.

Em cima da marca dos trinta e um minutos, Hélder Nunes viu um cartão azul devido a ter derrubado César Carbelleira, ainda que de forma intencional. Marc Juilà foi o selecionado para a conversão do livre-direto e não perdoou, fazendo o 3-3 com uma bela picadinha. Volvidos alguns instantes, Sergi Aragonès viu um novo azul em virtude de um enganchamento sobre Henrique Magalhães, que momentos antes havia saído de uma “cabine telefónica” com muita classe. Desta feita, foi João Rodrigues a ser escolhido para a marcação do livre-direto e com uma adaptação da sua forma habitual de bater penaltis, apontou o 4-3.

A nova vantagem de Portugal durou apenas alguns segundos, visto que, devido a um erro de marcação de Vieirinha, Lluís Ricart restabeleceu o empate. 

O dinamismo e a intensidade regressaram à partida, tendo em conta que a fase inicial do segundo tempo parecia indicar um futuro diferente, com as situações de perigo a sucederem-se em cada baliza. 

Jogados trinta e cinco minutos, Portugal cometeu a sua 10ª falta. Motivado pelo golo marcado pouco tempo antes, Marc Julià voltou a assumir a conversão do livre-direto, mas no segundo duelo com Nélson Filipe, o guardião luso levou a melhor.

Com o passar dos minutos, o encontro deixou de ser tão bem jogado e de haver tantas oportunidades de golo como antes. Porém, o empate a 4-4 não servia para a Espanha seguir em frente, sendo que para Portugal chegava e sobrava. Não só para passar, como para vencer o grupo A.

Mais experiente, a seleção portuguesa começou a gerir o empate, atacando apenas pela certa e defendendo de forma bastante concentrada. Não permitindo qualquer oportunidade ao conjunto espanhol.

A menos de um minuto do fim, Portugal ficou bem perto de voltar para a dianteira, mas Rafa, totalmente isolado, enrolou a bola ao lado da baliza espanhola. No seguimento do lance, Gonçalo Nunes tentou marcar de picadinha, mas Zapater impediu o quinto golo português. 

Sem nada a perder, Alejandro Domínguez retirou o guarda-redes e colocou Jordi Burgaya como quinto jogador de campo. Todavia, a mudança não deu frutos e o jogo terminou empatado. 

Concluído o duelo ibérico, o marcador indicava um empate a 4-4 entre Portugal e Espanha. Resultado que se ajusta ao produzido em pista por ambas as seleções. Que foi muito e de boa qualidade, sempre com um ritmo elevado e com bastante dinâmica, sobretudo nos segundos vinte e cinco minutos. Ainda assim, o grande destaque vai para a eliminação da La Roja que, pela primeira vez desde o torneio se disputa neste formato (Fase de Grupos e Eliminatórias), nunca havia falhado as meias-finais. 

Nas outras partidas do derradeiro dia da fase de grupos, começando pelo A, Angola goleou a Suíça por 11-4 e em virtude do empate entre portugueses e espanhóis qualificou-se para as semifinais. Feito que tem conseguido alcançar desde 2007. No que diz respeito ao grupo B, a Itália venceu Montreux por 4-1 e devido à goleada da Argentina, que passou em primeiro, sobre a França por 6-0 também segue para as meias-finais. 

Assim, o calendário do dia 4 da 68ª edição da Taças das Nações é o seguinte: 

Quinto ao Oitavo lugar

  • 13h00-França vs Suíça
  • 15h30-Espanha vs Montreux

Meias-Finais

  • 18h00-Portugal vs Itália
  • 20h30-Argentina vs Angola

Todos os jogos da competição podem ser vistos através do seu canal de Youtube.

Portugal: 10-Nélson Filipe (GR), 6-Gonçalo Alves, 7-Hélder Nunes, 8-Henrique Magalhães e 9-João Rodrigues (CAP.); Jogaram ainda: 3-Rafa, 4-Vieirinha e 5-Jorge Silva

Espanha: 10-Martí Zapater (GR), 2-Sergi Aragonès, 4-Sergi Llorca, 5-César Carballeira e 8-Martí Casas; Jogaram ainda: 3-Lluis Ricart, 6-Marc Julià e 7-Jordi Burgaya (CAP.) e 9-Marc Grau

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