BnR Olímpico: Entrevista a José Garcia

- Advertisement -

bola-na-rede-bnr-olimpico

José Garcia, Chefe da missão olímpica Rio 2016

Foi no Comité Olímpico Português que José Garcia nos recebeu, para uma conversa amigável e muito interessante. Nela falamos sobre a sua carreira enquanto atleta olímpico na Canoagem e sobre o que se pode esperar de Portugal no Rio 2016. Os Jogos do Rio marcam a primeira vez que a maior competição desportiva do Mundo se disputa na América do Sul.



Bola na Rede (BnR): Começou a praticar Canoagem ainda antes de existir uma Federação para a modalidade. Como se dá este ingresso?

José Garcia (JG): Parece que foi ontem mas já remonta há alguns anos. Eu tenho nesta altura 51 anos, e foi sensivelmente em 1974/75 que me iniciei na prática desportiva. Na altura havia as escolas da Direção Geral de Desportos, as denominadas escolinhas, e a Escola de Desportos Náuticos tinha Remo e mais tarde Canoagem. Comecei pelo Remo, mas foi a Canoagem que escolhi até ao fim dos meus tempos de atleta de alto rendimento.

BnR: Que memórias guarda do tempo de atleta de Canoagem?

JG: São muitas, que necessitam, já com a idade, de ser relembradas. Quando as confronto com colegas que vivenciaram estes momentos, trazem-me ao presente estes dias. Eram momentos em que a prática do desporto era algo natural; os tempos livres eram ocupados a fazer desporto. Tudo o que vinha era algo que nós queríamos e desejávamos. E, como tal, só recordo bons momentos da minha infância e juventude.

BnR: Também praticou Atletismo. O que o levou a praticar e por que razão desistiu?

JG: Porque a primeira prova que fiz na Canoagem ganhei-a logo! Talvez isto tenha sido o factor que fez a diferença. Eu no Atletismo fiz muita corrida, fiz Salto em Altura, experimentei de tudo, mas o que me apaixonou mesmo foi a Canoagem.

BnR: Desde o tempo em que foi atleta até agora muita coisa mudou. Que dificuldades enfrentavam os atletas na altura que hoje não enfrentam?

JG: Eram muitas! Antes da prática como atleta de Alto Rendimento era algo de que nem tinha noção; ganhei-a a partir do momento em que fiz a minha primeira participação no Campeonato do Mundo. Nós na Canoagem, aqui em Portugal, no cantinho da Europa, tínhamos de fazer deslocações até ao centro da Europa. Fazíamos de carrinha, porque o avião era extremamente caro. Levávamos os barcos em cima, e digo repetidamente que fazíamos anualmente provas em França, sempre no mesmo local, na Bélgica, também sempre no mesmo local, e na Polónia. Para a Polónia, nós daqui até lá, numa viatura que chegava a Oriense e fazia aquela subida a 40 km/h, demorávamos quatro longos dias a fazer o percurso. Mas recordo coisas boas, porque não tínhamos a oportunidade que temos agora de viajar, e estas viagens enriqueceram-nos muito a todos.

Até 2012 o melhor resultado na Canoagem portuguesa nos JO pertencia a José Garcia
Até 2012 o melhor resultado da Canoagem portuguesa nos JO pertencia a José Garcia

BnR: A preparação para os Jogos Olímpicos (JO) era diferente, mas também enfrentavam este tipo de problemas?

JG: A realidade era muito distinta. Em 1987, em Gondomar, a Federação decidiu fazer um centro de treino lá. Eu tinha acabado de casar, em 1986. A minha mulher na altura era atleta também da seleção nacional, e fomos para estágio concentrados, cada um para o seu quarto, casadinhos de fresco… Imaginem o que é que era… Os portugueses são muito criativos! A verdade é que tínhamos este objetivo. Estávamos em 1987, JO de Seul (Coreia do Sul) em 1988, decorria o apuramento e havia uma vontade enorme de nos apurarmos. Desde muito jovem que era influenciado pelo Carlos Lopes, pela Rosa Mota, e recordo estes momentos com muita força. Influenciaram-me e a todos nós da minha geração, que nos metemos nesta cruzada. Inicialmente, a prática desportiva era algo de que todos gostávamos, mas a prática do Alto Rendimento era muito mais difícil do que é agora. Por exemplo, no Centro de Estágios foram os atletas que colocaram a alcatifa da casa, que cozinhavam, que lavavam a roupa, e por aí fora.

BnR: Portanto hoje há todo um apoio por trás dos atletas que na altura não existia?

JG: É diferente, nunca será suficiente porque os atletas merecem sempre o melhor, mas era muito diferente.

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
O Bola na Rede é um órgão de comunicação social desportivo. Foi fundado a 28 de outubro de 2010 e hoje é um dos sites de referência em Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

Benfica suspende cinco sócios por atos racistas no Estádio da Luz frente ao Real Madrid

O Benfica emitiu um comunicado oficial no qual revelou que cinco sócios do clube foram suspensos e perderam o Red Pass, podendo ainda ser expulsos.

Rival do FC Porto deve perder jogador para o Real Madrid no final da época

Chema Andrés é um dos destaques do Estugarda esta época. A equipa alemã vai enfrentar o FC Porto na Europa League.

Atenção, FC Porto: um dos médios da moda atua no Estugarda

O FC Porto vai enfrentar o Estugarda nos oitavos de final da Europa League. Angelo Stiller faz parte do plantel dos alemães.

Mário Rui com futuro definido e destino surpreende

Mário Rui está muito perto de assinar com o Gulf Heroes, emblema da Segunda Liga dos Emirados Árabes Unidos.

PUB

Mais Artigos Populares

Pep Guardiola elogia Real Madrid: «É uma das melhores equipas da Premier League»

Pep Guardiola deixou elogios ao Real Madrid, assumindo que é uma das melhores equipas a competir na Champions League.

Vizela com treinador definido para o jogo frente ao Chaves

O Vizela vai manter Ronald Ramírez no banco de suplentes para a partida contra o Chaves, relativo à Segunda Liga.

Hidemasa Morita pode atingir marca redonda pelo Sporting esta sexta-feira

Hidemasa Morita pode atingir os 150 jogos na Primeira Liga. O médio vai chegar à marca caso seja utilizado frente ao Estoril Praia.