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O fim de semana passado foi, com algum eufemismo à mistura, bastante agridoce. Confesso que apesar de ter crescido numa casa em que António Livramento ou Ramalhete eram pronunciados com a mesma vivacidade de Damas ou Yazalde, nunca fui um grande adepto do hóquei em patins. Ainda assim, domingo passado vivi o desempate por grandes penalidades como o meu pai vivia há cerca de vinte anos, e no final, aquando dos festejos de todos aqueles bravos leões, senti aquele Sportinguismo indescrítivel e que passa de pai para filho, de geração para geração e que torna este grande clube em algo único.

Por outro lado, apesar de por escolhas pessoais não ter estado presente no MEO Arena, fiquei desiludido com a derrota frente ao Barcelona. Não por achar que seríamos à partida favoritos, ou porque fosse a obrigação vencer o jogo; apenas porque sinto que era a nossa vez, a nossa oportunidade, e deixámos de novo escapar por entre os dedos. Faz parte perder, e às vezes perder torna os grupos mais fortes. Espero que seja esse o caso e que o Sporting se reerga e que pelo segundo ano consecutivo volte a festejar e a sentir orgulho no Ecletismo que é o Sporting.

As centenas de pessoas que inundaram o Aeroporto da Portela são o exemplo perfeito do que é o Sporting Clube de Portugal Fonte: Facebook  Sporting
As centenas de pessoas que inundaram o Aeroporto da Portela são o exemplo perfeito do que é o Sporting Clube de Portugal
Fonte: Facebook Sporting

As vitórias das modalidades históricas do clube, como a do fim de semana passado no Hoquei em Patins, vêm dar razão aos anos passados a pedir um pavilhão, vêm dar valor a dezenas – ou centenas – de atletas, treinadores e dirigentes que andaram com a “casa às costas” durante mais duma década para que o Sporting não perdesse uma grande parte do que realmente é. São esses os heroís escondidos, não é somente o Bruno, os Nunos ou o Vicente. É toda a gente que dispensava horas do seu dia, sem por vezes receber um cêntimo, para dar ao clube o que ele precisava, a “dose diária de Sportinguismo”.

Graças a eles, a todos eles, daqui a uns meses ou anos levarei os meus filhos ao Pavilhão João Rocha, onde lhes mostrarei o nome do pai num mural com milhares de outros verdadeiros leões, e poderei transmitir tudo aquilo que felizmente o meu pai me ensinou.

O Sporting, o verdadeiro Sporting, não se preocupa com outras cores, com as derrotas dos outros, porque nada disso lhe confere grandeza. O verdadeiro Sporting ultrapassa infinitamente as quatro linhas do relvado do Estádio José de Alvalade.  O Sporting vive numa mesa de ténis com o Diogo Chen, num terreno de corta-mato com o Rui Silva, na ponta do stick do Girão ou na mão cheia de resina do João Pinto.

E é esse o rumo que aos poucos volta a ser criado, e o orgulho que tenho nele é enorme.

Foto de Capa:  Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal.

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