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Só falta um passo. Quando faltam apenas alguns meses para esta nova versão do hóquei em patins sénior do Sporting cumprir dez anos, somente falta mais uma vitória para conseguir “vingar” uma derrota com trinta anos. O desaire na final da Taça dos Campeões Europeus diante dos espanhóis do CE Noia por um total de 10-5. Na semifinal contra o Benfica, os leões foram sempre melhores e no domingo podem vencer a sua segunda Liga dos Campeões de Hóquei em Patins.  

O encontro arrancou de forma equilibrada, mas cedo Casanovas e Gil colocaram Girão e Pedro Henriques em sentido, criando perigo através de stickadas de meia distância. 

Com linhas muito altas, à espanhola, o Benfica conseguia condicionar a construção de jogo do Sporting que, por muitas vezes, era obrigado a falhar passes e a partir para a stickadas de muito longe.

Em cima da marca dos cinco minutos surgiu a primeira grande chance de golo. Contra-ataque de três para dois a favor do Sporting e Henrique Magalhães, a passe de Gil, não conseguiu concretizar. Passados dois minutos e meio, na sequência de um ataque do Benfica, o “veterano” Pedro Gil não desistiu do lance, retirou o esférico do alcance de Adroher e com uma stickada em zona frontal fez o 1-0. Pouco depois poderia ter chegado o segundo, mas Pedro Henriques voltou a negar o golo a Henrique Magalhães.

Na frente e a jogar em casa os leões controlavam, dentro dos possíveis, o jogo. Procurando aproveitar as melhores situações para atacar, como estar sempre muito fechados e organizados a defender. Diminuindo as armas do Benfica às meias distâncias. 

O Sporting continuava melhor e apesar de algumas situações de inferioridade numérica atacante, a qualidade técnica individual de cada jogador verde e branco ajudava a surpreender e por muito pouco que, a cerca de doze minutos da pausa, Caio, servido por Font, que havia passado por meio de dois atletas encarnados, não aumentou o score. 

A menos de dez minutos do intervalo, jogada coletiva do Sporting e mais rápido que Ordoñez, Matías Platero, servido por Gonzalo Romero, não falhou e fez o 2-0. Momentos depois, Diogo Rafael apanhou-se com muito espaço, disparou um “míssil” e reduziu o marcador para 2-1. Boa resposta das águias que, assim, rapidamente voltavam a entrar na discussão do dérbi. 

Nos últimos minutos do primeiro tempo, a intensidade em pista aumentou e tanto sportinguistas como benfiquistas ficaram perto de voltar a finalizar. Porém, os guarda-redes ou defesas conseguiram sempre superiorizar-se aos atacantes. A exceção ocorreu a pouco mais de dois minutos para o toque da buzina, quando através de contra-ataque de dois para um, Matías Platero, assistido por Gil e com muita sorte à mistura, assinou o 3-1. 

Terminada a primeira metade o Sporting vencia o Benfica por 3-1. Resultado justo pelo que as duas equipas produziram em pista e que poucas ou mesmo nenhumas alterações se notam em relação à última partida entre estes dois conjuntos no passado mês de janeiro. A pressão alta das águias pode ter ajudado, por vezes, a condicionar a construção do jogo dos leões, mas também teve efeitos negativos, como chegar atrasado em situações chave. Foi assim com os comandados de Paulo Freitas marcaram dois golos. Outro deles resultou das habituais precipitações das águias que, sem espaço, stickam de imediato à baliza adversária. Defensivamente bem organizada, a equipa leonina não facilitava e quando era necessário, sobretudo devido à meia distância encarnada, Girão fechava a sua baliza “a sete chaves”.

Gonçalo Alves foi a principal figura azul e branca na vitória diante do Barcelona por 2-1
Fonte: Carlos Silva Photography/Bola na Rede

O Benfica entrou na segunda parte com vontade de marcar e logo nos instantes iniciais Diogo Rafael e Nicolia testaram a atenção de Girão. Ao seu jeito o Sporting estava bem, gerindo o resultado, respondendo com igual qualidade ás situações de golo das águias.

