Brock Purdy e os benefícios da memória de peixe | NFL

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    A jogar em casa, os San Francisco 49ers estrearam-se nos playoffs como favoritos depois de uma época regular de excelência. Na posição mais importante, o seu líder é o jovem Brock Purdy, última escolha do Draft em 2022, um estatuto que lhe dá o título de Sr. Irrelevante. Sobre a sua temporada, uns acham que foi o melhor da Liga, outros defendem que é, no máximo, mediano e que as suas falhas são escondidas por uma equipa de luxo à sua volta.

    Na sua segunda tentativa de passe do jogo, Purdy acertou em cheio no peito de um adversário. Uma péssima decisão, oferecendo uma interceção a Darnell Savage Jr., Safety dos Green Bay Packers, que tenha caminho livre para levar a bola ao limite oposto do campo e marcar seis pontos para os visitantes. Incrivelmente, Savage não controla a bola devidamente, deixa-a cair e desperdiça uma oportunidade de ouro para colocar os 49ers em muito maus lençóis. Um erro que salvava também Purdy de uma jogada desastrosa.

    Alguns segundos depois, Purdy está de novo com a bola nas mãos e executa um novo passe. A tensão volta a aumentar quando lança um tiro para uma área com vários defesas dos Packers. Mas, também lá está Deebo Samuel, que a bola encontra no meio dos adversários.

    É fácil identificarmo-nos com os atletas quando eles cometem um erro, todos nós o fazemos. E percebemos também quando a esse se lhe sucedem outros. Claro que externalizamos que os jogadores são demasiado bem pagos para isso, mas no fundo compreendemos. Todos nós sabemos o que é errar e, seguidamente, de tão preocupados que estamos em não o voltar a fazer, acabarmos por repeti-lo na mesma, ou até mesmo a fazer outro erro ainda maior.

    Mas, não foi isso que aconteceu com Purdy. Logo na jogada seguinte voltou a arriscar sem olhar para trás e, daí em diante geriu o jogo, com mais algumas jogadas de cortar a respiração para conduzir a equipa à vitória num encontro em que a estrela esteve no lado defensivo, Dre Greenlaw com duas cruciais interceções.

    Ao longo de todo o ano, esta tem sido a imagem de marca de Brock Purdy, a falta de medo de arriscar. É como se o seu superpoder fosse ter uma memória de peixe, que lhe permite esquecer os erros e as más decisões e encarar cada nova jogada como uma tábua rasa onde desenhar um presente diferente. Apesar do seu baixo estatuto à entrada na Liga e de todas as dúvidas dos seus detratores, Purdy ignora o ruído e, acima de tudo, ganha. Em duas épocas como profissional, pela segunda vez coloca os 49ers entre as quatro melhores equipas da Liga.

    Se o desporto é, tantas vezes, uma metáfora para as nossas vidas, talvez possamos também aprender algo com Brock Purdy. A não permitirmos que erros do passado nos pesem tanto que ficamos impedidos de nos mover. Quando aceitamos o risco e nos libertamos das amarras do que já ficou para trás, colocamo-nos mais perto de triunfar.

    Este domingo, Brock Purdy, o Sr. Irrelevante, disputa o título de Conferência da NFC contra os Detroit Lions liderados por Jared Goff, a primeira escolha do draft de 2016 e cujo salário anual é cerca de 25 vezes superior ao seu. Brock Purdy saberá isso mesmo. Quando entrar em campo, há de o esquecer.

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    José Baptista
    José Baptistahttp://www.bolanarede.pt
    O José tem 24 anos e é de Direito. Adora escrever e, para ele, o desporto deve ser em quantidade e em variedade. O Ciclismo é a sua grande paixão e em 2015 redescobriu o Wrestling.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.