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Nove da noite, acabou o Sporting-Benfica e a televisão é inundada por todos os rescaldos do derby. Nada mais interessa, nada mais existe. Pelo menos assim parece.

Mas, por todo este país, grupos de pessoas preparam-se para mais uma longa noite agarrada aos televisores e computadores. Não se trata de uma epidemia de insónias mas antes uma paixão por um desporto que em Portugal continua a passar entre os pingos da chuva, causando estranheza e confusão com o râguebi.

Do outro lado do charco a que chamamos oceano atlântico fazem-se os últimos preparativos para o evento do ano: o Superbowl.

Voltamos a Portugal e algures em Mafra organiza-se uma espécie de tailgate à portuguesa. Umas pizzas, umas cervejas e uns nachos (só mesmo para parecermos americanos), enchem a mesa e enquanto se aguarda o início do jogo vamos-nos entretendo com um torneio de Madden.

Assistimos ao hino americano e todas as outras cerimónias que antecedem o jogo, espera-se um jogo memorável. A CBS vai fazendo questão de assinalar que quando Brady e Belichick ganharam a sua primeira superbowl Jared Goff estava na pré-primária e Sean McVay tinha acne. Neste jogo defrontam-se os Patriots, na sua nona presença em 18 anos, e os Rams, no seu segundo ano após o regresso a Los Angeles. Beat LA! Grita-se em Boston, lembrando as velhas rivalidades entre Celtics e Lakers.

O jogo começa com os Patriots a atacar. Brady parece incerto, como se fosse o seu primeiro Superbowl, ele que se prepara para ganhar o seu sexto. Intersecção no primeiro drive e os adeptos dos Patriots desesperam. Atacam os Rams, Todd Gurley que esteve imparável na época regular é uma sombra dele próprio nestes playoffs derivado a uma pequena lesão. Os Patriots decidiram que teria de ser Goff a ganhar este jogo para os Rams e defendem o jogo de corrida com unhas e dentes, fazendo marcação homem a homem a Cooks através de Gilmore.

Os Rams não conseguem converter um terceiro down, é algo que se vai repetir muitas vezes ao longo deste jogo, e têm de fazer um punt. Voltam a atacar os Patriots. Chegam à zona de chutarem aos postes e entra Steve Gostkowski. Jim Nance anuncia que o kicker de New England tem 31 pontapés convertidos em 31 tentativas em superbowls. Tony Romo, o vidente como é chamado, anuncia logo que Nance está a agoirar.

Como se fosse algo que já vinha no guião, a estatística passou a ser 31 em 32 tentativas e continuamos a zeros. Os ataques continuaram a trocar punts entre eles (9 para os Rams e 5 para os Patriots) e chegamos ao intervalo com um resultado de 3-0, o que se traduzia no segundo resultado mais baixo, ao intervalo, da história dos Superbowls.

O estádio dos Atlanta Falcons foi palco da final com menos pontos da história da liga
Fonte: Los Angeles Rams

O intervalo foi passado entre anúncios que valem milhões e o concerto dos Maroon 5. Foi um concerto relâmpago quase medley dos sucessos da banda e onde Adam Levine se mostrou 1) um pouco desafinado e 2) imune a qualquer escândalo semelhante ao de Janet Jackson em 2004.

Mas voltemos ao jogo.

Recomeçou o jogo, mas a toada manteve-se inalterada. Por esta altura Julian Edelman, wide receiver dos Patriots, já tinha mais jardas que todo o ataque dos Rams e consolidava a sua posição enquanto futuro MVP do jogo. Não deixa de ser interessante que durante toda a semana se discutiu se Edelman era digno de ser agraciado com um lugar no Hall of Fame da NFL e talvez este prémio de MVP tenha sido o ponto decisivo na sua entrada para o lote restrito de jogadores que ficarão imortalizados com um busto de bronze em Canton, Ohio.

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