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Os Jogos Paralímpicos de 2016 terminaram no dia 18 e Portugal trouxe do Brasil quatro medalhas de bronze (duas no Atletismo e duas no Boccia), trazendo assim mais uma medalha do que as que trouxe de Londres, mas não conseguindo nenhuma de prata, ao contrário de 2012.

Os nossos medalhados foram Luís Gonçalves, nos 400M, a equipa de Boccia BC1-BC2 composta por Abílio Valente, António Marques, Cristina Gonçalves e Fernando Ferreira, José Macedo, igualmente no Boccia, e Manuel Mendes, na Maratona. Estas medalhas valeram o lugar 73 no ranking de medalhas contra o 61.º de 2012.

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Os resultados de 2012 e 2016 mostram que o desporto adaptado português já viveu melhores dias. João Paulo Fernandes é o último ouro paralímpico português, título este de 2008, e foi o único ouro deste ano. Antes de o Rio’2016 começar Portugal tinha uma média de 3,13 ouros por edição e uma média de 12,14 medalhas por edição, números que mostram bem a diferença entre o passado e o presente.

O desporto adaptado está cada vez mais estabelecido no mundo todo e como tal torna-se mais difícil ganhar medalhas. Portugal não se adaptou a estes novos tempos e continua a encarar o desporto adaptado e, como consequência, a participação nos Jogos Paralímpicos como algo secundário e sem grande importância. Este pensamento tem de ser mudado de forma a que se possa melhorar as condições de trabalho destes atletas e potenciar novos atletas, pois a equipa portuguesa presente no Brasil já é algo envelhecida no geral.

Luís Gonçalves levou a bandeira portuguesa no encerramento do Rio'2016 Fonte: FPA
Luís Gonçalves levou a bandeira portuguesa no encerramento do Rio’2016
Fonte: FPA

As palavras de Rui Oliveira, chefe da missão paralímpica, no final da competição são muito claras e objetivas e servem para o desporto português no geral e não só para o desporto adaptado. Tal como referi após os Jogos Olímpicos a disciplina de Educação Física tem de ser mais bem aproveitada para a captação de atletas para as mais diversas modalidades. Uma verdadeira aposta no desporto escolar tem de existir também, mesmo que isto implique que os clubes só tenham os seus jogadores a partir de uma certa idade, estando eles antes integrados nas equipas escolares ou criando acordos entre as escolas e os clubes.

As próprias federações desportivas precisam de se envolver mais no desporto adaptado, uma aposta que já tem existido nos últimos anos mas que tem de ser efectiva. Não há qualquer lógica no facto de existirem duas federações para a mesma modalidade; é apenas preciso que haja pessoas especializadas nas duas vertentes, sob o risco de o desporto adaptado ser esquecido.

Utilizando novamente as palavras de Rui Oliveira, «muita coisa terá de ser feita», mas parece-me que os primeiros passos já começaram a ser dados. Apesar disso, a caminhada ainda é muito longa.

Foto de Capa: CPP