Lost in Translation (ou nem tanto)

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Na realidade, os responsáveis pela IDTM ouvidos no CAS demonstram um despudor total em admitir que os padrões recomendados não são seguidos (“guidelines are not mandatory”), que apenas um dos membros da equipa tem um cartão de identificação próprio da IDTM e evidenciar um procedimento de contratação de assistentes de controlo (DCAs) sem qualquer credibilidade (e que vai de encontro à informação surgida na imprensa oriental de que o DCA do controlo em questão era um trabalhador de construção civil sem formação específica para assistir naquele serviço).

Quem ouviu o testemunho dos dois responsáveis da IDTM ficou a perguntar-se como era possível tamanha incompetência no tratamento de algo tão sensível para os atletas e tão importante para a credibilidade do desporto. Independentemente das questões mais legalistas, o sistema sai publicamente muito mal-tratado deste caso.

A postura da WADA, que foi quem recorreu para o CAS, resultou numa triste figura, em que se refugiou numa tecnicalidade para tentar punir o atleta e evitar admitir a fala de ética e profissionalismo com que um dos seus proxys se comporta, talvez sabendo que este caso pode abrir uma caixa de Pandora, com os atletas e suas equipas a serem mais estritos no obrigar do cumprimento de certas obrigações que, claramente, estão em falta.

Já a Federação Internacional de Natação (FINA) mantém a posição que tem no procedimento inicial de que, apesar da atitude do atleta não ter sido totalmente correta, é desculpável pela incapacidade dos agentes da IDTM terem sido incapazes de produzir identificação que lhes desse autorização para proceder ao teste, parecendo querer tentar seguir em frente e esquecer aquilo que percebe bem ter sido um fiasco organizacional.

No final de contas, a carreira de Sun Yang está nas mãos dos três árbitros do CAS, mas, seja qual for a decisão destes, o caso já para serviu para trazer à luz do dia a forma como há ainda tanto a melhorar de forma a que o processo anti-doping seja rigoroso, justo e respeitoso para com os atletas.

Foto de Capa: FINA

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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