Após seis dias repletos de hóquei em patins, chegou ao final a fase de grupos da 53.ª edição do Europeu da modalidade que está a realizar na Corunha, Espanha, no Palacio de los Deportes de Riazor.

Portugal, inserido no grupo A, realizou uma fase de grupos em crescendo, tal como se poderia antecipar, tendo somado quatro vitórias em quatro jogos. Todavia, pese embora tenha vencido todos os jogos, no primeiro encontro a “sério” que teve contra a França, acabou por demonstrar alguns défices defensivos, que acabaram por ser suplantados por uma enorme determinação coletiva, que levou Portugal a virar o marcador e vencer a partida.

No domingo, Portugal fez a sua estreia no Europeu e diante de uma jovem seleção de Andorra, não necessitou de muito tempo ou esforço para garantir uma vitória segura e volumosa. Nem três minutos haviam sido jogados e a Portugal já vencia por 3-0. Antes da pausa, Rafa bisou e levou a seleção nacional a vencer por 5-0 para as cabines. O segundo tempo não trouxe nada de novo e sem impor um grande ritmo em rinque, os comandados de Luís Sénica foram aumentando a diferença no marcador até aos 11-0 finais.

Na segunda jornada, Portugal teve um teste, teoricamente e que se confirmou na prática, mais difícil ao defrontar a seleção da Suíça. A seleção nacional já se apresentou muitos furos acima daquilo que havia demonstrado na véspera. Impondo mais ritmo, velocidade e intensidade em pista, mas diante de um conjunto suíço que limitou a defender, baixando muito as linhas, saindo nunca ou raramente da zona do “garrafão” do basquetebol, acabou por ter dificuldades em chegar ao golo.

Não era nada fácil entrar no quadrado da seleção da Suíça e mesmo quando o conseguiu fazer, teve pela frente uma autêntica “parede” chamada Guillaume Oberson. Guardião do HC Montreux, que realizou uma enorme exibição e que foi travando grande parte dos lances que os seus colegas não conseguiram travar. Mesmo com uma enorme diferença de potencial entre as duas equipas, esta forma de abordar o jogo por parte da Suíça, fez com que, chegado o intervalo, o marcador somente indicasse uma vantagem de 2-1 a favor de Portugal. Na segunda metade a partida quase não se alterou, mas com maior ou menor dificuldade, Portugal foi avolumando o score até ao resultado final de 7-1. Segunda vitória em outros tantos jogos para a seleção nacional antes do dia de folga, mas nota negativa para os seis lances de bola parada (um livre-direto e cinco penaltis) que Portugal não conseguiu concretizar.

Terça-feira foi dia de folga, mas no regresso ao rinque do Riazor, Portugal não acusou a pausa e manteve o crescimento. Diante da Áustria, o conjunto mais fraco do seu grupo, a seleção nacional fez sua melhor exibição até então, tendo imposto um ritmo alto e melhorado alguns dos défices demonstrados perante a Suíça. Deficiências essas que se focavam mais na área da concretização.

A jogar bem e a marcar golos belos golos através de lances coletivos, o conjunto orientado por Luís Sénica chegou aos quinze minutos do primeiro tempo a vencer por 8-0. Segundos antes do intervalo, Rafa fez o 9-0 e o resultado registado ao intervalo. Nos segundos vinte e cinco minutos, o sentido do encontro manteve-se e Portugal foi marcando mais uns golos, mas, também, aproveitando para gerir forço para o que se seguia no campeonato da europa (a discussão do primeiro lugar do grupo com a França e a posterior fase a eliminar). Todavia, a Áustria ainda conseguiu marcar o seu golo de honra por intermédio de Stefan Sahler, fixando o marcador em 15-1.

João Rodrigues tem estado com o stick quente, tendo marcado por dezoito ocasiões durante a fase de grupos
Fonte: World Skate Europe RinkHockey

Na última jornada da fase de grupos, Portugal defrontou a França, seleção que venceu todos os encontros em que seria teoricamente mais forte, mesmo contando, somente, com oito jogadores na ficha de jogo, na partida que decidiu o primeiro e segundo lugar do grupo A. A seleção nacional entrou a perder, mas respondeu bem e conseguiu chegar ao empate. A igualdade durou apenas alguns segundos e pouco depois do 2-1, o conjunto gaulês fez o 3-1. Portugal jogava bem, mas não conseguia marcar, muito devido a uma excelente exibição de Keven Correia, guarda-redes com raízes lusitanas e que na próxima época vai reforçar o Valença HC. Desta forma, terminada a primeira metade, os comandados de Luís Sénica iam perdendo por 3-1.

