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O que se passa com os bicampeões?

Tiago Pinto Martins · 7 min

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Cabeçalho modalidadesNo início da temporada, colocar os Pittsburgh Penguins no lote dos maiores candidatos à Stanley Cup era visto como uma aposta segura, apesar da conquista sem precedentes que seria vencerem-na por três anos consecutivos, tal era o nível de confiança que todos tinham nos bicampeões. No entanto, e como tantas vezes acontece neste desporto, a realidade virou-nos de cabeça para baixo e deixámos de saber para que lado fica o chão. Os Penguins estão atualmente no penúltimo lugar da Divisão Metropolitana, com três pontos de vantagem sobre os Philadelphia Flyers, mas com dois jogos a mais.

Primeiro Período: A resposta que não satisfaz.
O pânico começa a instalar-se em Pittsburgh e há motivos para isso. Estamos praticamente a meio da época regular, o tempo para grandes recuperações é escasso. O problema é que não há nenhum remédio imediato para os males que afligem os Penguins. São a quarta equipa na NHL com menos golos marcados em 5-contra-5, o que não bate certo com a composição do seu plantel, que incluiu alguns dos avançados mais dotados do mundo. Menos sentido faz quando olhamos para os números de posse do disco que os colocam com segurança na metade superior da liga. O susto vem quando viramos a atenção para a percentagem de remate: 5.3%, a pior na liga, seguido de longe pelos San Jose Sharks, já com um aproveitamento acima dos 6%. Esta é a pior eficácia de remate na NHL desde a temporada 2007/08, ano em que a liga começou a registar este tipo de dados.

É impossível que isto seja provocado pela falta de qualidade no ataque, num plantel que conta com Crosby, Malkin e Kessel. Os números de posse do disco também mostram que é pouco provável ser da qualidade dos remates, uma vez que os Penguins estão também na metade superior da tabela no que respeita a oportunidades de golo. A causa para os problemas dos Penguins é a mais simples de todas, mas também difícil de aceitar e impossível de resolver: má sorte. O disco não tem querido entrar na baliza e não há nada nem ninguém que possa mudar isso, resta continuar a tentar até que a sua vontade mude.

Matt Murray, guarda-redes dos Pittsburgh Penguins Fonte: NHL
Matt Murray, guarda-redes dos Pittsburgh Penguins
Fonte: NHL

É claro que há pormenores que os Penguins podem e devem abordar, como por exemplo reforçar a profundidade do ataque o que poderia ser uma grande ajuda para ultrapassar estas fases menos inspiradas dos jogadores principais, e reorganizar a defesa que não tem dado o melhor apoio a Matt Murray, também ele a passar por um mau bocado. Não duvido que Jim Rutherford tentará fazer esses ajustes até ao trade deadline, tendo já dado alguns passos nesse sentido. No entanto, não é uma boa ideia fazer alterações de fundo, nem trocar nenhum jogador importante. Não há nada de fundamentalmente errado com os Penguins, basta a sorte virar e voltarão a ser a equipa forte que todos esperávamos no início da época. Por um lado, isso é bom, mas por outro é o pior, pois significa que a tão necessária recuperação na tabela não está nas suas mãos, depende exclusivamente da vontade do disco, e nenhum adepto gosta de ouvir isso. O disco é caprichoso.

Segundo Período: Oportunidade perdida.
Nunca falámos de Zac Rinaldo neste espaço por dois motivos. Primeiro, porque ele pertence aos quadros dos Arizona Coyotes, os últimos classificados de toda a NHL. Todas as referências já feitas aqui aos Coyotes não foram mais do que formas diferentes de dizer que eles são maus. Segundo, porque Zac Rinaldo não é um jogador extraordinário, bem pelo contrário. 30 pontos em 306 jogos não chama o interesse de ninguém. Contudo, Rinaldo é um jogador famoso na NHL, pelos piores motivos e, como estamos a falar dele, já adivinharam que ele fez alguma.

A meio do segundo período da receção aos Colorado Avalanche, Rinaldo apanhou Nathan MacKinnon desprevenido na zona neutral e acertou-lhe com uma placagem limpinha. Até aqui tudo bem, ainda é permitido placar outras pessoas na NHL, desde que feito dentro dos limites impostos pelas regras. Samuel Girard, ao ver um dos seus colegas em dificuldades, acorreu ao local e foi recebido com um soco sem aviso. Os ânimos exaltaram-se, como seriam de esperar, e Rinaldo acabou por ser expulso da partida.

