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Esta semana, a escassos dias do início dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, falaremos daquele que ostenta o título de atleta nacional mais medalhado de sempre internacionalmente. Lenine Cunha, apesar de não conseguir obter mínimos para aquela que seria a sua quarta presença em competições do género, impressiona pela força, garra e combatividade demonstradas. Sem dúvida, um exemplo a seguir e um modelo a replicar.

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UM HERÓI QUE “DERRUBA” PRECONCEITOS

Nascido há 38 anos na freguesia da Afurada em Vila Nova de Gaia, o trajeto de Lenine Francisco da Silva Cunha parecia fadado ao sucesso, assim como bastante conturbado. As primeiras dificuldades surgiriam e, por mais estranho que possa parecer, quando o “atleta mais medalhado de sempre” ainda mal tinha saído do berço. Como o próprio já confessou, o episódio data do dia do seu batizado e está relacionado com o facto de a sua família de ideais comunistas, e fortemente ligada ao mar, querer batizá-lo de Lenine. Pois bem, o padre da pequena vila piscatória somente o batizou perante ameaça da família. Mas o ato lá seria consumado e, com isto começava, um percurso, desde sempre pautado pela dificuldade,  pelo preconceito, pela discriminação, mas também pela superação.

UMA MENINGITE QUE NÃO LHE “ROUBOU” OS SONHOS

Por altura dos dois ou três anos de idade deu-se um momento aparentemente devastador para uma ainda tão curta existência. Após vários minutos de uma estagnação aterradora, o “menino” foi diagnosticado com uma meningite, que o atacou em força.

A doença, que por esses anos era, na grande maioria das ocasiões, sinónimo de morte, ou de sequelas irreversíveis, afetou-o a vários níveis: em termos intelectuais, influenciando a sua aprendizagem e na concentração indispensáveis à realização de tarefas escolares: a nível motor, visto que Lenine ficou quase que paralisado do lado esquerdo; bem como causou problemas de memorização e dificuldades em reter a informação apreendida. Tanto assim foi que mesmo, perdendo o avô que o criou, aos sete anos, revelou, de modo bastante frustrante, não possuir qualquer lembrança do mesmo.

Os anos iam passando e, mesmo apesar da débil condição por ele patenteada, os pais, percebendo que o filho era uma pessoa igual a tantas outras, que apenas necessitava de um maior apoio, conduziram-no ao ingresso no ensino primário. Aí chegado, Lenine era visto por alguns dos seus pares como alguém estranho, sendo por várias vezes discriminado e vítima de bullying pelos restantes companheiros. Algo que, na verdade, estava relacionado com a falta de educação para a inclusão registada aos dias de então.

É, precisamente como combate a um isolamento e a uma deficitária integração do gaiense na escola, bem como a conselho médico na sequência do déficit de concentração por este revelado, que a família acaba por encontrar no desporto uma forma de motivação e um escape para as adversidades com que Lenine convivia.

Após uma curta e tímida passagem pelo Andebol, rapidamente se perceberia que o Atletismo seria a sua vida. Começando na marcha, tendo, com oito anos, conquistado o ceptro de campeão regional, não seria aí o seu pouso, visto ter-se fartado da disciplina. As suas grandes paixões, as provas de velocidade, o salto em comprimento e em altura e o triplo salto, apareceram teria Lenine cerca de 12 ou 13 anos, e com resultados quase que imediatos. Por essa altura, a prática desportiva assumia apenas um papel de integração e sociabilização, mas rapidamente passaria a ser algo bem mais sério.

Foi pelos 15 anos, e após vários sucessos entre muros, nomeadamente em certames regionais, que o seu treinador de sempre, José da Costa Pereira, vendo que o seu pupilo até revelava alguma capacidade para a coisa, lhe falou da possibilidade de competir em grandes eventos paralímpicos. Inicialmente, fruto de alguma falta de noção da realidade, levou uma ‘nega’ de pronto, mas, após o responsável ter levado o jovem a vivenciar de perto um estágio da formação paralímpica nacional, a perceção errada de então mudava de modo completo, aceitando de imediato a tão tentadora e aliciante proposta.

Reforce-se que, mesmo levando em linha de conta todos os êxitos, reforçados com a obtenção do recorde mundial do triplo salto na categoria T20 no Qatar, o nortenho não se dedicava de corpo e alma ao desporto, trabalhando durante o dia como ajudante de eletricista numa empresa da zona.

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