Lost in Translation (ou nem tanto)

- Advertisement -

Na realidade, os responsáveis pela IDTM ouvidos no CAS demonstram um despudor total em admitir que os padrões recomendados não são seguidos (“guidelines are not mandatory”), que apenas um dos membros da equipa tem um cartão de identificação próprio da IDTM e evidenciar um procedimento de contratação de assistentes de controlo (DCAs) sem qualquer credibilidade (e que vai de encontro à informação surgida na imprensa oriental de que o DCA do controlo em questão era um trabalhador de construção civil sem formação específica para assistir naquele serviço).

Quem ouviu o testemunho dos dois responsáveis da IDTM ficou a perguntar-se como era possível tamanha incompetência no tratamento de algo tão sensível para os atletas e tão importante para a credibilidade do desporto. Independentemente das questões mais legalistas, o sistema sai publicamente muito mal-tratado deste caso.

A postura da WADA, que foi quem recorreu para o CAS, resultou numa triste figura, em que se refugiou numa tecnicalidade para tentar punir o atleta e evitar admitir a fala de ética e profissionalismo com que um dos seus proxys se comporta, talvez sabendo que este caso pode abrir uma caixa de Pandora, com os atletas e suas equipas a serem mais estritos no obrigar do cumprimento de certas obrigações que, claramente, estão em falta.

Já a Federação Internacional de Natação (FINA) mantém a posição que tem no procedimento inicial de que, apesar da atitude do atleta não ter sido totalmente correta, é desculpável pela incapacidade dos agentes da IDTM terem sido incapazes de produzir identificação que lhes desse autorização para proceder ao teste, parecendo querer tentar seguir em frente e esquecer aquilo que percebe bem ter sido um fiasco organizacional.

No final de contas, a carreira de Sun Yang está nas mãos dos três árbitros do CAS, mas, seja qual for a decisão destes, o caso já para serviu para trazer à luz do dia a forma como há ainda tanto a melhorar de forma a que o processo anti-doping seja rigoroso, justo e respeitoso para com os atletas.

Foto de Capa: FINA

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

Subscreve!

Artigos Populares

Brian Riemer: «Portugal teve um grande selecionador que foi Roberto Martínez e agora tem outro grande treinador

Brian Riemer fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Imprensa catalã reage ao triunfo de Portugal: «Portugal e Cancelo sabem golear sem Cristiano Ronaldo»

A vitória de Portugal contra a Dinamarca por quatro bolas a duas está a ser alvo de análise por parte da imprensa internacional.

Portugal: eis a hora para o regresso a solo luso da seleção nacional

A seleção de Portugal regressa a solo nacional durante a próxima sexta-feira, deixando assim Copenhaga, capital da Dinamarca.

Jorge Jesus 1-0 Cristiano Ronaldo: Tendência para manter? Ou princípio do fim da polémica?

Portugal foi ao terreno da Dinamarca vencer por quatro bolas a duas, num encontro a contar para a Liga das Nações.

PUB

Mais Artigos Populares

Nuno Mendes: «Estou a gostar muito de trabalhar com Jorge Jesus»

Nuno Mendes fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Rafael Leão e a utilização do número 7: «O Cris é um ídolo de infância, o 7 é um número especial, foi a data...

Rafal Leão fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Eis as contas para Portugal garantir o apuramento na Liga das Nações já no próximo jogo

Portugal tem o caminho aberto para fechar o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações. Conhece as contas nacionais.