Anterior1 de 3Próximo

No primeiro dia de competições europeias de 2019, o Benfica realizou uma boa exibição contra o Noia, mas acabou por ceder um empate a 4-4 perante um conjunto espanhol que nunca se deu por derrotado. Ainda assim, disputadas quatro jornadas da Liga Europeia, os encarnados continuam na liderança do grupo D com dez pontos somados, mais um do que os italianos do Roller Monza, tendo já carimbado a presença nos quartos-de-final da competição.

Numa partida que arrancou a um ritmo estonteante, o Benfica apenas necessitou de um minuto e meio para abrir o ativo. Num erro na saída para o ataque, Nicolia serviu Adroher, que, isolado perante Marti Zapater, fez o 1-0. Momentos depois, Nicolia esteve perto de aumentar a vantagem encarnada, mas não conseguiu bater o guardião espanhol.

Com a alta pressão do Benfica, por vezes existiam espaços nas suas costas e foi exatamente dessa maneira que o Noia quase restabeleceu o empate. No entanto, Pedro Henriques, com as caneleiras, negou o golo a Sergi Llorca.

Sem muito tempo para respirar, o Benfica não estava a conseguir criar os desequilíbrios pretendidos. A única exceção foi um lance em que Adroher, novamente isolado, não conseguiu avolumar a vantagem vermelha e branca. Em contra-ataque, o Noia tentava surpreender as águias, a quem ia valendo Pedro Henriques para manter a vantagem no marcador. 

Apesar das várias mexidas dos dois técnicos nos cincos iniciais, o ritmo de jogo continuou bastante alto. Mesmo estando bem a nível defensivo, sobretudo no que diz respeito ao roubo de bola e à reação à perda, os comandados de Alejandro Domínguez, que fez a sua estreia pelo Benfica nas competições europeias, não conseguiam superar a muralha de Noia, que fechava todos os caminhos para a baliza de Marti Zapater.

A cerca de sete minutos e meio do intervalo, o Benfica beneficiou de uma grande penalidade em virtude de uma falta cometida sobre Valter Neves. Albert Casanovas, chamado à marcação do penálti, não desperdiçou a oportunidade e fez o 2-0. Noventa segundos depois, em virtude de uma recuperação de Nicolia em terrenos bastante avançados, Lucas Ordoñez dispôs de uma excelente oportunidade para fazer o terceiro, mas acabou por picar o esférico por cima da “porteria” espanhola.

A menos de cinco minutos da pausa, no seguimento de um lance em que o Noia reclamou penálti, Humberto Mendes, conhecido por “Big” no mundo do hóquei em patins, acabou por ver um cartão vermelho por protestos. Devido a esta incidência, o Benfica ficou em situação de powerplay durante dois minutos. Os encarnados, apesar de um susto sofrido nos instantes iniciais da superioridade numérica, não necessitaram de muito tempo para aproveitar o jogador extra em pista e, servido por Nicolia, Diogo Rafael apontou o 3-0. Momentos depois, o Noia usufruiu da 10ª falta benfiquista, que ocorreu devido a uma infração de Ordoñez sobre Xavi Costa. Sergi Llorca foi o escolhido para a conversão do livre-direto e, com uma stickada direta, reduziu a desvantagem espanhola para 3-1. 

O Benfica não se intimidou com o golo do conjunto catalão e foi à procura do quarto. Tento que ficou muito perto de ocorrer a menos de cento e vinte segundos do intervalo. Contudo, a barra não foi “amiga” de Nicolia. 

Concluída a primeira parte, o Benfica vencia por 3-1. A equipa portuguesa não foi muito superior no que diz respeito ao capítulo das oportunidades de golo, mas a maior qualidade técnica dos seus intervenientes e a capacidade de recuperação de bolas foi decisiva para o resultado. O Noia, por seu lado, não esteve mal, mas não conseguiu aproveitar o espaço nas costas da defensiva das águias.

Sergi Llorca foi um dos jogadores em maior destaque na equipa de Noia
Fonte: Carlos Silva Photography / Bola na Rede

O Benfica entrou muito forte no segundo tempo, que manteve a toada do primeiro, e por pouco não chegou ao quarto. No entanto, Marti Zapater conseguiu travar uma bola enrolada por Casanovas, no seguimento de uma situação de passe e corte com Diogo Rafael. Minutos depois, foi a vez do número quatro das águias procurar servir Adroher, mas o experiente jogador espanhol viu “o pão ser-lhe tirado da boca” mesmo em cima da linha de golo. Tal como havia feito nos 25 minutos iniciais, o Noia procurava surpreender em contra-ataque, mas Pedro Henriques continuava bem.

