Lost in Translation (ou nem tanto)

- Advertisement -

Na realidade, os responsáveis pela IDTM ouvidos no CAS demonstram um despudor total em admitir que os padrões recomendados não são seguidos (“guidelines are not mandatory”), que apenas um dos membros da equipa tem um cartão de identificação próprio da IDTM e evidenciar um procedimento de contratação de assistentes de controlo (DCAs) sem qualquer credibilidade (e que vai de encontro à informação surgida na imprensa oriental de que o DCA do controlo em questão era um trabalhador de construção civil sem formação específica para assistir naquele serviço).

Quem ouviu o testemunho dos dois responsáveis da IDTM ficou a perguntar-se como era possível tamanha incompetência no tratamento de algo tão sensível para os atletas e tão importante para a credibilidade do desporto. Independentemente das questões mais legalistas, o sistema sai publicamente muito mal-tratado deste caso.

A postura da WADA, que foi quem recorreu para o CAS, resultou numa triste figura, em que se refugiou numa tecnicalidade para tentar punir o atleta e evitar admitir a fala de ética e profissionalismo com que um dos seus proxys se comporta, talvez sabendo que este caso pode abrir uma caixa de Pandora, com os atletas e suas equipas a serem mais estritos no obrigar do cumprimento de certas obrigações que, claramente, estão em falta.

Já a Federação Internacional de Natação (FINA) mantém a posição que tem no procedimento inicial de que, apesar da atitude do atleta não ter sido totalmente correta, é desculpável pela incapacidade dos agentes da IDTM terem sido incapazes de produzir identificação que lhes desse autorização para proceder ao teste, parecendo querer tentar seguir em frente e esquecer aquilo que percebe bem ter sido um fiasco organizacional.

No final de contas, a carreira de Sun Yang está nas mãos dos três árbitros do CAS, mas, seja qual for a decisão destes, o caso já para serviu para trazer à luz do dia a forma como há ainda tanto a melhorar de forma a que o processo anti-doping seja rigoroso, justo e respeitoso para com os atletas.

Foto de Capa: FINA

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

Subscreve!

Artigos Populares

3-0 ao intervalo: Vinícius Júnior continua em grande nível e marca mais um golo no Brasil x Haiti

Vinícius Júnior anotou o seu golo pelo segundo jogo consecutivo na competição. Brasil e Haiti defrontam-se no Mundial 2026.

Matheus Cunha surfa na onda do número 9 e bisa para meter o Brasil a vencer o Haiti no Mundial 2026

Mais um golo canarinho, mais um golo de Matheus Cunha a fazer o 2-0. Brasil e Haiti defrontam-se no Mundial 2026.

Matheus Cunha leva com a bola e faz o 1-0 do Brasil sobre Haiti

Depois de 20 minutos, Matheus Cunha inaugurou o marcador. Brasil e Haiti defrontam-se no Mundial 2026.

AO VIVO E EM DIRETO: Assiste ao Brasil x Haiti do Mundial 2026

Brasil e Haiti têm encontro marcado na fase de grupos do Mundial 2026. Em baixo, podes assistir ao jogo ao vivo e em direto.

PUB

Mais Artigos Populares

Cristiano Ronaldo deixa nova mensagem no meio do burburinho: «Foco no que tu podes controlar»

Cristiano Ronaldo voltou a recorrer ao Instagram para se pronunciar. Avançado e capitão da seleção portuguesa no meio de burburinho nas redes sociais.

Grátis, em canal aberto e não só: onde ver todos os jogos do Mundial 2026 neste sábado, 20 de junho?

O Mundial 2026 continua com quatro partidas por dia. Sabe onde ver os jogos da noite (e madrugada) deste sábado, 20 de junho.

Mudanças feitas: eis os onzes oficiais do Brasil x Haiti do Mundial 2026

O Brasil defronta o Haiti na segunda jornada da fase de grupos do Mundial 2026. Conhece os onzes oficiais das duas equipas.