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Super Rugby Aotearoa: Chiefs, a desilusão da competição

Marco Minelli · 4 min

Foto: Super Rugby

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O derby da ilha sul voltou a Dunedin, dois anos depois. Na temporada passada, este clássico não se disputou no Forsyth Barr Stadium devido aos ataques terroristas que tiveram lugar em Christchurch.

Em campo, o resultado de 20-40 a favor dos Crusaders não espelha o que se passou sob o olhar de quase 30.000 adeptos, uma vez que os tricampeões do Super Rugby apenas conseguiram dominar o jogo e garantir a vitória na reta final do mesmo.

Numa fase inicial da primeira parte, os Crusaders conseguiram garantir o controlo do jogo, culminando, esta fase, com o ensaio de Will Jordan. Não obstante, os Highlanders não tardaram em equilibrá-lo, acabando mesmo por passar para a frente do marcador, através dos ensaios de Shannon Frizell e Ngani Punivai.

Destaque para o ensaio do flanqueador dos Landers, ao fazer um carry absolutamente fantástico. Já Aaron Smith foi o líder da manobra da equipa da casa. Nota para o seu transporte de bola e para a quebra de linha que originou o ensaio do ponta Ngani Punivai.

Apesar da desvantagem de 17-14 ao intervalo, os Crusaders não tardaram em responder na segunda parte, por meio de Tom Christie. Mais tarde, os Highlanders tiveram a oportunidade de passar para a frente do marcador, mas Jona Nareki decidiu não libertar a bola numa situação de ensaio iminente, acabando por perder o controlo da oval.

Este momento foi crucial, sendo que, nos restantes minutos de jogo, sem Aaron Smith em campo, os Crusaders conseguiram dominar nos capítulos da posse e do território. Como tal, os ensaios não demoraram a surgir. Nos vinte minutos finais foram três, sendo estes da autoria de Sevu Reece, Tom Christie e Will Joardan.

Os Crusaders permanecem assim invictos na competição, recebendo, no próximo sábado, os Blues que, à semelhança da franquia de Christchurch, só somam vitórias. Os Highlanders, por seu turno, terão de melhorar o aspeto disciplinar. Foram completamente arrasados na formação ordenada e a abordagem ao breakdown não foi a melhor. Foram 13 as penalidades concedidas pelos Landers, número que contrasta com as sete dos homens de Scott Robertson.

Já do outro lado do país, na zona norte da ilha norte, defrontaram-se as duas equipas que, à entrada para o jogo, não somavam qualquer vitória. Os Hurricanes conseguiram reverter esta situação, ao contrário dos Chiefs, que somaram a quinta derrota consecutiva.

Os Hurricanes conseguiram adiantar-se cedo no marcador, sendo que, ao intervalo, venciam por largos 3-20. Van Wyk regressou à titularidade e marcou o primeiro ensaio do jogo, oriundo de uma formação ordenada em que a ação sem bola dos três quartos foi essencial para libertar o ponta sul africano, que só teve de fazer o grounding.

À semelhança das jornadas anteriores, os Chiefs não conseguiram tirar partido das visitas à área de 22 metros adversária, muito graças também à capacidade defensiva dos Canes. No breakdown, Du’Plessis Kirifi teve um papel primordial, ora a atrasar a manobra ofensiva dos Chiefs, ora a conquistar turnovers. Além do mais, a defesa da franquia da capital, através da sua line speed, conseguiu anular completamente os perigos da linha de três quartos dos Chiefs.

Aliada a esta defesa compacta, esteve a leitura tática de Jordie Barrett no jogo ao pé. O defesa voltou à competição, depois de ter estado a recuperar de uma lesão no ombro, e a sua frieza nos pontapés aos postes foi essencial no garante da primeira vitória na competição. Nota para um pontapé a cerca de 60 metros que o número 15 conseguiu converter.

A equipa da casa apenas conseguiu assumir o controlo do jogo nos últimos minutos. Com o cartão amarelo e, posteriormente, com a expulsão de Scott Scrafton, os Chiefs conseguiram instalar-se em plenos 22 metros dos Hurricanes, mas a falta de pragmatismo e frieza ditou mais uma derrota para os homens de Warren Gatland. Apesar do ensaio de Lachlan Boshier e do ensaio de penalidade, os Chiefs falharam na gestão do jogo.

Em grande plano também esteve Ardie Savea, ao mostrar que, apesar da longa paragem que teve de enfrentar, é um dos melhores terceiras linhas do mundo. A escassos minutos do fim, com os Hurricanes a defender na sua linha de cinco metros, Ardie Savea conquistou o turnover que veio pôr termo à discussão do resultado.

Os Chiefs são, a meu ver, a maior surpresa deste Super Rugby Aotearoa. Após um bom começo de época no padrão normal da competição, em que bateram os Blues e os Crusaders, ninguém imaginava que fosse uma equipa como os Chiefs a ocupar o último lugar, ainda por cima sem qualquer vitória.

A nível individual, creio que Dane Coles e Aaron Smith, capitães de Hurricanes e Highlanders, respetivamente, foram os jogadores da jornada. O talonador dos Canes foi uma arma essencial no ataque à linha da vantagem e mostrou a sua capacidade técnica através de diversos offloads. Já Aaron Smith, foi a pedra basilar no jogo dos Landers. Quando este saiu, o jogo da franquia de Dunedin perdeu a dinâmica.

Na próxima semana, Crusaders e Blues vão medir forças em Christchurch, naquele que será um dos jogos mais esperados da competição. Já os Highlanders vão a Wellington defrontar a equipa local.

Foto de Capa: Super Rugby

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Marco Minelli

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