Mais forte a nível físico, o Benfica forçava o quarto golo da tarde, tendo acabado por conseguir alcançar a 10ª falta do Noia. Lucas Ordoñez foi o selecionado para a marcação do livre-direto, mas não conseguiu aumentar a vantagem portuguesa. No seguimento do lance, Nicolia viu um cartão azul devido a uma falta sobre Aleix Esteller. Marc Grau assumiu a conversão do livre-direto, mas acabou por enrolar o esférico ao poste direito da baliza da equipa da casa.

Em situação de superioridade numérica, o Noia carregou à procura do golo, mas Pedro Henriques, com maior ou menor dificuldade, conseguiu travar todas as iniciativas dos espanhóis. 

Reposto o cinco para cinco, o Benfica continuava a impôr uma enorme intensidade no encontro enquanto procurava desmontar a teia defensiva do Noia, o que não era nada fácil. Por outro lado, o Noia, já sem a frescura física da primeira metade, explorava as transições rápidas para criar perigo. 

A boa capacidade de reação à perda e ao roubo de bola continuava a fazer-se notar no estilo de jogo das águias e, com cerca de 12 minutos para o final, Diogo Rafael, ao ter recuperado o esférico a meio campo, ficou perto do quarto. Passados dois minutos, roubo de bola de Vieirinha e situação de dois para um a favor do Benfica. O jovem encarnado serviu Nicolia em bandeja de ouro, mas o astro argentino acertou muito mal na bola e facilitou a intervenção de Marti Zapater. Contudo, segundos depois, Nicolia ligou o turbo e assistiu Valter Neves, que, solto ao segundo poste, só teve de encostar para fazer o 4-1. 

Sem nunca baixar os braços, o Noia tentou responder ao quarto tento encarnado e, a cerca de cinco minutos e meio do fim, Sergi Aragonés, com uma bola enrolada que Pedro Henriques não deve ter visto partir, reduziu a desvantagem dos espanhóis para 4-2.

Na frente e com dois golos de vantagem, os encarnados começaram a gerir o jogo, fazendo uso dos quarenta e cinco segundos de ataque na sua totalidade, atacando a baliza apenas em situações bastante favoráveis. 

Já com menos de um minuto para se jogar, o Noia reabriu a discussão da partida em virtude de Xavi Costa ter aproveitado uma bola perdida à entrada da área para reduzir o marcador para 4-3. Sem nada a perder, o treinador do Noia arriscou tudo e tirou o guarda-redes, opção que se veio a revelar acertada visto que, a cinco segundos do final, Sergi Llorca apontou o 4-4 e restabeleceu empate no marcador, que não se alterou mais. 

Terminado o encontro, Benfica e Noia empataram a 4-4. Resultado que poucos (ou ninguém) conseguiriam antever antes do começo do jogo e que, mesmo assim, garante qualificação das águias para os quartos-de-final da Liga Europeia de hóquei em patins. Todavia, a igualdade é um prémio para o conjunto espanhol, que, apesar de ter estado a perder por três golos de diferença, nunca atirou a toalha ao chão e nos derradeiros segundos do encontro arriscou e foi feliz.

As outras equipas portuguesas presentes na Liga Europeia também não tiveram um dia nada fácil. Em casa, o Sporting venceu o Liceo por 6-4 num encontro bastante equilibrado e garantiu a qualificação para os quartos-de-final. No Palau Blaugrana, Barcelona e Oliveirense deram espetáculo, com a vitória a sorrir aos catalães por 7-6. Resultado que obriga o conjunto de Oliveira de Azeméis a ter de vencer os dois últimos jogos da fase de grupos para seguir em frente na prova. Em Itália, o Porto empatou com o Amatori Lodi a 1-1 e também adiou a qualificação para a próxima fase da competição.  

Na WS Europe Cup, o Tomar recebeu e venceu os italianos do Sarzana por 5-3, mas acabou por ser eliminado. O Juventude de Viana foi até Espanha perder contra o Voltregà por 4-2, resultado que elimina o conjunto português da competição. Em terras trasalpinas, o Turquel conseguiu empatar a 4-4 contra o Viareggio, mas também foi eliminado da prova. Assim, pela primeira vez desde 2012/2013, Portugal não vai ter nenhuma equipa presente nos quartos-de-final da WS Europe Cup.

SL Benfica: 1-Pedro Henriques (GR), 3-Albert Casanovas, 4-Diogo Rafael, 5-Carlos Nicolia e 7-Jordi Adroher; Jogaram ainda: 2-Valter Neves (CAP.), 9-Lucas Ordoñez e 74-Vieirinha.

CE Noia: 10-Marti Zapater (GR), 4-Aleix Esteller (CAP.), 6-Xavi Costa, 8-Humberto Mendes e 44-Sergi Llorca; Jogaram ainda: 9-Marc Grau, 55-Sergi Aragonés e 66-Edu Fernández.

Anterior1 de 3Próximo

Comentários