A entrar na segunda parte em desvantagem, Portugal teve de correr atrás do resultado, mas Keven Correia foi negando o golo português. O balanço ofensivo lusitano foi tal que, num lance de contra-ataque, Carlo Di Benedetto aumentou a vantagem francesa para 4-1. A seleção nacional carregava e passados alguns minutos, Gonçalo Alves aproveitou uma grande penalidade para reduzir a diferença para 4-2. O golo deu um novo alento ao conjunto luso que, minutos depois, a partir de um lance de insistência de Diogo Rafael, João Rodrigues fez o 4-3. Portugal “cheirava” o empate e num novo lance entre os antigos companheiros de equipa no Benfica, João Rodrigues restabeleceu a igualdade.

Com pouco mais de um minuto para o final, Diogo Rafael apontou o 5-4 e garantiu uma vitória, totalmente, “arrancada a ferros”, assim como, o primeiro lugar do grupo para Portugal. Contudo, apesar da vitória, será necessário ter em conta os erros defensivos que resultaram em grande parte dos golos de França, mas, também, os três livres-diretos desperdiçados. Nota para que durante toda fase regular, a seleção nacional dispôs de treze lances de bola parada, sete livres-diretos e seis penaltis, tendo apenas concretizado um livre-direto e uma grande penalidade.

No que ainda diz respeito ás contas do grupo A, a Andorra acabou por ser a grande surpresa, ao finalizar a fase regular na terceira posição à frente da Suíça, que terminou em quarto, em virtude das vitórias contra a Áustria, o “lanterna vermelha”, por 6-0 e, precisamente, diante do conjunto suíço por 3-2.

No grupo B, Espanha e Itália não deixaram créditos por mãos alheiras e demonstraram ser as seleções mais fortes. Após goleadas diante da Bélgica e Holanda, Inglaterra e, sobretudo, a Alemanha foram conjuntos que maiores dificuldades conseguiram impor a espanhóis e transalpinos.

No entanto, nenhuma das duas perdeu pontos e o primeiro lugar do grupo ficou por definir no confronto direto entre a “La Roja” e a “Squadra Azzurra”. Numa partida muito equilibrada, bastaram dois momentos para a Espanha levar de vencida a Itália por 2-0. Na primeira parte, uma distração de Federico Ambrosio ofereceu a Nil Roca os milésimos de segundo que necessitava para ganhar espaço e só com Barozzi pela frente, atirou a contar para o 1-0. Na segunda metade, através da 10ª falta transalpina, Jordi Adroher apontou o 2-0.

Continuando no grupo B, Alemanha e Inglaterra, apesar de terem perdido os seus jogos contra a Espanha e a Itália, demonstraram qualidade e evolução do Hóquei em Patins praticado e, por isso, não é de estranhar que tenham vencido as partidas contra a Holanda, que também demonstra ter alguma qualidade que pode e de ser trabalhada, e contra a Bélgica. No jogo que decidiu o terceiro e quatro lugar do grupo, o conjunto germânico acabou por ser mais forte e derrotar os britânicos por 8-4. No encontro entre os dois últimos classificados, a Holanda confirmou a superioridade teórica que vinha apresentando e goleou a seleção belga por 10-5.

Nesta fase de grupos da 53.ª edição do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins, nota ainda para dois recordes. Logo na primeira jornada, a Itália aplicou a maior goleada de sempre em Europeus, ao ter derrotado a Bélgica por 24-0. Na terceira ronda, destaque para o golo apontado pelo belga Serge Berthels, atleta de 52 anos carinhosamente conhecido como o Avô da Bélgica, que se tornou no jogador mais velho de sempre a marcar num Campeonato da Europa.

O calendário do Europeu para sexta-feira é o seguinte:

Definição do 9.º ao 11.º lugar

9h00: Áustria vs Bélgica

Quartos de final

11h30: Alemanha vs França

16h30: Andorra vs Itália

19h00: Suíça vs Espanha

21h00: Inglaterra vs Portugal

Foto de Capa: World Skate Europe RinkHockey

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