A caminhada até Paris #5: Ténis

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    O ténis nasce no século XIX em Inglaterra, contudo acredita-se que foi em França, em pleno século XII, que se começou a praticar um jogo cujo objetivo consistia em bater a bola com a mão. Quatro  séculos mais tarde , com o surgimento das raquetes esse jogo passou a ser denominado “Tenez” que no francês antigo se podia traduzir por “segure” ou “receba”.

    Homologação das regras e aparecimento dos maiores torneios da modalidade

    Se alguma data pode ser considerada como a precursora do incrível, fascinante e admirável desporto da bola amarela, então podemos apontar o ano de 1877 como tal! Foi  em  Londres  que se realizou pela primeira vez aquela que muitos consideram como a competição de ténis mais: mítica, emblemática e prestigiante do planeta, falo dos Campeonatos Internacionais de Wimbledon. Dois anos mais tarde e na sequência do debate gerado após a realização do mesmo pela primeira vez , acerca da regulamentação das regras, surge a United Stats National Lown Tenis Association, que para além das questões que se prendiam com a regulamentação foi igualmente fundamental na organização e realização de competições. Já em 1924 surge a hoje designada Federação Internacional de Ténis, ITF, que homologou, teorizou e regulamentou as regras para uma partida oficial de ténis tal como aos dias de hoje presenciamos, nomeadamente com a instauração de um jogo decisivo , o Tie-break, sempre que um set chega empatado aos seis jogos. De referir ainda que em 1881 teve lugar o primeiro ato do US Open, com Roland Garros a surgir dez anos mais tarde . Já o Open da Austrália, inicialmente jogado sob relva tal como o US Open , veria a luz do dia apenas em pleno século XX, mais concretamente no ano de 1905. Quanto à competição mais importante de seleções masculinas, a Davis Cup, teria início em 1900 com a correspondente do lado feminino, Fed Cup, entretanto rebatizada Billie Jean King Cup, a iniciar-se apenas em 1963.  

    Países onde a modalidade goza de maior popularidade arrastando mais entusiastas

    Cada vez mais uma modalidade transversal e comum a todas as latitudes do globo, o ténis é figura de proa em países como : Inglaterra, onde teve origem, França, Espanha , EUA e Argentina. Em territórios como o australiano ,o suíço, o sueco, o alemão e o sérvio, muito pelos feitos que já alcançaram na modalidade, são locais onde é frequente ver estádios lotados para contemplar os maiores magos do planeta ténis, sendo que muitos exemplos mais haveria a pronunciar. Considero que na atualidade até mesmo os países asiáticos como a China e o Japão oferecem grandes audiências a este desporto, por isso mesmo é uma modalidade cada vez mais: universal, multicultural e multirracial! Das poucas capazes de unir pessoas de diferentes proveniências, estratos sociais e credos!

    O ténis e os Jogos!

    Uma das modalidades mais assistidas da atualidade no decurso das olimpíadas,  embora nem sempre assim tenha sido, tomou parte na edição inaugural da festa do desporto em Atenas 1886. De referir que foi modalidade olímpica numa primeira fase até aos jogos de Paris 1924, sendo removida em Amesterdão quatro anos mais tarde. Depois de duas aparições como modalidade de demonstração na edição de 1968 no México e na de 84  em Los Angeles, seria apenas em Seul  88  que o ténis se fixaria no programa dos jogos de forma definitiva até aos dias de hoje.  De salientar que  até Atlanta 1996 os/ as atletas que saíam derrotados das meias finais partilhavam a medalha de bronze, sendo que apenas a partir da referida edição tem lugar a partida de atribuição do metal mais baixo numa olimpíada. De acrescentar ainda que e por esta ordem: EUA, Grã-Bretanha e França são os países com mais medalhas na história do ténis a nível olímpico, bem como realço o facto de ao longo da história do olimpismo terem já sido mais de quarenta os países que conquistaram , pelo menos, uma medalha em competições de ténis. Isto num desporto no qual os homens levam 16 edições cumpridas e as mulheres menos duas, sem esquecer as variantes de pares homens e senhoras, com doze edições cada. Quanto aos pares mistos em Paris 2024 verão decorrer a oitava edição do torneio olímpico da vertente!

    Rio 2016: uma edição memorável para o ténis mundial onde a emoção esteve nos píncaros!

