PRIMEIRO OURO DE SEMPRE PARA UM ARQUIPÉLAGO NO MEIO DO ATLÂNTICO PLANTADO
As condições climatéricas atrasaram o tiro de partida em 15 minutos e a prova, ao contrário do que estava previsto, só arrancou às 22h45 de Portugal. Quem não precisou de estar atenta às horas foi a ucraniana Yuliya Yelistratova que acusou positivo num teste de doping por EPO, uma substância que ajuda a prolongar a resistência dos atletas.

Se os amenos 24ºC poderiam parecer facilitadores da tarefa das triatletas, a humidade relativa de 83% prometia endurecer a missão de completar o quilómetro e meio de Natação, os 40 de Ciclismo e os 10 de Corrida. A chuva também não deu tréguas, pelo que a água não foi uma constante apenas no primeiro segmento.

A britânica Jessica Learmonth tentou marcar uma posição logo nas primeiras braçadas da Natação. As principais candidatas ao ouro, tais como Katie Zaferes, Georgia Taylor-Brown, Vittoria Lopes, Laura Lindemann, Summer Rappaport ou Flora Duffy, acompanhavam-na, mas nem todas as participantes tiveram essa capacidade, pelo que o pelotão começou a dividir-se. A austríaca Julia Hauser foi a primeira das 20 desistentes.

O segmento de Ciclismo exigiu particular cuidado. A chuva juntou-se à estrada para fazer um convite formal às quedas. Que o digam várias atletas que testaram a dureza do chão. A pedalar a grande ritmo na frente da corrida, continuava o conjunto de elite que vinha dominando a Natação, sendo que Summer Rappaport foi a primeira a ceder e a desfalcar o grupo da frente, seguida de Vittoria Lopes.

No segundo grupo, Nicola Spirig, medalhada de ouro, em Londres, em 2012, e de prata, no Rio de Janeiro, em 2016, assumia a perseguição. A portuguesa Melanie Santos atrasou-se e seguia no terceiro grupo, a uma distância considerável dos lugares de discussão da corrida.

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Na vertente masculina, ainda existiu um lote alargado de candidatos às medalhas na entrada para os últimos 10 quilómetros. Pelo contrário, na prova feminina, o desgaste provocado pela Natação e pelo Ciclismo fez com que apenas cinco triatletas chegassem à Corrida com condições de discutir o título. Mesmo no final do Ciclismo, Georgia Taylor-Brown teve um pneu furado e, consequentemente, os seus planos quase seguiam pelo mesmo caminho. Ainda assim, a campeã do mundo aguentou e arrancou para a Corrida muito rápido, recuperando algum do tempo perdido.

Os acontecimentos na plataforma de transição marcaram muito a reta final da prova. Flora Duffy foi quem resistiu melhor e, sem dar grandes hipóteses, ganhou terreno às adversárias. A atleta das Bermudas acabou por assegurar a conquista da primeira medalha de ouro de sempre em Jogos Olímpicos para o seu país.

Aos 33 anos, a campeã do mundo em 2016 e 2017 já revelou que não vai estar em Paris, em 2024, pelo que tinha em Tóquio a última hipótese de conquistar um pódio. Não só conseguiu alcançá-lo, como conseguiu aquele lugar que tem melhor vista, fazendo-se valer de um tempo de 1:55:36 para se sagrar campeã olímpica. Georgia Taylor-Brown (+1:14) e Katie Zaferes (+1:27) ficaram em segundo e terceiro, respetivamente.

Melanie Santos, bastante feliz com o resultado, pelo menos assim indica o sorriso com que cruzou a meta, acabou a prova de estreia olímpica em 22.º lugar (+6:30).

Artigo revisto por Joana Mendes

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