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“Antes da partida, disse aos meus jogadores que eram os 50 minutos da nossa vida. Eram os últimos 50 minutos deste campeonato e que podiam valer a conquista do campeonato. Sabíamos que tínhamos que morrer, deixar a pele em campo e foi isso que nós fizemos. Deixámos tudo dentro do ringue.”

Paulo Pereira, treinador do Valongo

Incríveis, fantásticos, enormes. Poderia ter aqui uma lista enorme de adjectivos que mesmo assim seria pouco para descrever os atletas do Valongo. No sábado, não se ganhou apenas um campeonato, mas também entrou-se para a história do hóquei nacional.

Tudo se decidia em Valongo. A cidade do hóquei recebia o jogo decisivo. De um lado, a sensação do campeonato, o Valongo, com uma oportunidade de subir ao Olimpo do hóquei. Do outro, o campeão nacional, Porto, procurava ser bi-campeão e justificar a sua hegemonia no hóquei nacional. Equipas diferentes, ambições iguais.

Os homens da casa começaram melhor. Pressionantes, um livre directo falhado e um golo aos seis minutos, por Nuno Araújo, deram o mote para uma tarde histórica. Valongo na frente e lançado para alcançar esse tão desejado título. Mas o Porto, surpreendido, arregaçou as mangas e meteu mãos à obra. Caio e Ricardo Oliveira deram a volta. Porto estava na frente  (só precisava do empate para ser campeão), mas por pouco tempo. Ainda antes do intervalo, Rafa empatava, sendo o prenúncio de uma tarde de sonho para o jogador.

Rafa teve uma tarde de sonho Fonte: ADValongo.pt
Rafa teve uma tarde de sonho
Fonte: ADValongo.pt

O mesmo protagonista iria colocar o Valongo em vantagem e deixar o pavilhão em festa. Mas o público iria sofrer outro balde água fria, quando Caio voltou a empatar a três golos e a colocar o Porto perto de se sagrar campeão. Mas a festa dos homens do Valongo estava reservada para o fim. Fiéis ao que foi o seu desempenho neste campeonato, os homens da casa nunca desistiram e conseguiram dar a volta ao resultado. Foi um final frenético. Telmo Pinto fez o 4-3 aos 18 minutos; no mesmo minuto, Hélder Nunes falhou o livre directo que daria o empate ao Porto, a juntar a outros dois livres directos dos jogadores do Porto. Já no final, Tó Neves abdicou do guarda-redes para procurar o empate, mas uma bola perdida a meio-campo deu a Rafa a oportunidade de, sozinho, ir para a baliza portista e marcar o 5-3 final. Isto a 13 segundos do fim. O pavilhão foi abaixo.

Os heróis  de Valongo Fonte: ADValongo.pt
Os heróis de Valongo
Fonte: ADValongo.pt

Agora era oficial, o titulo já não escapava. Jogadores a festejar, adeptos a cantar. Um prémio justo para este Valongo. Nunca deixaram de acreditar quando poucos acreditavam, nunca acusaram a pressão. Com um percurso fantástico, onde foi quase sempre líder, com apenas uma derrota em casa, estes atletas mereceram por completo o título de campeão. A cidade do hóquei já merecia.

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