Depois de meses de emoção e dezenas de jogos, foram finalmente conhecidas as duas equipas que vão disputar o Super Bowl no próximo dia 2 de Fevereiro, a grande “final” da NFL.

Os playoffs desta época 2019/2020 foram marcados por surpresas. Equipas teoricamente mais fracas foram capazes de eliminar candidatos ao título em fases prematuras, e por isso, apesar de existirem favoritos, fazer qualquer tipo de previsão para os jogos deste passado domingo era um risco.

Tennessee Titans 24 – 31 Kansas City Chiefs

Cinquenta anos depois, os Kansas City Chiefs estão na final do Super Bowl
Fonte: Kansas City Chiefs

O primeiro jogo foi a final da AFC – a NFL é dividida em dois “campeonatos”, AFC e NFC, e o Super Bowl é disputado pelo vencedor de cada um desses dois “campeonatos”, como se dividíssemos Portugal em Norte e Sul e a final fosse disputada entre o campeão do Norte contra o campeão do Sul.

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Frente a frente Tennessee Titans – que para chegarem a esta fase bateram os New England Patriots (a dinastia mais duradoura da NFL) e os Baltimore Ravens (primeiro classificado na fase regular e com o favorito a MVP Lamar Jackson) – e os Kansas City Chiefs – que no seu jogo anterior encontraram-se a perder 24-0 antes de darem a volta e vencerem por 51-31.

Ambas as equipas se encontravam em momentos de forma incríveis e por essa razão a expetativa era alta em relação a este encontro. Se por um lado os Titans possuíam um ataque em corrida demolidor (nomeadamente Derrick Henry que nos seus últimos 9 jogos correra para 1273 jardas), os Chiefs tinham do seu lado o melhor passador da NFL em Patrick Mahomes.

Tennessee começou por cima. Logo no seu primeiro drive conseguiram pontuar por intermédio de Greg Joseph, que com um pontapé certeiro deixou o resultado em 3-0. Era então a vez de Mahomes entrar em campo e libertar o seu potente braço, mas tão depressa entrou como saiu. A defesa dos Titans conseguiu colocar muita pressão no MVP da última época regular, de tal forma que os Chiefs foram obrigados a efetuar o primeiro punt no jogo. E Tennessee agradeceu.

No seu segundo ataque do jogo Derrick Henry começou a carburar. Jogada após jogada ia ganhando jardas em corrida e foi com naturalidade que chegou à endzone, marcando o primeiro touchdown da noite e aumentando a vantagem da sua equipa para 10-0.

Kansas City respondeu de imediato. Já sem tanta pressão sobre si, Mahomes começou a lançar passe após passe e rapidamente encontrou Tyreek Hill. Os Chiefs conseguiam reduzir, mas os Titans mostravam-se extremamente focados no plano ofensivo e voltaram a marcar no seu terceiro ataque do jogo fazendo o 17-7.

No entanto, esse seria o início do fim para o conjunto de Mike Vrabel.

Desse momento para a frente, Kansas City entrou num ritmo frenético para o qual Dean Pees, coordenador defensivo dos Titans, não tinha resposta. Jogada após jogada, Patrick Mahomes e Andy Reid (treinador principal dos Chiefs) iam puxando coelhos da cartola e foi com naturalidade que ao intervalo já se encontravam na frente por 17-21.

O segundo tempo foi a confirmação do domínio dos Chiefs. Ao sobrecarregarem a linha de scrimmage, Kansas City foi capaz de neutralizar o jogo de corrida dos Titans (a sua grande e única arma), e obrigaram Ryan Tannehill a lançar mais vezes do que desejaria. Com apenas o rookie AJ Brown como principal opção em termos de passe, o quarterback de Tennessee não conseguiu ter a mesma produção e o jogo ficou decidido.

Um touchdown a fechar o terceiro período e outro a abrir o quarto deixaram o resultado em 17-35, sendo que o melhor que os Titans conseguiram fazer foi reduzir a desvantagem por intermédio de Anthony Firkser, deixando o resultado em 24-35.

Depois de terem perdido de forma dolorosa na última época nesta mesma final de conferência frente aos New England Patriots, os Chiefs recuperaram e irão agora disputar o Super Bowl, 50 anos depois da sua última presença.

Green Bay Packers 20 – 37 San Francisco 49ers

Após o triunfo sobre o Green Bay Packers, San Francisco 49ers apura-se para a final mais esperada do ano
Fonte: San Francisco 49ers

Depois foi a vez da final da NFC entre Green Bay Packers e San Francisco 49ers. Os dois primeiros classificados da conferência encontravam-se em São Francisco para descobrir quem se iria juntar aos Chiefs em Miami, mas se esperavam um jogo renhido então ficaram desiludidos.

Green Bay tem Aaron Rodgers, visto por muitos como um dos melhores quarterbacks da história da NFL, mas nem ele foi capaz de ultrapassar uma defesa dos 49ers que é também ela, uma das melhores dos últimos anos.

A partida não poderia ter começado pior para os Packers. Os seus seis primeiros ataques terminaram com quatro punts, uma interceção e um fumble, de tal forma que, apesar de terem Rodgers do seu lado, foram para o intervalo sem terem marcado um único ponto durante a primeira parte. Os 49ers, por outro lado, entraram a todo o gás. Com Raheem Mostert a ter o melhor jogo da sua carreira (terminou o encontro com 220 jardas em corrida e quatro touchdowns), a equipa de Kyle Shanahan dominava a seu belo prazer e foi sem grande surpresa que ao intervalo ia vencendo por 27-0.

Ao longo de toda a época, San Francisco tem tido duas grandes armas: o seu jogo em corrida e a sua defesa. E se o jogo em corrida esteve em evidência, a defesa não ficou atrás.

Com Dee Ford, Arik Armstead, DeForest Buckner e Nick Bosa a liderarem a linha ofensiva, a pressão sobre o quarterback adversário era constante o que o obrigava a fazer lançamentos precipitados.

No segundo tempo Green Bay foi capaz de diminuir a diferença e colocar alguns pontos no marcador, mas os 49ers estiveram sempre por cima e em nenhum momento se sentiu que a sua vantagem estivesse em risco. O resultado final foram uns claros 20-37, e San Francisco volta assim ao Super Bowl depois da sua última presença em 2012 (derrota frente aos Baltimore Ravens).

Com data marcada para dia 2 de Fevereiro em Miami, Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers vão disputar assim o cobiçado titulo do Super Bowl, num jogo que tem tudo para ser dos melhores da temporada.

Foto de Capa: Kansas City Chiefs

Revisto por: Jorge Neves

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