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Algumas pessoas, sobretudo antigos jogadores que desempenhavam o mesmo papel que Rinaldo, defendem que há atenuantes a considerar. Um jogador como Rinaldo está programado para esperar um desafio para a luta quando atinge daquela maneira uma das estrelas da outra equipa, é o instinto de quem já se viu várias vezes na mesma situação e sabe o que geralmente vem a seguir. No entanto, fica claro nas imagens que Girard não tem qualquer intenção de lutar com Rinaldo, afastando-se de imediato depois de dar um ligeiríssimo encontrão a Rinaldo, por isso, é difícil entender onde Rinaldo viu a luz verde para começar ao soco. Felizmente, Girard não se magoou, apesar de ter ficado abalado no momento.
Por fim, chegamos ao castigo, demasiado leve tendo em conta a gravidade da ação e, sobretudo, o seu contexto. Seis jogos não chegam para um jogador que vai na sua quinta suspensão em seis épocas na NHL, que tem mais jogos de castigo (25) do que golos marcados (11) na sua carreira e que, por várias vezes, demonstrou não ter qualquer consideração pelo bem-estar físico dos colegas de profissão. A liga teve aqui uma oportunidade de ouro para mandar uma mensagem forte a Rinaldo, um ultimato, ou mudas ou estás fora. Mas não. Nem ele, nem a equipa sofreram com as consequências do seu ato. Os Coyotes não lutam por nada e, mesmo que lutassem, não sentiriam falta de um jogador de quarta linha, e Rinaldo pensa certamente que se limitou a cumprir o seu papel, não aprendeu nada. Resta-nos agora aguardar pela próxima asneira e esperar que ninguém se magoe a sério.

Terceiro Período: Nunca é tarde.
Nada na vida é fácil, que o diga Jeff Glass que esperou até aos 32 anos para alcançar aquilo que aos 19 achava ser o seu destino. A seleção que representou o Canadá nos Campeonatos Mundiais de Juniores de 2005 é considerada uma das melhores de sempre, tendo dado a conhecer muitos jogadores que são hoje figuras de proa na NHL, como por exemplo Sidney Crosby, Patrice Bergeron, Ryan Getzlaf, Corey Perry e Shea Weber. Na baliza estava Jeff Glass que, ao contrario da esmagadora maioria dos seus colegas de seleção, tomou o caminho mais longo para chegar ao palco maior da modalidade.

Jeff Glass a cumprir o sonho Fonte: NHL
Jeff Glass a cumprir o sonho
Fonte: NHL

Glass não comprometeu, vencendo todos os jogos em que foi titular, incluindo a final que valeu uma medalha de ouro que os canadianos não ganhavam desde 1997. Infelizmente para ele, foi escolhido no draft pelos Ottawa Senators que, na altura, tinham três guarda-redes bem estabelecidos. Glass não se conseguiu afirmar e acabou por se mudar para a KHL, onde fez sete temporadas. Em 2016, decidiu regressar à América do Norte, onde encontrou o seu espaço na AHL, primeiro à experiência nos Toronto Marlies e depois definitivamente nos Rockford Ice Dogs, a filial dos Chicago Blackhawks. A lesão de Corey Crawford levou à sua chamada à equipa principal e a titularidade veio com naturalidade, no segundo jogo de um back-to-back.

Aos 32 anos, 12 anos depois da medalha de ouro no Campeonato Mundial de Juniores, o sonho de Jeff Glass materializou-se. Estreou-se na NHL, com a camisola dos Blackhawks frente aos Edmonton Oilers. A equipa de Chicago venceu por 4-3. Glass fez 42 defesas e foi a primeira estrela da partida, tornando-se no segundo guarda-redes mais velho desde 1967 a vencer o seu jogo de estreia.

Estrelas da Semana

Primeira Estrela: Connor Hellebuyck (Winnipeg Jets)
Os Winnipeg Jets lideram a impiedosa Divisão Central e são uma das equipas mais excitantes de toda a liga. Apesar de terem um ataque de sonho, não pode ser esquecido o contributo fundamental de Hellebyuck para o sucesso dos Jets. A qualidade no ataque não é de agora na equipa de Winnipeg, o que é novo é um guarda-redes competente, capaz de segurar a equipa nos jogos mais complicados.

Segunda Estrela: William Karlsson (Vegas Golden Knigths)
Há tanta coisa difícil de entender nos Vegas Golden Knights, mas talvez nenhuma mais surpreendente do que os números de William Karlsson. O sueco fez o primeiro hat-trick da sua carreira esta semana contra os Toronto Maple Leafs, subindo a sua conta pessoal para 20. São 20 golos em 37 jogos de Karlsson com a camisola dos Golden Knights. Tinha 18 golos em 183 jogos antes de se mudar para Las Vegas. É um grande salto.

Terceira Estrela: David Backes (Boston Bruins)
David Backes é a personificação perfeita da época dos Bruins, um jogador veterano, já para lá dos seus melhores anos, que começou mal, mas que, aos poucos, vai reencontrando o ritmo e o nível a que nos habituou. Antes do jogo de ontem contra os New York Islanders, em que não pontuou, Backes fez dois pontos em quatro jogos consecutivos.

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Foto de Capa: NHL

Tiago Pinto Martins

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