O que se passa com os bicampeões?

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Cabeçalho modalidadesNo início da temporada, colocar os Pittsburgh Penguins no lote dos maiores candidatos à Stanley Cup era visto como uma aposta segura, apesar da conquista sem precedentes que seria vencerem-na por três anos consecutivos, tal era o nível de confiança que todos tinham nos bicampeões. No entanto, e como tantas vezes acontece neste desporto, a realidade virou-nos de cabeça para baixo e deixámos de saber para que lado fica o chão. Os Penguins estão atualmente no penúltimo lugar da Divisão Metropolitana, com três pontos de vantagem sobre os Philadelphia Flyers, mas com dois jogos a mais.

Primeiro Período: A resposta que não satisfaz.
O pânico começa a instalar-se em Pittsburgh e há motivos para isso. Estamos praticamente a meio da época regular, o tempo para grandes recuperações é escasso. O problema é que não há nenhum remédio imediato para os males que afligem os Penguins. São a quarta equipa na NHL com menos golos marcados em 5-contra-5, o que não bate certo com a composição do seu plantel, que incluiu alguns dos avançados mais dotados do mundo. Menos sentido faz quando olhamos para os números de posse do disco que os colocam com segurança na metade superior da liga. O susto vem quando viramos a atenção para a percentagem de remate: 5.3%, a pior na liga, seguido de longe pelos San Jose Sharks, já com um aproveitamento acima dos 6%. Esta é a pior eficácia de remate na NHL desde a temporada 2007/08, ano em que a liga começou a registar este tipo de dados.

É impossível que isto seja provocado pela falta de qualidade no ataque, num plantel que conta com Crosby, Malkin e Kessel. Os números de posse do disco também mostram que é pouco provável ser da qualidade dos remates, uma vez que os Penguins estão também na metade superior da tabela no que respeita a oportunidades de golo. A causa para os problemas dos Penguins é a mais simples de todas, mas também difícil de aceitar e impossível de resolver: má sorte. O disco não tem querido entrar na baliza e não há nada nem ninguém que possa mudar isso, resta continuar a tentar até que a sua vontade mude.

Matt Murray, guarda-redes dos Pittsburgh Penguins Fonte: NHL
Matt Murray, guarda-redes dos Pittsburgh Penguins
Fonte: NHL

É claro que há pormenores que os Penguins podem e devem abordar, como por exemplo reforçar a profundidade do ataque o que poderia ser uma grande ajuda para ultrapassar estas fases menos inspiradas dos jogadores principais, e reorganizar a defesa que não tem dado o melhor apoio a Matt Murray, também ele a passar por um mau bocado. Não duvido que Jim Rutherford tentará fazer esses ajustes até ao trade deadline, tendo já dado alguns passos nesse sentido. No entanto, não é uma boa ideia fazer alterações de fundo, nem trocar nenhum jogador importante. Não há nada de fundamentalmente errado com os Penguins, basta a sorte virar e voltarão a ser a equipa forte que todos esperávamos no início da época. Por um lado, isso é bom, mas por outro é o pior, pois significa que a tão necessária recuperação na tabela não está nas suas mãos, depende exclusivamente da vontade do disco, e nenhum adepto gosta de ouvir isso. O disco é caprichoso.

Tiago Pinto Martins
Tiago Pinto Martinshttp://www.bolanarede.pt
Nice guy, tries hard, loves the game" é a bio do bi-campeão da Stanley Cup Phil Kessel no Twitter, mas podia, com a mesma precisão, descrever o Tiago. Deixou-se deslumbrar pela NHL quando, em adolescente, viu dois adultos ao soco em cima de patins pela primeira vez. Desde entanto, cresceu e passou a apreciar outros aspectos deste magnífico desporto. Espera transmitir esta paixão a outras pessoas.                                                                                                                                                 O Tiago escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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