Com o tempo a passar, os encarnados continuavam com dificuldades em criar lances de perigo junto à baliza de Girão e quando conseguiam chegar mais perto, Platero, que fez um jogo espetacular, tirava o “pão da boca” aos jogadores vermelho e brancos. Para além disto, só mesmo através do recurso à meia distancia os comandados de Alejandro Domínguez conseguiam dispor de oportunidades de finalização. Em sentido contrário, devido ás linhas muito altas apresentadas pelo Benfica, “mágicos” como Ferran Font aproveitavam para brilhar e só por muita sorte o marcador não se avolumava. 

Por cima jogo e no marcador, o Sporting geria o tempo e fechava todos os caminhos para a sua baliza. Algo que era mais do que suficiente para suster um Benfica sem ideias coletivas, que apenas conseguia criar alguma expectativa em torno do que poderia fazer, devido à qualidade individual dos seus executantes. 

A faltarem nove minutos e meio para o final, num lance praticamente surgido do nada, o Sporting voltou a fazer uso do espaço oferecido pela defesa encarnada e Henrique Magalhães, servido por Gonzalo Romero, na sequência de um simples mas eficaz passe e corte, apontou o 4-1. A resposta ao quarto tento leonino não se fez esperar e pouco depois, Diogo Rafael, um dos mais inconformados do lado benfiquista, bisou e reduziu a diferença para 4-2. 

O renascimento do Benfica parecia estar a acontecer e momentos depois do golo de Diogo Rafael, Carlos Nicolia, com uma belíssima stickada cruzada, fez o 4-3. Girão não teve qualquer hipótese de defesa. Assim, a cerca de seis minutos do fim, o dérbi estava relançado. Pouco depois, numa perda de bola de Casanovas, Font, totalmente isolado, quase acabou com o jogo, mas Pedro Henrique manteve as águias vivas. No seguimento da partida, Ordoñez, a passe de Nicolia e também com imensa sorte à mistura, concluiu a recuperação dos encarnados do marcador em apenas três minutos. Tudo voltava à estaca zero. Cada conjunto tinha oito faltas, o que poderia ser um fator importante. Todavia, a cerca de dois minutos do fim, a defesa benfiquista resolveu, mal, dar espaço a Gonzalo Romero que, com uma grande stickada de meia distância em zona frontal, voltou a colocar o Sporting na dianteira, desta feita por 5-4. 

Sem nada a perder, Alejandro Domínguez retirou Pedro Henriques e colocou Casanovas em pista, mas foi o Sporting que mais perto ficou de marcar e apenas por milagre não aumentou o marcador. 

Finalizado o encontro o Sporting venceu o Benfica por 5-4, numa partida onde foi quase sempre melhor, regressando a uma final da Liga dos Campeões de hóquei em patins trinta anos depois da última presença. Sendo que na altura a prova ainda se denominava de Taça dos Campeões Europeus. Sempre mais inteligente e organizado, o conjunto leonino soube aproveitar as debilidades do estilo de jogo das águias e mesmo quando se deixou empatar não tremeu e mal teve uma nova oportunidade para poder resolver a semifinal, não falhou. 

Na final que se vai disputar no domingo, pelas 18h00 e com transmissão na RTP1, o Sporting vai defrontar o Porto, num inédito encontro entre estas duas equipas nesta fase da competição, que na manhã de sábado derrotou o Barcelona no desempate por penaltis por 2-1. Num jogo onde foi sempre superior, os dragões finalmente conseguiram derrotar os blaugrana numa partida decisiva e voltar a carimbar a presença na partida de todas as decisões da Liga Europeia. 

Sporting CP: 61-Ângelo Girão (GR e CAP.), 9-Pedro Gil, 17-Matías Platero, 57-Toni Pérez e 88-Henrique Magalhães ; Jogaram ainda: 4-Ferran Font, 8-Caio, 27-Raul Marín e 99-Gonzalo Romero; Banco: 91-Zé Diogo Macedo (GR)

SL Benfica: 1-Pedro Henriques (GR), 3-Albert Casanovas, 4-Diogo Rafael, 7-Jordi Adroher e 74-Vieirinha; Jogaram ainda: 2-Valter Neves (CAP.), 5-Nicolia, 9-Lucas OrdoñezBanco: 44-Miguel Rocha

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