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Doze anos depois da final de Paris, África do Sul e Inglaterra voltaram a disputar o jogo decisivo da competição. Os célebres Springboks defrontaram, pela segunda vez numa final, o berço do Rugby, criado na pequena cidade de Rugby, no centro de Inglaterra.

Eddie Jones apostou na mesma equipa que venceu a Nova Zelândia. Do lado contrário, Rassie Erasmus fez apenas uma alteração em relação à meia final contra o Gales. Cheslin Kolbe rendeu S’Busiso Nkosi na posição de três quartos ponta.

Na primeira parte, foi a África do Sul a tomar conta do jogo. Logo no início do jogo houve uma lesão que veio a influenciar fortemente o rumo do mesmo. Refiro-me à lesão de Kyle Sinclair. O pilar dos Harlequins foi substituído por Dan Cole, que mostrou grandes dificuldades na formação ordenada. Uma plataforma de ataque em que a África do Sul se mostrou muito superior e conseguiu converter em pontos, graças às muitas penalidades cometidas pelos ingleses neste capítulo do jogo.

A Inglaterra apenas teve um momento em que esteve por cima do jogo nos primeiros quarenta minutos. Uma série de fases à mão na área de 22 metros sul africana, que resultaram em três pontos. Grande mérito para a defesa Springbok, que se mostrou impenetrável e muito forte nas fases de disputa de bola.

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Ao intervalo, o marcador ditava vitória sul africana por 12-6, com quatro penalidades certeiras de Pollard contra as duas de Farrell.

Hamdre Pollard foi decisivo nos pontapés aos postes
Fonte: Springboks

Na segunda parte, a formação ordenada foi mais disputada. A entrada de Joe Marler, para pilar direito, veio trazer consistência a esta fase do jogo.

Os únicos ensaios do jogo apareceram apenas na segunda parte. O primeiro foi da autoria de Makazole Mapimpi. Um pontapé curto que resultou num dois para um em que Lukanyo Am apenas teve de soltar para o ponta dos Sharks de Durban que fez o toque de meta. Ficará para a história este ensaio, uma vez que foi o primeiro marcado pela África do Sul em finais do mundial. Recordo que esta foi a terceira final em que os sul africanos estiveram envolvidos.

Mapipmpi ao marcar o primeiro ensaio Springbok em finais
Fonte: Rugby World Cup

Já o segundo teve o carimbo de Cheslin Kolbe, o imprevisível ponta que foi nomeado para jogador do ano. Ao receber a bola à entrada dos 22 metros ingleses, bateu Owen Farrell e fez o ensaio que decidiu o campeão do mundo de Rugby.

Grande jogo da defesa sul africana que anulou a fortíssima terceira linha inglesa. Sam Underhill e Tom Curry foram dominados no que ao breakdown diz respeito. Duane Vermeulen esteve irrepreensível na disputa pela bola no chão. Este conseguiu, de certa forma, atrasar a manobra ofensiva inglesa.

No que às fases estáticas diz respeito, a Inglaterra ficou muito aquém das expectativas. Esperava-se muita competitividade nestes capítulos do jogo, principalmente após a superioridade inglesa sobre a Nova Zelândia.

O domínio dos homens de Rassie Erasmus foi claro. O jogo foi gerido de forma muito inteligente, mesmo que que toca ao jogo ao pé. Faf de Klerk e Handre Pollard estiveram bem neste capítulo. Das poucas vezes que foi utilizado, a sua equipa conseguiu tirar partido tático e territorial deste componente do seu jogo.

No fim do jogo, Siya Kolisi, o primeiro capitão negro da seleção sul africana, realçou a vitória no campeonato do mundo, referindo também os problemas sociais e políticos do país, apelando à união da nação após esta conquista.

A África do Sul junta-se, assim, à Nova Zelândia com três vitórias no campeonato do mundo. Depois de 1995 e 2007, fica para a história a vitória em Yokohama, no primeiro mundial disputado na Ásia.

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