Publicidade

Superbowl LIII: Defesas garantem emoção até ao final

Daniel Felício Silva · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Nove da noite, acabou o Sporting-Benfica e a televisão é inundada por todos os rescaldos do derby. Nada mais interessa, nada mais existe. Pelo menos assim parece.

Mas, por todo este país, grupos de pessoas preparam-se para mais uma longa noite agarrada aos televisores e computadores. Não se trata de uma epidemia de insónias mas antes uma paixão por um desporto que em Portugal continua a passar entre os pingos da chuva, causando estranheza e confusão com o râguebi.

Do outro lado do charco a que chamamos oceano atlântico fazem-se os últimos preparativos para o evento do ano: o Superbowl.

Voltamos a Portugal e algures em Mafra organiza-se uma espécie de tailgate à portuguesa. Umas pizzas, umas cervejas e uns nachos (só mesmo para parecermos americanos), enchem a mesa e enquanto se aguarda o início do jogo vamos-nos entretendo com um torneio de Madden.

Assistimos ao hino americano e todas as outras cerimónias que antecedem o jogo, espera-se um jogo memorável. A CBS vai fazendo questão de assinalar que quando Brady e Belichick ganharam a sua primeira superbowl Jared Goff estava na pré-primária e Sean McVay tinha acne. Neste jogo defrontam-se os Patriots, na sua nona presença em 18 anos, e os Rams, no seu segundo ano após o regresso a Los Angeles. Beat LA! Grita-se em Boston, lembrando as velhas rivalidades entre Celtics e Lakers.

O jogo começa com os Patriots a atacar. Brady parece incerto, como se fosse o seu primeiro Superbowl, ele que se prepara para ganhar o seu sexto. Intersecção no primeiro drive e os adeptos dos Patriots desesperam. Atacam os Rams, Todd Gurley que esteve imparável na época regular é uma sombra dele próprio nestes playoffs derivado a uma pequena lesão. Os Patriots decidiram que teria de ser Goff a ganhar este jogo para os Rams e defendem o jogo de corrida com unhas e dentes, fazendo marcação homem a homem a Cooks através de Gilmore.

Os Rams não conseguem converter um terceiro down, é algo que se vai repetir muitas vezes ao longo deste jogo, e têm de fazer um punt. Voltam a atacar os Patriots. Chegam à zona de chutarem aos postes e entra Steve Gostkowski. Jim Nance anuncia que o kicker de New England tem 31 pontapés convertidos em 31 tentativas em superbowls. Tony Romo, o vidente como é chamado, anuncia logo que Nance está a agoirar.

Como se fosse algo que já vinha no guião, a estatística passou a ser 31 em 32 tentativas e continuamos a zeros. Os ataques continuaram a trocar punts entre eles (9 para os Rams e 5 para os Patriots) e chegamos ao intervalo com um resultado de 3-0, o que se traduzia no segundo resultado mais baixo, ao intervalo, da história dos Superbowls.

O estádio dos Atlanta Falcons foi palco da final com menos pontos da história da liga
Fonte: Los Angeles Rams

O intervalo foi passado entre anúncios que valem milhões e o concerto dos Maroon 5. Foi um concerto relâmpago quase medley dos sucessos da banda e onde Adam Levine se mostrou 1) um pouco desafinado e 2) imune a qualquer escândalo semelhante ao de Janet Jackson em 2004.

Mas voltemos ao jogo.

Recomeçou o jogo, mas a toada manteve-se inalterada. Por esta altura Julian Edelman, wide receiver dos Patriots, já tinha mais jardas que todo o ataque dos Rams e consolidava a sua posição enquanto futuro MVP do jogo. Não deixa de ser interessante que durante toda a semana se discutiu se Edelman era digno de ser agraciado com um lugar no Hall of Fame da NFL e talvez este prémio de MVP tenha sido o ponto decisivo na sua entrada para o lote restrito de jogadores que ficarão imortalizados com um busto de bronze em Canton, Ohio.

Os Rams finalmente conseguem igualar a partida 3-3 no terceiro quarto com um pontapé de Greg Zuerlein que tinha sido o herói contra os Saints e desta forma entrávamos no quarto período.

Por esta altura já se começava a ver alguma impaciência no rosto de Sean McVay e dos seus homens, até porque sabiam que do outro lado estava o perito em drives decisivos no quarto período – Tom Brady. Dito e feito. Se até este momento Brady parecia uma sombra de si próprio quando as luzes brilharam mais alto Brady respondeu à chamada.

O jogo de corrida com Michel, White e Burkhead tinham mantido os Patriots em jogo e retirado a Aaron Donald, a possibilidade de ter um impacto ao nível do melhor jogador defensivo da liga mas havia chegado a altura de ser mais agressivo. Edelman foi garantindo primeiros downs sucessivos até que num passe de classe Brady conseguiu conectar com Rob Gronkowski numa Go route até este ser placado próximo da endzone. Sony Michel garantiu a inevitabilidade do primeiro touchdown do jogo.

Os Rams estavam obrigados a arriscar e por momentos pareciam que iam ser bem sucedidos nesta demanda. Brandin Cooks conseguiu iludir a marcação zonal dos Patriots mas quando parecia que ia marcar touchdown foi placado na endzone por Jason McCourtney. Mais tarde, o mesmo Brandin Cooks tentou explorar a defesa longa dos Patriots mas Gilmore e Jones conseguiram evitar, o que os Rams não evitaram na jogada de Gronkowski.

Imediatamente a seguir Goff tenta repetir a mesma jogada, mas os Patriots decidiram enviar um blitz dos safeties que obrigou Goff a passar antes do tempo e com um arco maior que o desejável. Stephon Gilmore fez o que faz melhor: uma interseção e o jogo parecia acabado. Os Rams ainda conseguiram, fruto dos seus descontos de tempo, two minute warning e uma penalidade que parou o relógio de jogo obrigarem os Patriots a um field goal que colocou o resultado em 13-3 mas com ainda cerca de 1 minuto para se jogar ainda nada estava perdido para os Rams.

Pode parecer pouco tempo, até porque os Rams não dispunham de mais nenhum desconto de tempo, mas “bastaria” um field Goal (13-6), um onside kick em que recuperassem a bola e um touchdown (13-13) para chegarem a prolongamento. A oito segundos do fim, Zuerlein tentou novo field goal mas desta vez o herói passou a vilão com a bola a sair à esquerda dos postes e os Patriots voltaram a ser campeões da NFL.

Para os Rams foi mais uma etapa de crescimento, mas um crescimento que está condicionado ao que seja feito nesta offseason, já que muitos dos veteranos desta equipa estão no último ano de contrato e dificilmente aceitarão voltar a receber um ordenado a preço de desconto pela possibilidade de ganharem um título.

Para os Patriots fez-se história e agora só falta ultrapassarem os Steelers como equipa mais vitoriosa da NFL. Para o ano tudo leva a crer que voltaremos a ter Brady e Belichick mas provavelmente não teremos Gronk. Muito castigado por lesões Gronk parece querer terminar a sua carreira em alta e evitar mais danos ao seu corpo. Este ano verificou-se um plano de proteção deste monstro de jogador, resguardando-o durante a época regular até o soltarem nos playoffs. Se se retirar este ano será, aos 29 anos, para muitos o melhor Tight End da história da liga.

E são quase 4 horas da manhã, tempo para uns últimos jogos de Madden enquanto vamos vendo as entrevistas finais e até que o sono ganhe à adrenalina e se comece a pensar no Draft e no próximo SuperBowl.

Foto de Capa: New England Patriots

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Daniel Felício Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.