cab Rugby

Disputado desde 1883 (e reformulado em 2000), o Torneio Seis Nações é a mais antiga competição (por selecções) de rugby e uma das mais antigas competições do mundo do desporto – equivale ao Campeonato da Europa de Rugby e é disputado pelas seis melhores selecções do continente europeu.

Inglaterra, França, Irlanda, País de Gales, Escócia e Itália. Todos com uma honra a defender, após ficarem abaixo das expectativas no último Campeonato do Mundo (disputado em 2015) – uma luta que promete!

Um desastre completo. É assim que podemos caracterizar a prestação da Inglaterra no último mundial. Depois disso, os ingleses já trocaram de seleccionador (saiu Stuart Lancaster, entrou Eddie Jones) e revolucionaram as habituais convocatórias. Entraram jovens jogadores cheios de potencial – como é o caso de Maro Itoje, Josh Beaumont e Elliot Daly –, regressaram jogadores que aparentavam ter perdido o seu espaço na Selecção da Rosa – como Chris Ashton, Dylon Hartley e Henry Thomas – e saíram alguns jogadores acusados de estar no centro do péssimo Campeonato do Mundo realizado – com Tom Wood, Tom Youngs e Brad Barritt à cabeça.

Eddie Jones tem pela frente a árdua tarefa de voltar a colocar a Inglaterra no topo mundial, e, em conjunto com a equipa técnica que lidera, testar e criar uma nova identidade de jogo, por forma a aproximar-se do apresentado pelos seus principais adversários. Para já, encontra no Torneio Seis Nações o seu primeiro teste a valer.

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O rugby francês vive, por estes dias, um período delicado, com repercussões ao nível da selecção gaulesa. Com uma despedida do mundial humilhante (derrota por 62-13 frente à Nova Zelândia), não tardou o afastamento do seleccionador Phillipe Saint-André e a entrada, para o seu lugar, de Guy Novés. Guy Novés, à imagem de Eddie Jones na Inglaterra, também reformulou as convocatórias, afastando jogadores como Benjamin Kayser, Rory Kockott e Mathieu Bastareaud, e dando a oportunidade a atletas como Camille Chat, Virimi Vakatawa e Jefferson Poirot. Destaque-se, também, a mudança do titular da braçadeira de capitão, que agora será envergada por Guilhem Guirado.

Guy Novés teve pouco tempo para fazer testes, preparar e ajustar a equipa, mas decerto não quererá defraudar toda a expectativa criada em torno da sua liderança. No horizonte, o fantasma que paira sobre a França – incapaz de vencer um Torneio Seis Nações desde 2000: está na hora de voltar a atacar o trono europeu.

A Escócia terminou o último Seis Nações na pior posição, mas foi a melhor selecção europeia no Mundial de 2015. Vern Cotter, o seleccionador escocês, já disse não ter ficado totalmente satisfeito com a prestação escocesa no mundial, e aponta baterias para o Torneio Seis Nações, nunca deixando cair no esquecimento que a Escócia não vence qualquer competição europeia desde 1999… E está na hora de voltar a ganhar! Os Highlanders apresentam um grupo de atletas muito equilibrado – por um lado uma mão cheia de jovens jogadores sedentos de uma oportunidade; por outro vários jogadores com credenciais firmadas no mundo do rugby – e compacto, sendo que a convocatória para o torneio é muito semelhante às escolhas que já tinham sido tomadas para o Campeonato do Mundo.

Da parte escocesa podemos esperar uma atitude aguerrida – e por vezes atrevida – apoiada numa defesa segura e no jogo à mão.

Se vencer, a Irlanda conquistará o tri-campeonato, mas antes terá de superar a ausência de Paul O'Connell Fonte: RBS 6 Nations
Se vencer, a Irlanda conquistará o tri-campeonato, mas antes terá de superar a ausência de Paul O’Connell
Fonte: RBS 6 Nations

Os bicampeões em título ainda se estão a recompor do abandono internacional do seu capitão, Paul O’Connell. Para já Rory Best irá capitanear a Irlanda no Torneio Seis Nações, mas Joe Schmidt, seleccionador irlandês, já assumiu que esta não é uma escolha definitiva. Com algumas baixas na selecção – a vaga deixada por jogadores como Iain Henderson, Mike Ross e Peter O’Mahony será difícil de colmatar – e a crescente contestação referente ao seleccionador, a Irlanda terá pela frente a dura tarefa de voltar a conquistar o torneio e poder sagrar-se tricampeã europeia… Só assim todos os fantasmas gerados em torno da participação irlandesa no torneio serão exorcizados.

A viver uma era de rugby de excelência, o País de Gales aparece determinado a voltar aos títulos. Com Warren Gatland à frente dos comandos da selecção desde 2007, e prestes a atingir a barreira dos cem jogos enquanto seleccionador galês, foram operadas algumas alterações na habitual convocatória, com destaque para a estreia absoluta de Aled Davies, o regresso de Tom Jones após cinco anos de ausência e a não-inclusão de Leigh Halfpenny, a contas com uma lesão grave.

Os galeses apresentam um rugby positivo, sempre em busca de pontos, mas claudicam na hora de sentenciar a partida, o que tem provocado alguns momentos amargos… Ultrapassada essa lacuna, o País de Gales afirma-se como um dos candidatos mais fortes a levantar o troféu.

Resta-nos a Itália, a mais jovem selecção em competição no Torneio Seis Nações, tendo-se juntado às restantes equipas a partir de 2000, precisamente quando o torneio foi ajustado e passou de cinco para seis equipas. Essa alteração e a inclusão italiana vieram trazer interesse e protagonismo ao rugby italiano, que se traduziu numa evolução sustentada. No entanto, a Itália nunca conseguiu atingir e confirmar o êxito que se perspectivou e agora Jacques Brunel, seleccionador italiano, tem nas suas mãos a oportunidade de fazer a equipa dar o salto e acumular vitórias – e atingir títulos. Na convocatória surgem dez estreantes, mas o destaque vai para o regresso de Sergio Parisse, capitão italiano.

Os italianos partem como underdogs, mas a experiência e a qualidade de Jacques Brunel promete, mais dia menos dia, trazer frutos à selecção… Quem sabe se não será já na próxima edição do Torneio Seis Nações?

 Foto de capa: RBS 6 Nations

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