    Quando dizemos a cada edição dos jogos  que o ténis é das modalidades mais empolgantes a par do atletismo, natação , entre outras, a de 2016 no Rio de Janeiro foi sem dúvida a mais espetacular dos últimos largos anos, em minha opinião. Desde a eliminação logo à primeira de Djokovic, então 1º do ranking mundial, às custas de Juan Martin Del Potro passando pela derrota de Nadal no duelo de atribuição do bronze. A maior surpresa de todas seria a conquista do ouro por parte da então 34ª da hierarquia mundial, a atleta de então 22 anos Monica Puig de Porto Rico , que bateria a segunda melhor tenista do mundo a essa data, a germânica Angelique Kerber num embate de pouco mais de duas horas. Este momento ficará para sempre eternizado , dado que a atleta já retirada se tornou na primeira/o cidadão daquela ilha caribenha a conseguir vencer um ouro, visto que o país  contava  apenas  oito metais até então: 6 pratas e 2 bronzes. Nessa mesma edição o britânico Andy Murray  tornava-se no primeiro atleta a somar dois ouros seguidos em singulares numa olimpíada, depois de derrotar “Delpo” em mais de quatro horas.

    Sousa e Mota: os senhores Jogos do ténis nacional!

    Se o ténis nacional, sempre pouco apoiado pelas instâncias superiores, não tem assim tanta história no panorama dos Jogos, também não é menos verdade que não obstante todas as limitações os tenistas têm feito das “tripas coração” e a verdade é que são já sete os lusos a terem participado nesta modalidade em olimpíadas!

    Tudo começou  em Paris 1924 quando António Casas Novas e Rodrigo de Castro Pereira se inscreveram para participar no certame, contudo o primeiro não rumaria à cidade luz por razões de saúde enquanto que o outro cederia na estreia perante um praticante argentino. Um ano depois e quando se esperava que o ténis nacional voltasse brevemente a estes palcos, até porque nasceu a Federação Portuguesa da modalidade, certo é que devido a desentendimentos entre a Federação Internacional e a organização dos Jogos, o desporto voltaria apenas em 88 como já referido. Bernardo Mota participaria pela primeira vez em 92 e após furar a qualificação, ocupando então o posto 196 da hierarquia daria muito trabalho ao croata e quarto do ranking mundial, que um mês antes havia sido finalista na relva de Wimbledon, Goran Ivanisevic. Com o antigo treinador de Novack Djokovic  a necessitar de cinco partidas para derrotar o lisboeta, que também em pares ao lado de Emanuel Couto sairia derrotado pelos vencedores da Taça Davis desse ano por França. Em  96 e 2000 Mota voltaria a jogar o torneio olímpico , mas apenas em pares. Inicialmente na companhia de Couto , onde estiveram bem perto de uma inédita vitória,  quatro anos mais tarde a história repetir-se-ia ao lado de  Nuno Marques chegando mesmo a servir para o triunfo, contudo ainda não  era desta! Bernardo Mota é mesmo o único tenista de terras de Cabral a participar em três olimpíadas e ainda para mais seguidas! Depois de mais uma longa ausência, Gastão Elias à data 64 da hierarquia e João Sousa 36º mundial marcaram presença no Rio e fizeram história! Primeiro o lourinhanense superou o australiano Thanasi Kokkinakis em dois tie-breaks, cedendo para o norte americano Steve Johnson na segunda ronda. Já o vimaranense desembaraçar-se-ia do neerlandês Robin Haase em sets diretos perdendo seguidamente para o futuro finalista Juan Martin Del Potro, ao qual venceu a segunda partida por 1-6. Com os Jogos de Tóquio a serem disputados com um ano de atraso, chegou a pairar a hipótese de não ver-mos tenistas nacionais nos courts nipónicos, contudo Pedro  e João Sousa encarregaram-se de o assegurar e longe da sua melhor forma, acabaram por ser afastados logo de entrada!

    Ainda não havendo certeza quanto ao número de tenistas lusitanos a viajar até Paris, cem anos depois ,  dois parecem altamente bem encaminhados: Nuno Borges em singulares e pares, muito provavelmente, e Francisco Cabral  apenas em duplas. Se algo de excecional acontecer também Jaime Faria e Henrique Rocha espreitam a vaga. Isto sem esquecer Kika Jorge que  sonha com a estreia do ténis feminino luso nos Jogos, tanto em singulares onde pode ter maiores probabilidades , mas não perdendo de vista a qualificação em pares ao lado da mana Matilde, elas que se estrearam a vencer na primeira divisão do ténis feminino mundial no WTA 125 de Oeiras à poucas semanas ! Agora é torcer pelos tenistas patrícios e esperar que os resultados lhes deem acesso ao cumprir de um sonho!

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    Diogo Rodrigues
    Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
    O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.